Após acidentes, bombeiros dão 10 dicas para esportes de aventura
Tenente de MG alerta para planejamento, equipamentos certificados, equipes qualificadas e respeito aos limites para evitar acidentes

Belo Horizonte – Minas Gerais reúne alguns dos principais destinos brasileiros para a prática de esportes de aventura e radicais. Trilhas em montanhas, escaladas em paredões, voos de parapente, rapel em cachoeiras e passeios de balão atraem milhares de praticantes todos os anos. Mas, junto com a adrenalina, crescem também os riscos de acidentes, especialmente quando há falhas de planejamento, improvisação ou descumprimento de protocolos de segurança.
Diante de casos recentes que ganharam repercussão nacional, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) reforça que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para evitar tragédias. Segundo o tenente Elias Cristovam, a prática segura depende da atuação conjunta de organizadores, operadores, instrutores e praticantes.
“Atividade de aventura não admite improviso. A prevenção depende de procedimento padronizado, equipe qualificada, equipamentos adequados, checagem dupla ou redundante, inspeção diária dos sistemas e orientação clara ao praticante”, destaca o militar.

Dez dicas dos Bombeiros para praticar esportes de aventura
1. Evite improvisos
Atividades de aventura exigem planejamento, procedimentos definidos e acompanhamento de profissionais capacitados.
2. Verifique os equipamentos antes do uso
Cordas, capacetes, mosquetões, arneses e demais itens de segurança devem ser inspecionados antes de cada atividade.
3. Utilize equipamentos certificados
Prefira materiais homologados e indicados para a modalidade praticada, observando a vida útil e as recomendações dos fabricantes.
4. Faça checagem dupla dos sistemas de segurança
Antes de saltos, descidas ou escaladas, confira novamente ancoragens, travas, cordas e pontos de fixação.
5. Respeite as condições climáticas
Chuvas, ventos fortes, neblina e tempestades aumentam significativamente os riscos em ambientes naturais.
6. Conheça seus limites físicos e técnicos
Não participe de atividades acima do seu nível de experiência ou condicionamento físico.
7. Nunca faça trilhas sem planejamento
Informe familiares ou amigos sobre o roteiro, horário previsto de retorno e pontos de passagem.
8. Leve equipamentos básicos de emergência
Água, alimentação, lanterna, bateria extra para celular, kit de primeiros socorros e aplicativos off-line podem fazer diferença em situações críticas.
9. Escolha operadores e instrutores qualificados
Empresas e profissionais devem possuir experiência, treinamento adequado e protocolos claros de segurança e resgate.
10. Interrompa a atividade diante de qualquer dúvida
Segundo os bombeiros, qualquer sinal de falha, desgaste de equipamento ou condição insegura deve ser suficiente para cancelar ou adiar a prática.
Equipamentos certificados e checagem constante
Entre as principais recomendações do Corpo de Bombeiros está a inspeção rigorosa dos equipamentos utilizados nas atividades. Cordas, ancoragens, mosquetões, capacetes, arneses e sistemas de segurança devem passar por verificações frequentes e seguir as normas técnicas aplicáveis.
A orientação vale especialmente para modalidades que envolvem altura, como escalada, rapel e rope jump.
“Para atividades com cordas, a recomendação é que haja inspeção prévia de todos os equipamentos, conferência individual do praticante antes do salto ou deslocamento, conferência das ancoragens, uso de capacete, controle de acesso à área de risco e protocolo de abortagem da atividade diante de qualquer dúvida”, explica o tenente.
Segundo ele, operadores responsáveis devem adotar margens de segurança superiores às exigências mínimas previstas em normas e legislações.
“O profissional sério deve encarar a norma como um piso e não como um teto”, afirma.
Trilhas exigem preparo e planejamento
O crescimento do ecoturismo e das atividades em áreas naturais também tem aumentado o número de acionamentos para buscas e resgates em regiões montanhosas e de mata fechada.
Nesses casos, os bombeiros orientam que os praticantes informem familiares sobre o roteiro planejado, evitem percursos sozinhos e acompanhem as condições meteorológicas antes de iniciar a atividade.
A corporação recomenda ainda levar água, alimentação, lanterna, roupas adequadas, bateria extra para celular e aplicativos de navegação que funcionem off-line.
“A prevenção é fundamental. O praticante deve respeitar seus limites físicos e conhecer previamente as características da trilha”, alerta o militar.

