Para ecologistas, ameaça ao meio ambiente é a liberdade econômica

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em Davos que “o grande inimigo do meio ambiente é a pobreza”. Sua afirmação faz sentido

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atualizado 22/01/2020 9:13

O ministro da Economia, Paulo Guedes, principal figura pública do Brasil na reunião de líderes mundiais de Davos deste ano, fez uma declaração que certamente vai receber a desaprovação indignada das forças ambientalistas através do mundo. É claro. Sua afirmação faz sentido – e praticamente tudo o que faz sentido hoje em dia em matéria de meio ambiente é recebido com hostilidade imediata.

Guedes disse, simplesmente, que “o grande inimigo do meio ambiente é a pobreza”. Em consequência, o crescimento econômico, bem como o progresso material decorrente dele, é arma essencial para a proteção da natureza nos países mais pobres.

A sabedoria convencional dos ecologistas dos países desenvolvidos sustenta o exato contrário. Com o próprio bem-estar assegurado há décadas pelo capitalismo, e vivendo no conforto de suas sobras, acreditam que a grande ameaça ao ambiente vem da liberdade econômica, da vontade de produzir e da criação de riqueza – ou da mera busca por mais renda.

Sua grande assombração é a agricultura brasileira – acusada de ter se tornado a maior do mundo, ao lado da americana, por causa do uso de “agrotóxicos”, dos “incêndios na Floresta Amazônica” e da “ganância dos latifundiários”. (Em seu mundo mental, não existe nada plantado no pequeno território que vai do Rio Grande do Sul ao norte do Mato Grosso; agricultura, no Brasil, é só “na Amazônia”).

Gastou latim à toa
Também não gostam da indústria. Não gostam, nem um pouco, de usinas para gerar energia elétrica. Estradas, ferrovias e portos são regularmente denunciados como “ameaças”. Enfim: em sua visão do mundo, o que atrapalha a natureza, mesmo, é a presença de seres humanos fora das zonas temperadas.

O ministro Guedes, possivelmente, gastou seu latim à toa. Uma das coisas mais difíceis da vida, hoje em dia, é fazer entrar na cabeça de um primeiro-mundista que países pobres são diferentes dos países ricos também na questão do meio ambiente.

Eles identificam imediatamente todas as diferenças quando olham para a nossa ignorância, maus modos, gente pobre e mais 1.001 aspectos que os incomodam.

Brasileiros suecos
Mas acham que, em matéria de ecologia, o Brasil deveria ser um grande Central Park e os brasileiros teriam de se comportar como suecos – andando em carros Tesla top de linha para não emitir carbono, fazendo suas compras em lojas de produtos orgânicos ou usando 12 latas diferentes para separar o lixo.

Vai ser difícil chegar a um entendimento.

* Este texto representa as opiniões e ideias do autor.

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