Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Minas Gerais

Após acidentes, bombeiros dão 10 dicas para esportes de aventura

Tenente de MG alerta para planejamento, equipamentos certificados, equipes qualificadas e respeito aos limites para evitar acidentes

20/06/2026 04:00
Compartilhar notícia
Portal Minas Gerais/Divulgação
pessoas fazendo trilha em Minas Gerais

Belo Horizonte – Minas Gerais reúne alguns dos principais destinos brasileiros para a prática de esportes de aventura e radicais. Trilhas em montanhas, escaladas em paredões, voos de parapente, rapel em cachoeiras e passeios de balão atraem milhares de praticantes todos os anos. Mas, junto com a adrenalina, crescem também os riscos de acidentes, especialmente quando há falhas de planejamento, improvisação ou descumprimento de protocolos de segurança.

Diante de casos recentes que ganharam repercussão nacional, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) reforça que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para evitar tragédias. Segundo o tenente Elias Cristovam, a prática segura depende da atuação conjunta de organizadores, operadores, instrutores e praticantes.

“Atividade de aventura não admite improviso. A prevenção depende de procedimento padronizado, equipe qualificada, equipamentos adequados, checagem dupla ou redundante, inspeção diária dos sistemas e orientação clara ao praticante”, destaca o militar.
Rapeleiros GV Governador Valadares
Praticantes de rapel em paredão de cachoeira em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce

Dez dicas dos Bombeiros para praticar esportes de aventura

1. Evite improvisos
Atividades de aventura exigem planejamento, procedimentos definidos e acompanhamento de profissionais capacitados.

2. Verifique os equipamentos antes do uso
Cordas, capacetes, mosquetões, arneses e demais itens de segurança devem ser inspecionados antes de cada atividade.

3. Utilize equipamentos certificados
Prefira materiais homologados e indicados para a modalidade praticada, observando a vida útil e as recomendações dos fabricantes.

4. Faça checagem dupla dos sistemas de segurança
Antes de saltos, descidas ou escaladas, confira novamente ancoragens, travas, cordas e pontos de fixação.

5. Respeite as condições climáticas
Chuvas, ventos fortes, neblina e tempestades aumentam significativamente os riscos em ambientes naturais.

6. Conheça seus limites físicos e técnicos
Não participe de atividades acima do seu nível de experiência ou condicionamento físico.

7. Nunca faça trilhas sem planejamento
Informe familiares ou amigos sobre o roteiro, horário previsto de retorno e pontos de passagem.

8. Leve equipamentos básicos de emergência
Água, alimentação, lanterna, bateria extra para celular, kit de primeiros socorros e aplicativos off-line podem fazer diferença em situações críticas.

9. Escolha operadores e instrutores qualificados
Empresas e profissionais devem possuir experiência, treinamento adequado e protocolos claros de segurança e resgate.

10. Interrompa a atividade diante de qualquer dúvida
Segundo os bombeiros, qualquer sinal de falha, desgaste de equipamento ou condição insegura deve ser suficiente para cancelar ou adiar a prática.


Equipamentos certificados e checagem constante

Entre as principais recomendações do Corpo de Bombeiros está a inspeção rigorosa dos equipamentos utilizados nas atividades. Cordas, ancoragens, mosquetões, capacetes, arneses e sistemas de segurança devem passar por verificações frequentes e seguir as normas técnicas aplicáveis.

A orientação vale especialmente para modalidades que envolvem altura, como escalada, rapel e rope jump.

“Para atividades com cordas, a recomendação é que haja inspeção prévia de todos os equipamentos, conferência individual do praticante antes do salto ou deslocamento, conferência das ancoragens, uso de capacete, controle de acesso à área de risco e protocolo de abortagem da atividade diante de qualquer dúvida”, explica o tenente.

Segundo ele, operadores responsáveis devem adotar margens de segurança superiores às exigências mínimas previstas em normas e legislações.

“O profissional sério deve encarar a norma como um piso e não como um teto”, afirma.

Trilhas exigem preparo e planejamento

O crescimento do ecoturismo e das atividades em áreas naturais também tem aumentado o número de acionamentos para buscas e resgates em regiões montanhosas e de mata fechada.

Nesses casos, os bombeiros orientam que os praticantes informem familiares sobre o roteiro planejado, evitem percursos sozinhos e acompanhem as condições meteorológicas antes de iniciar a atividade.

A corporação recomenda ainda levar água, alimentação, lanterna, roupas adequadas, bateria extra para celular e aplicativos de navegação que funcionem off-line.

