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Há quem decida adotar uma alimentação sem leite por questões ideológicas e filosóficas. Porém, quase 35% dos brasileiros, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Datafolha, são intolerantes a essa proteína animal. Em números absolutos, significa que cerca de 53 milhões de pessoas no país relatam algum tipo de desconforto digestivo após o consumo de laticínios. Tamanho contingente de clientes fez a indústria gastronômica abrir os olhos para a adaptação de receitas. Por isso, em Brasília, há ótimas opções de doces e salgados sem lactose: de bolos a pizzas.

Estima-se que mais de 30 estabelecimentos especializados na área atendem ao público da capital que não pode consumir a proteína. De acordo com a chef Inaiá Sant’ana, do Quitutices, existem diversas opções na hora de substituir o leite: por exemplo, os derivados de vegetais, feitos com castanha-de-caju, castanha-do-pará e coco.

 Para adquirir o mesmo efeito de derivados de leite, utilizo outras técnicas com esses ingredientes vegetais, com intuito de atingir o sabor e a textura adequados. O gosto não muda. Tem gente que nem sente a diferença, mas é preciso uma adaptação do paladar"
chef Inaiá Sant'ana

Para a chef, o público tem crescido muito, até mesmo para aqueles que não têm restrições e fazem a dieta por opção. No entanto, a nutricionista Luciene Felix alerta: a alimentação restrita para quem não tem intolerância é um exagero: “Trata-se de um hábito desnecessário, pois a pessoa que não tem intolerância, não possui deficiência na produção da enzima lactase [que digere a lactose]”, explica.

Um exemplo das delícias que muitos intolerantes são privados é o queijo. Para contornar essa limitação, Luciene costuma indicar os produtos curados para alguns pacientes [aqueles que possuem deficiência moderada da lactase], como uma opção.

Esse tipo de laticínio possui a adição de bactérias láticas que consomem a proteína prejudicial aos intolerantes durante o tempo de maturação. O desenvolvimento do processo faz o açúcar do leite (lactose) ser transformado, pela ação das bactérias, em queijo. A delícia reduz os riscos, mas não os elimina.

 

Sabor menos ácido
Especializado em queijo e cerveja, o Teta Cheese Bar também pode ser frequentado pelos intolerantes à lactose. Isso porque, na vitrine de queijos, há opções curadas, ideais para pessoas com níveis medianos de problemas com leite.

De acordo com Marina Cavechia, queijeira e uma das sócias do estabelecimento, os produtos têm características próprias, marcados por um sabor menos ácido. “Alguns possuem uma textura mais amanteigada, muitas vezes, possuem mofos (do bem) na casca, outros são quebradiços… isso varia bastante”. Os preços oscilam entre R$ 12 e R$ 35 (100g).

103 Sul, Bloco B, Loja 34. Terça, das 11h às 19h; de quarta a sábado, das 11h à 1h30. Facebook e Instagram

 

Não precisa fugir do chocolate
Chocolate é uma paixão nacional (e mundial). No entanto, quem tem problemas com a lactose precisa se afastar dessa delícia. Ou melhor, precisava! É possível encontrar versões com alta gradação de cacau, sem leite e com muito sabor.

Um exemplo é a Viva Simple. A marca produz doces com amendoim e puro chocolate belga em duas versões que podem ser consumidas por todos: amargo e amargo sem açúcar. As delícias levam 70% de concentração de cacau e nenhum derivado de leite – além disso, são feitos sem sem glúten e ingredientes artificiais. Os preços partem de R$ 7 e podem ser encontrados em diversos pontos da cidade e on-line.

 

Bolo com cafezinho
A combinação da bebida quente e o tradicional prato faz parte da memória afetiva dos brasileiros. A confeitaria Lalé, uma das mais saborosas da cidade, não quis deixar os brasilienses intolerantes à lactose sem opções no cardápio.

A aposta da casa é um bolo que, além de não ser lácteo, ainda é low carb – alimentos caracterizados pela baixa quantidade de carboidratos. O preparo leva chocolate 70%, farinha de amêndoa, coco ralado e xilitol. O preço é R$ 150 (10 a 12 fatias).

411 Sul, Bloco B, Loja 16. Telefone: (61) 3248-7348. De segunda a sábado, das 9h às 20h

 

Vitamina também pode!
Saudável e nutritiva, a mistura de frutas, sementes e mel ganha um novo ingrediente: os leites vegetais e sem lactose. Tradicional ponto de alimentação natural na Asa Sul, o restaurante Girassol oferece opções acessíveis a todos os públicos: intolerantes, alérgicos e “normais”.

