Hotel em que Bolsonaro se hospedou em Miami já recebeu Obama
Em suas viagens à cidade no sul da Flórida, ex-presidente norte-americano ficou no hotel. Suíte presidencial é reservada a autoridades
atualizado
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Enviado especial a Miami (EUA) – O hotel Hilton Miami Downtown, um dos endereços mais sofisticados da maior cidade no sul da Flórida, recebeu, por quatro dias, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O quarto, que ele dividiu com a esposa, Michelle, tem vista ampla para a cidade e para a baía de Miami.
O mesmo lugar já recebeu, em algumas ocasiões, uma outra Michelle, que tinha o mesmo cargo, de primeira-dama – porém de outro país. Trata-se de Michelle Obama, esposa do ex-presidente norte-americano Barack Obama, principal antagonista de Donald Trump, aliado de primeira hora de Bolsonaro. O casal foi um dos que frequentou o hotel no passado.
Ainda na presidência, mas em evento do partido democrata, Obama hospedou-se na suíte presidencial, por exemplo, no dia 28 de maio de 2015, conforme relatos da mídia local. Funcionários do hotel relataram que Bolsonaro ocupou o mesmo quarto. Procurada para confirmar a informação, a Presidência disse que o Itamraty era o responsável pelas viagens externas. Já o Itamaraty alegou que viagens internacionais do presidente tem informações sensíveis, e não confirmou.
O fato de haver diversas entradas e elevadores privativos que permitem o fluxo livre de autoridades e artistas são, segundo os mesmos funcionários da gerência, uma das questões mais solicitadas por autoridade que se hospedam no hotel.
O presidente Jair Bolsonaro (foto em destaque durante palestra no hotel), ao longo dos quatro dias que hospedou-se no hotel, desviou-se do grupo de repórteres de diversos veículos que acompanhavam a visita. Em apenas um momento, por exatos dois minutos, ele falou com a imprensa. A fala, porém, ocorreu em outro hotel, o Intercontinental de Miami.
A situação foi oposta, por exemplo, do que ocorreu na visita presidencial a Israel, em abril do ano passado, quando ele hospedou-se no hotel histórico King David. Como há apenas uma entrada no prédio, era recorrente o presidente cruzar com jornalistas ou apoiadores. A situação ocorreu algumas vezes ao longo da viagem. Em um momento, o Bolsonaro chegou a rezar com fiéis na entrada do hotel.
Viagem paga
Diferentemente do que ocorreu na última viagem de Bolsonaro, para a Índia, que era uma visita de Estado, nesta, as contas do hotel e da maior parte dos deslocamentos foram pagos pela Presidência, segundo informaram fontes do Itamaraty. Em visitas de estado, é praxe o país que recebe a comitiva arcar com os custos. A viagem a Miami, especificamente, não era oficial.
O valor dos quartos no Hilton Miami Downtown nesta época do ano variam de US$ 250 a US$ 400 – algo como R$ 1.160 a R$ 1.850 segundo a cotação do dólar desta sexta-feira (13/03). Esse momento do ano é conhecido como “spring break” nos Estados Unidos, que é a temporada de férias de primavera.
A suíte presidencial, entretanto, não é vendida separadamente, segundo informou um funcionário do hotel. Ele informou que o quarto é reservado para a recepção de hóspedes “de honra”, como presidentes, autoridades e artistas.
A Presidência foi procurada para detalhar o número de pessoas que ficaram hospedadas nesse hotel e os custos, mas orientou que a reportagem procurasse o Itamaraty. O Itamaraty foi procurado, mas disse que gastos nas viagens presidenciais são de caráter reservado.