“A prevenção é fundamental. O praticante deve respeitar seus limites físicos e conhecer previamente as características da trilha”, alerta o militar.
Pessoas fazendo trilha em Minas Gerais
Grupo fazendo trilha no Parque Estadual Serra Negra da Mantiqueira

Quando a atividade é organizada por empresas ou grupos comerciais, os cuidados precisam ser ainda maiores. “O operador deve planejar previamente a rota, orientar os participantes, avaliar riscos, controlar o grupo, conhecer pontos de evacuação e manter meios de acionamento de emergência”, ressalta.

Balonismo e voo livre

O recente pouso de um balão em Itabirito, na Região Central de Minas Gerais, reacendeu discussões sobre segurança em atividades aéreas recreativas.

O Corpo de Bombeiros esclarece, entretanto, que a fiscalização da operação aeronáutica não é atribuição da corporação. “A fiscalização da operação aérea, regras de voo, habilitação, cadastro, espaço aéreo e demais exigências aeronáuticas cabe aos órgãos competentes do setor, especialmente ANAC e DECEA”, explica o tenente Elias.

Nessas situações, o papel dos bombeiros é atuar em emergências, realizando salvamentos, atendimentos pré-hospitalares, isolamento de áreas de risco e prevenção de incêndios quando necessário.

balão balonismo em Minas Gerais
Prática de balonismo em São Lourenço, no Sul de Minas

Segurança compartilhada

Apesar da existência de normas e legislações específicas, o CBMMG destaca que não é possível fiscalizar previamente todas as atividades realizadas em áreas naturais espalhadas pelo estado. Por isso, a corporação defende a construção de uma cultura de autoproteção entre empresas, instrutores e praticantes.

“A lei é importante porque estabelece diretrizes e responsabilidades, mas, por si só, não evita acidentes. O que precisa prevalecer é uma cultura de autoproteção, em que organizadores, operadores, profissionais habilitados e praticantes compreendam que atuar com segurança é indispensável para a preservação de vidas”, afirma o militar.

Ele reforça que a responsabilidade pela segurança é compartilhada. “Não há como fiscalizar, de forma prévia e permanente, todos os esportes de aventura praticados em Minas Gerais. Por isso, a responsabilidade pela segurança é compartilhada com toda a sociedade.”

O que diz a legislação mineira

Minas Gerais possui uma das principais legislações estaduais voltadas à regulamentação dos esportes de aventura no país. A Lei Estadual nº 16.686/2007 estabelece regras para atividades como escalada, rapel, canionismo, voo livre e outras modalidades que envolvam riscos controlados.

Entre as exigências previstas estão a presença de responsável técnico habilitado, utilização de equipamentos certificados, condições mínimas de primeiros socorros, adoção de planos de resgate e assinatura de Termo de Assunção de Riscos pelos participantes.

A legislação também prevê autorização dos órgãos competentes quando a atividade estiver inserida em eventos temporários ou ocorrer em áreas sujeitas a regulamentação específica.

ciclistas
Ciclistas no Park Canela de Ema em Barão de Cocais, região Central de Minas

Segundo o Corpo de Bombeiros, é importante destacar que a regularização de um evento junto à corporação não representa certificação técnica da modalidade esportiva ou da empresa responsável pela operação.

“O CBMMG avalia as condições gerais de segurança do evento e do público, mas a execução técnica da atividade é responsabilidade do organizador, da empresa promotora e do profissional tecnicamente habilitado”, esclarece o tenente Elias.

Além da lei estadual, atividades realizadas em unidades de conservação seguem regras específicas do Instituto Estadual de Florestas (IEF), que regulamenta práticas como escalada, rapel, canionismo, cachoeirismo e voo livre em áreas protegidas.

Turismo de aventura em expansão

Com destinos reconhecidos nacionalmente, como Serra do Cipó, Serra da Moeda, Pico do Ibituruna, Capitólio, Serra da Canastra, Lagoa Santa e a Transespinhaço, Minas Gerais consolidou-se como um dos principais polos brasileiros de esportes de aventura.

Capitólio Canios
Canions de Capitólio em Minas Gerais atraem turistas do mundo pelas suas cachoeiras, paisagens, trilhas e esportes náuticos

O crescimento do setor impulsiona o turismo, movimenta a economia e fortalece o contato com a natureza. Para o Corpo de Bombeiros, entretanto, a expansão das atividades deve vir acompanhada de planejamento e responsabilidade.

A orientação é simples: antes de buscar adrenalina, é preciso garantir que todos os protocolos de segurança estejam sendo cumpridos. Porque, na aventura, emoção e prudência precisam caminhar juntas.