A casa utiliza água de coco, leite de amêndoas e versões sem lactose da proteína. Os sabores são variados: açaí com abacaxi; banana; mamão; maracujá; e cacau com banana. Os preços são R$ 16,40 (400ml) e R$ 17,90 (500ml).

Ainda há opções de shakes com proteína de arroz, nos sabores cacau com banana; frutas vermelhas com banana; e goji berry com mamão. Preços: R$ 20,70 (400ml) R$ 22,50 (500ml).

409 Sul, Bloco B, lojas 15 e 16. Telefone: (61) 3242-1542. De segunda a sexta, das 8h às 20h, e sábados, das 8h às 15h30. Facebook e Instagram

 

Queijo vegano
O cheesecake, doce muito popular nos Estados Unidos, leva um ingrediente essencial: o queijo. No entanto, se você tem problemas para digerir a proteína do leite, não precisa evitar essa delícia.

No Lavi, há um representante vegano da torta: em um único (e maravilhoso) sabor, de blueberry, a gostosura custa R$ 22 (fatia) ou R$ 220 (bolo inteiro).

A receita tem como base o queijo feito a partir do queijo de castanha-de-caju. A massa abandona o tradicional biscoito moído e abraça um crocante de figo. Para completar, geleia de mirtilo.

QI 13 do Lago Sul. Telefone: (61) 3248-5142. De segunda a sexta, das 8h às 20h, e sábado, das 9h às 18h

 

Biscoitos sem leite!
Na Quitutices, da chef Inaiá Sant’ana, todos os produtos são sem leite animal: mantendo a linha da confeiteira, que pretende mostrar como é possível consumir doces e outras delícias sem usar o ingrediente.

Um dos pratos mais pedidos são os cookies, produzidos nos seguinte sabores: crinkles de chocolate com quinoa (5 unidades, por R$ 10) e biscoito goiabinha (4 unidades a R$ 10). A opção de baunilha com pedacinhos de chocolate (5 unidades, R$ 10) é feita, exclusivamente, sob encomenda.

216 Sul, Bloco A, Loja 12. Telefone: (61) 3543-5057. De terça a sexta, das 10h às 18h30; sábado, das 9h30 às 16h

Lanna Silveira/ Especial para o Metrópoles

 

Sem lactose, mas com Cerrado
O restaurante Buriti Zen tem como principal característica o uso de ingredientes do Cerrado em seus produtos: castanhas, frutos, raízes e temperos típicos do bioma do Distrito Federal ganham destaque nos quitutes. Nessa riqueza de sabor, quem sai de cena é o leite.

No brownie (R$ 10) produzido na casa, os ingredientes são farinha de jatobá, castanha de baru, açúcar mascavo, óleo de coco, pó de pequi e cacau 100%.

407 Norte, Bloco D. Telefone: (61) 3327-6770. De segunda a sábado, das 12h às 15h

 

Sorvete que não dá ruim
A base para se fazer um sorvete é creme de leite, leite e açúcar. Em outras palavras, uma bomba relógio para quem tem intolerância à lactose. Porém, nem tudo está perdido: ainda dá para se refrescar nos dias de calor sem “dar ruim”.

Na sorveteria Il Giorno, há opções para o público com restrição alimentar: os sorbets – doce feito com fruta e água – e outros adaptados e sem lactose. Os de fruta são nos sabores morango, framboesa e maracujá.

A casa também oferece chocolate zero, gelato à base de água com puro cacau. Todos saem por R$ 12 (pequeno), R$ 16 (médio) e R$ 18 (grande).

113 Norte, Bloco A, lojas 1 e 5. Telefone: (61) 3203-4608. De terça-feira a domingo, das 12h30 às 20h

 

Pizza sem medo
Comida italiana mais tradicional de todas, a pizza pode ser feita sem queijo (ou pelo menos à base de uma versão sem lactose). A massa dos discos leva farinha de arroz, biomassa de banana e azeite – preservando os preceitos da culinária funcional.

Antes que os puristas acusem o duoO Restaurante de heresia, vale conferir os seguintes sabores: Cerrado (molho de tomate pelati e estrogonofe de filé), Caledoscópio (pesto de brocólis), Marguerita (molho de tomate, muçarela sem lactose e manjericão), Sena (filé na manteiga e shoyo) e Portuguesa. Valores a partir de R$ 57.

103 Sul, Bloco C, Loja 36. Telefone: (61) 3224-1515. Segunda a quinta, das 12h às 15h e das 19h às 23h. Sexta a domingo, das 12h às 16h e das 19h às 23h