Número de empregos formais talvez nunca mais seja o mesmo

Mais isso não quer dizer que a economia de agora esteja pior, quer dizer apenas que o mercado de trabalho no Brasil está mudando

atualizado 01/01/2020 11:51

VALDECIR GALOR/SMCS

O ano de 2019 acabou com mais de um milhão de empregos formais na economia, ou seja, com carteira de trabalho e legalidades trabalhistas — o que é, sem dúvida, uma notável bola dentro na economia brasileira e, mais que tudo, na vida desse um milhão de cidadãos que estava sem emprego e agora não está mais.

Para um país que foi abandonado pelos governos Lula-Dilma em absoluta petição de miséria em matéria de desemprego, com níveis jamais vistos antes na história deste país, é uma inversão completa de rumo.

Ao mesmo tempo, aparece nos balanços a informação de que o número de empregos formais, apesar do aumento de 2019, não voltou aos níveis mais altos que tinha alguns anos atrás. É bom saber que isso tende a continuar assim. Dificilmente, talvez nunca, o número de empregos “com carteira”, considerados os melhores, voltará a ser o que foi.

Isso quer dizer que a economia de agora está pior que a de antes? Não. Quer dizer apenas que o mercado de trabalho no Brasil está mudando, e, possivelmente, essa mudança é irreversível. Motivo: há um número desconhecido de empregos que simplesmente morreram: não podem ser ressuscitados e não existirão nunca mais.

Tome, como exemplo, a indústria automobilística. Todas as montadoras têm menos empregados do que tinham, mas não porque estão vendendo menos carros — e, sim, porque há robôs trabalhando no lugar dos operários. Os empregos que eles tinham não existem mais, foram extintos, assim como os dinossauros. Não vão ser criados outra vez, porque não são necessários. Ponto final.

Exceção? Não, regra. Não há mais cortadores de cana em São Paulo, o maior produtor de açúcar do mundo, e não há mais gente trabalhando com enxada nas lavouras de soja e milho que levaram o Brasil a colher 240 milhões de toneladas de grãos em 2019.

Em compensação, calcula-se em mais de 300 mil o número de brasileiros que trabalham em entregas com aplicativos, onde ganham em média, em São Paulo, R$ 4,5 mil por mês. Não fazem isso porque são obrigados. Fazem porque é quatro vezes o salário mínimo. Fazem porque o mundo mudou.

* Este texto representa as opiniões e ideias do autor.

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