Lucas Baur, chef gaúcho que conquistou a França, morre aos 38 anos
Lucas Baur de Campos revolucionou a cena parisiense com seus grelhados no fogo aberto e o acolhimento marcante de seus restaurantes
atualizado
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A gastronomia perdeu um de seus nomes mais generosos. O chef de cozinha Lucas Baur de Campos morreu, nessa quarta-feira (27/5), aos 38 anos, em pleno vigor de sua carreira e às vésperas de celebrar o aniversário de união com sua companheira de vida e de profissão, Ninon Lecomte. Embora a causa do falecimento ainda aguarde confirmação, os indícios apontam para um infarto fulminante.
Lucas estava à frente do Bar Brutos e do Principal, dois endereços icônicos na capital francesa que se tornaram famosos pela precisão técnica, petiscos descomplicados, brasa forte e uma carta singular de bebidas artesanais sem aditivos químicos.
Entenda
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Morte repentina: o falecimento precoce interrompeu abruptamente uma trajetória de sucesso e diversos projetos que já estavam sendo desenhados pelo chef.
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Desbravador na Europa: muito antes do mercado atual se consolidar, Lucas assumiu sozinho a missão de valorizar os sabores do Brasil no exigente cenário gastronômico de Paris.
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Reduto de cozinheiros: seus estabelecimentos viraram o ponto de encontro predileto de grandes profissionais da área aos domingos e segundas-feiras.
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Conexão humana: o trabalho do profissional era pautado pelo afeto, conceito estampado até em camisetas de sua marca com a frase “Le Véritable Remède” (O verdadeiro remédio).
Homenagens ao chef
A partida do profissional chocou colegas de profissão que dividiam projetos recentes com ele. O premiado chef Alberto Landgraf relembrou a forte ligação que mantinha com o amigo desde 2017 e os planos interrompidos pela fatalidade.
“Estávamos preparando e ensaiando fazer um jantar juntos, a quatro mãos, para os próximos dias”, revelou Landgraf, emocionado.
O chef ainda reforçou que o amigo “já levantava a bandeira de divulgar as maravilhas da culinária brasileira em solos internacionais” com “um coração e generosidade do tamanho da qualidade de sua cozinha”.

A identidade culinária de Lucas era reverenciada pela crítica. Wendy Lin, do blog Paris Is My Kitchen, registrou em texto o impacto sensorial de sua cozinha rústica e refinada.
“Lucas grelha, tempera e assa tudo em fogo aberto, incluindo frango inteiro e suculento servido com batatas fritas de alho e maionese picante, a medula ossada grelhada escorrendo em purê de batatas é praticamente uma lenda, e lindos bifes de carne envelhecida como a côte de boeuf com chimichurri e farofa em pó, um acompanhamento tradicional brasileiro feito com farinha de mandioca torrada e farinha de mandioca para polvilhar”, descreveu a crítica.
Esse sucesso técnico andava lado a lado com o desejo de criar comunidade, conforme explicou a própria Ninon Lecomte ao blog Gift, em 2024: “Nosso foco principal era alcançar uma coisa: construir relacionamentos com os moradores locais e nos tornar um bar de bairro genuíno”.

O falecimento gerou uma comoção imediata e unânime entre comunicadores e profissionais das panelas, que inundaram as redes sociais com homenagens. O jornalista Zeca Camargo ressaltou a forte vocação hospitaleira de Lucas, destacando que ele “era conhecido por abrir as portas da gastronomia de Paris para quem chegava à cidade e estava prestes a virar amigo”.
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A dor da perda também ecoou profundamente entre parceiros de profissão de longa data que consideravam o ambiente criado por Lucas um porto seguro.
“O Lucas, do Brutos, era muito mais do que o chef de um dos nossos restaurantes preferidos em Paris. Era família escolhida pela vida. Nosso amigo de viagens, de mesas intermináveis, de trocas sem fim sobre comida, vinho, receitas, restaurantes e vida”, desabafaram os chefs Gabrielli Fleming e Lucas Dante, sintetizando o espírito agregador de um homem que fazia da mesa o seu melhor remédio.