Tico Santta Cruz reforça, em Brasília, protestos contra marco temporal
Cantor do Detonautas foi convidado por Sônia Guajajara para integrar acampamento indígena contra ação no STF que beneficia ruralistas

O cantor Tico Santta Cruz, que adotou recentemente mais uma letra T no sobrenome por influência da kabbalah, embarcou nesta quinta-feira (2/9) do Rio de Janeiro com destino a Brasília.
O vocalista do Detonautas Roque Clube é conhecido pelos posicionamentos políticos e decidiu participar pessoalmente dos manifestos contra a pauta do marco temporal, que restringe o direito de ocupação de terras indígenas a quem puder comprovar que estava no território em 1988.
A ação está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) e deve ser retomada no dia de hoje, após confrontos entre manifestantes e a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
Cerca de 6 mil representantes de diferentes etnias dos povos originários chegaram a acampar nas proximidades do Teatro Nacional, na capital da República, para protestar contra o risco da redução das áreas destinadas aos indígenas.
Tico vai reforçar os manifestos a convite da coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Sônia Guajajara. Antes, o DJ Alok também usou a visibilidade para ajudar nas manifestações.
Julgamento
A expectativa é de que o julgamento siga no STF ou que seja transferido para a próxima semana, culminando com a Marcha das Mulheres Indígenas, marcada entre os dias 7 e 11 de setembro, também em Brasília.
O Congresso Nacional também analisa projeto de lei que beneficia os produtores rurais ao colocar em risco a demarcação das terras indígenas. Por isso, há a especulação de que o Supremo possa postergar o julgamento para deixar a responsabilidade nas mãos dos parlamentares.
Em junho passado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou o marco temporal no Projeto Lei nº 490/2007. A proposta aguarda decisão do plenário e depois seguirá para o Senado.
“Da nossa parte, essa história de o Supremo tirar a responsabilidade do julgamento do marco temporal e transferir para o Congresso é uma especulação. Nós, da Apib e de todo o movimento indígena, acreditamos na continuidade e no padrão de julgamento do STF”, declarou Sônia Guajajara.


