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Minas Gerais

Esportes radicais em MG: entre a adrenalina e os riscos, conheça a lei

Lei estadual regula práticas como rapel, escalada e balonismo, mas acidentes recentes expõem falhas em segurança e fiscalização.

15/06/2026 17:14
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esportes radicais balonismo e caso limeira rope jump

Belo Horizonte – Um pouso inesperado de balão de ar quente com 12 passageiros, que teve até um pedido de casamento, chamou a atenção de moradores de Itabirito neste domingo (14/6). A aeronave, que decolou de Brumadinho, aterrissou próximo a residências e à linha férrea devido aos ventos, gerando susto, mas sem vítimas.

Apenas um dia antes, em Limeira (SP), a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após ser lançada sem corda de segurança em um rope jump de uma ponte — um caso de negligência que chocou o Brasil e resultou em prisões.

Esses episódios reacendem o debate sobre a segurança nos esportes radicais, principalmente em Minas Gerais, estado referência nacional e internacional na prática dessas modalidades esportivas;  rico em montanhas, cachoeiras e cânions, mas também marcado por tragédias evitáveis.


  1. Voo Livre: A região da Serra da Moeda, em especial o Topo do Mundo (Nova Lima/Brumadinho), é um dos picos mais famosos do Brasil para a prática de parapente e asa-delta. O Pico do Ibituruna em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, é também referência na prática do voo livre e do parapente.
  2. Off-Road e Mountain Bike: Minas é considerada a “capital do off-road” brasileiro. A região possui trilhas reconhecidas internacionalmente para motocross, rally e ciclismo de montanha. Poços de Caldas é sede de várias competições nacionais.
  3. Trekking e Corrida de Montanha: Cidades no Sul de Minas, como São João Batista do Glória, e parques como a Serra do Cipó atraem atletas para ultramaratonas e travessias desafiadoras. Trilhas como a Transespinhaço, que percorre toda a Serra do Espinhaço e conecta cidades como Diamantina, Conceição do Mato Dentro e Serro, e a Transmantiqueira, que atravessa a Serra da Mantiqueira
  4. Esportes Aquáticos e Verticais: Destinos como Capitólio e a Serra da Canastra são ideais para canyoning, rapel em cachoeiras e mergulho. Para os amantes da água, a canoagem e o rafting são opções que misturam natureza e aventura. Na canoagem, Minas se destaca como o polo da canoagem brasileira, onde muitos atletas profissionais treinam. O local fica pertinho da capital mineira, em Lagoa Santa.
  5. Escalada e Rapel: Entre paredões rochosos, serras e formações naturais únicas, o estado se consolida como um dos grandes destinos para a prática da escalada no Brasil. Um dos lugares mais desejados aqui é a Serra do Cipó , carinhosamente apelidado como a meca da escalada , o local conta com diversas opções de escaladas, desde as mais simples até as mais complexas.  Mas há vários outros lugares por aqui também! Parque Estadual do Sumidouro e Serra da Mantiqueira são outros exemplos que podem te encantar ao você ir para escalar!

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Serra do Cipó, a 100km de Belo Horizonte considerada paraíso para quem gosta de escalada esportiva, com vias de até 60 metros
Etapa da Copa Internacional de Mountain Bike em Poços de Caldas-MG
Serra da Moeda, em Brumadinho, pertinho de BH. O local reúne as condições ideias para a prática de parapente e outros modalidade de voo livre
Vários municípios de Minas são conhecidos pela prática e de balonismo, como Tiradentes e São Lourenço.
Mulher fazendo rope jump na Cachoeira da Fumaça de Nova Ponte
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Mulher fazendo rope jump na Cachoeira da Fumaça de Nova Ponte

BH Radical
Serra do Cipó, a 100km de Belo Horizonte considerada paraíso para quem gosta de escalada esportiva, com vias de até 60 metros
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Serra do Cipó, a 100km de Belo Horizonte considerada paraíso para quem gosta de escalada esportiva, com vias de até 60 metros

Portal Serra do Cipó
Etapa da Copa Internacional de Mountain Bike em Poços de Caldas-MG
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Etapa da Copa Internacional de Mountain Bike em Poços de Caldas-MG

Jonathas Abrantes/Ultrafotos
Serra da Moeda, em Brumadinho, pertinho de BH. O local reúne as condições ideias para a prática de parapente e outros modalidade de voo livre
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Serra da Moeda, em Brumadinho, pertinho de BH. O local reúne as condições ideias para a prática de parapente e outros modalidade de voo livre

Portal Minas Gerais
Vários municípios de Minas são conhecidos pela prática e de balonismo, como Tiradentes e São Lourenço.
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Vários municípios de Minas são conhecidos pela prática e de balonismo, como Tiradentes e São Lourenço.