Quando a atividade é organizada por empresas ou grupos comerciais, os cuidados precisam ser ainda maiores. “O operador deve planejar previamente a rota, orientar os participantes, avaliar riscos, controlar o grupo, conhecer pontos de evacuação e manter meios de acionamento de emergência”, ressalta.
Balonismo e voo livre
O recente pouso de um balão em Itabirito, na Região Central de Minas Gerais, reacendeu discussões sobre segurança em atividades aéreas recreativas.
O Corpo de Bombeiros esclarece, entretanto, que a fiscalização da operação aeronáutica não é atribuição da corporação. “A fiscalização da operação aérea, regras de voo, habilitação, cadastro, espaço aéreo e demais exigências aeronáuticas cabe aos órgãos competentes do setor, especialmente ANAC e DECEA”, explica o tenente Elias.
Nessas situações, o papel dos bombeiros é atuar em emergências, realizando salvamentos, atendimentos pré-hospitalares, isolamento de áreas de risco e prevenção de incêndios quando necessário.

Segurança compartilhada
Apesar da existência de normas e legislações específicas, o CBMMG destaca que não é possível fiscalizar previamente todas as atividades realizadas em áreas naturais espalhadas pelo estado. Por isso, a corporação defende a construção de uma cultura de autoproteção entre empresas, instrutores e praticantes.
“A lei é importante porque estabelece diretrizes e responsabilidades, mas, por si só, não evita acidentes. O que precisa prevalecer é uma cultura de autoproteção, em que organizadores, operadores, profissionais habilitados e praticantes compreendam que atuar com segurança é indispensável para a preservação de vidas”, afirma o militar.
Ele reforça que a responsabilidade pela segurança é compartilhada. “Não há como fiscalizar, de forma prévia e permanente, todos os esportes de aventura praticados em Minas Gerais. Por isso, a responsabilidade pela segurança é compartilhada com toda a sociedade.”
O que diz a legislação mineira
Minas Gerais possui uma das principais legislações estaduais voltadas à regulamentação dos esportes de aventura no país. A Lei Estadual nº 16.686/2007 estabelece regras para atividades como escalada, rapel, canionismo, voo livre e outras modalidades que envolvam riscos controlados.
Entre as exigências previstas estão a presença de responsável técnico habilitado, utilização de equipamentos certificados, condições mínimas de primeiros socorros, adoção de planos de resgate e assinatura de Termo de Assunção de Riscos pelos participantes.
A legislação também prevê autorização dos órgãos competentes quando a atividade estiver inserida em eventos temporários ou ocorrer em áreas sujeitas a regulamentação específica.

Segundo o Corpo de Bombeiros, é importante destacar que a regularização de um evento junto à corporação não representa certificação técnica da modalidade esportiva ou da empresa responsável pela operação.
“O CBMMG avalia as condições gerais de segurança do evento e do público, mas a execução técnica da atividade é responsabilidade do organizador, da empresa promotora e do profissional tecnicamente habilitado”, esclarece o tenente Elias.
Além da lei estadual, atividades realizadas em unidades de conservação seguem regras específicas do Instituto Estadual de Florestas (IEF), que regulamenta práticas como escalada, rapel, canionismo, cachoeirismo e voo livre em áreas protegidas.
Turismo de aventura em expansão
Com destinos reconhecidos nacionalmente, como Serra do Cipó, Serra da Moeda, Pico do Ibituruna, Capitólio, Serra da Canastra, Lagoa Santa e a Transespinhaço, Minas Gerais consolidou-se como um dos principais polos brasileiros de esportes de aventura.

O crescimento do setor impulsiona o turismo, movimenta a economia e fortalece o contato com a natureza. Para o Corpo de Bombeiros, entretanto, a expansão das atividades deve vir acompanhada de planejamento e responsabilidade.
A orientação é simples: antes de buscar adrenalina, é preciso garantir que todos os protocolos de segurança estejam sendo cumpridos. Porque, na aventura, emoção e prudência precisam caminhar juntas.


