Hoje, há uma moral diferente dependendo das convicções políticas

O que vale para a esquerda não vale para a direita, e vice-versa. Isso ficou evidente na tentativa de impeachment de Trump

Alan Santos/Presidência da República

atualizado 06/02/2020 10:30

Imaginem o tremor de terra que estaria correndo o Brasil a esta altura se o presidente Jair Bolsonaro tivesse rasgado na frente de todo o mundo, em plena sessão plenária do Congresso Nacional, um discurso do líder da oposição na Câmara dos Deputados – ou coisa equivalente, já que este cargo não existe no Brasil.

No mínimo dos mínimos, haveria a exigência de impeachment imediatíssimo do presidente por “falta de decoro” e mais uma dúzia de crimes sem perdão. Mas a líder da oposição democrata no Congresso dos Estados Unidos, a deputada Nancy Pelosi, acaba de fazer exatamente isso com o tradicional discurso anual do presidente Donald Trump perante os parlamentares americanos.

Não há precedentes, em matéria de grosseria agressiva, debochada e intolerante contra um presidente dos Estados Unidos por parte de um membro do Congresso. Mas Nancy é do Partido Democrático, “anti-fascista” e da “Resistência” contra a direita representada por Trump. Não só ficou impune pelo que fez. Foi elogiada.

As coisas são assim, hoje: há uma moral diferente para os homens públicos (e privados), segundo as suas convicções políticas. O que vale para a esquerda não vale para a direita, e vice-versa. Trump não pode nem sonhar em rasgar um discurso de Nancy Pelosi em público, assim como Bolsonaro não pode fazer o equivalente por aqui. Mas o contrário não apenas pode – como é considerado um gesto de virtude. Nancy, cujo partido sabe que não tem a menor condição de ganhar as próximas eleições para a sucessão de Trump, tentou derrubá-lo com um “impeachment” ridículo – que só existiu na mídia. Perdeu. Agora, achou esse jeito de ir à forra.

* Este texto representa as opiniões e ideias do autor.

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