Celso Silvério

A Regulamentação em Minas Gerais

A principal norma estadual é a Lei Ordinária nº 16.686/2007, que dispõe sobre a prática de esportes de aventura. Ela define essas atividades como modalidades recreativas com riscos controlados, exigindo técnicas e equipamentos especiais.

Entre os requisitos:

  • Autorização do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG);
  • Licenciamento ambiental e do órgão gestor do local (público ou privado);
  • Responsabilidade técnica por profissional habilitado;
  • Uso de equipamentos com certificação de qualidade;
  • Termo de Assunção de Riscos assinado pelos praticantes;
  • Condições mínimas de primeiros socorros e resgate.
Trilhas como a Transespinhaço, que conecta cidades históricas como Diamantina, Conceição do Mato Dentro e Serro

Complementam a lei as Portarias do Instituto Estadual de Florestas (IEF):

  • Portaria IEF nº 72/2023: Regulamenta técnicas verticais (rapel, escalada, canionismo e cachoeirismo) em Unidades de Conservação, com exigências de planejamento, cadastramento e mínimo impacto ambiental.
  • Portaria IEF nº 58/2023: Discipline o voo livre (parapente, paraglider, balonismo etc.), exigindo cadastro, observância de normas da ANAC (RBAC 103) e coordenação com o DECEA.
  • Agências de turismo de aventura também precisam de licenciamento junto aos órgãos de turismo. A fiscalização envolve o CBMMG, IEF e federações como a FEMEMG (montanhismo e escalada).

Casos Recentes e Lições

A morte do montanhista mineiro Igor Andreoni Barbabella de Oliveira, de 40 anos, em abril de 2026, ilustra os riscos. Experiente, ele caiu de cerca de 80 metros durante escalada no Morro da Ponta Aguda, em Itatim (BA). Apesar de ter acontecido em outro estado, o acidente reforça a importância da Lei 16.686/2007, que exige equipamentos certificados e planejamento — medidas que, se seguidas rigorosamente, podem prevenir quedas fatais.

escalador mineiro morre

Em Minas, o resgate de um jovem de 25 anos (natural de SP) no Pico dos Marins (Marmelópolis, Sul de MG), em maio de 2026, mostra outro lado. Perdido durante trilha, ele foi encontrado com entorse no pé pelo CBMMG após passar a noite na mata. O caso destaca a necessidade de sinalização adequada e preparação prévia, conforme as normas estaduais.

paulista perdido em Minas

Outros incidentes em trilhas, cachoeiras e rapel são frequentes no estado. Cachoeiras como a da Fumaça (Nova Ponte) e Três Barras (Conceição do Mato Dentro) atraem praticantes de rope jump e rapel, mas exigem operadores credenciados para evitar falhas como a de Limeira.

O caso de uma mulher que foi resgatada da Cachoeira da Jangada, localizada na cidade de Brumadinho, região metropolitana de BH, é mais um exemplo dos perigos que os turistas e praticantes de esportes radicais correm. A mulher estava fazendo uma trilha no dia 3/4, quando caiu de uma altura de cerca de 10 metros de uma formação rochosa e foi encontrada ferida em um local de difícil acesso. Ela teve traumatismo cranioencefálico (TCE), luxação e suspeita de fratura na clavícula. Os bombeiros tiveram dificuldades para acessar o local e resgatar a vítima.

Uma mulher foi resgatada da Cachoeira da Jangada
A vítima foi imobilizada em uma maca envelope própria para deslocamento, arrasto e içamento de forma segura.

Acidentes em cânions e escaladas em parques estaduais frequentemente mobilizam o CBMMG, revelando lacunas na fiscalização de operadores irregulares.

Desafios e Perspectivas

Apesar da legislação avançada, desafios persistem: fiscalização em áreas remotas, capacitação contínua de monitores e conscientização dos praticantes. O pouso do balão em Itabirito, embora controlado segundo a empresa, levantou questões sobre planejamento de rotas e autorização prévia, alinhadas à Portaria IEF 58/2023 e à Lei 16.686/2007.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o piloto do balão, Rodrigo Barrotte afirmou que a operação ocorreu dentro da normalidade e tentou tranquilizar moradores que se assustaram com a aproximação da aeronave.

“Apesar do susto, o balonismo, para quem não conhece, é assim: sabemos onde decolamos, mas não sabemos onde vamos pousar. Espero que o susto tenha passado. Gostaria de dizer que foi tudo em ordem”, declarou.

Especialistas defendem maior integração entre CBMMG, IEF e federações, além de atualizações na lei para incluir tecnologias de rastreamento e seguro obrigatório.

Esportes radicais movem o turismo mineiro, geram emprego e promovem contato com a natureza. Mas adrenalina não pode prescindir de responsabilidade. Seguir as normas não tira a emoção — garante que a aventura termine em segurança. Praticantes e operadores devem priorizar o planejamento e a obediência às regras.