Artigo: precisamos recuperar nossa conexão com os alimentos

Passando pelos congelados, ultraprocessados e até mesmo as bandejinhas de hortifruti, estamos cada vez mais distantes do que comemos

Hugo Barreto / MetropolesHugo Barreto / Metropoles

atualizado 10/11/2019 14:21

Atualmente, temos uma praticidade muito grande para encontrar alimentos prontos. Além dos tradicionais industrializados e congelados, temos também pratos completamente prontos, encontrados em mercados, feitos no dia para serem levados e consumidos. Há também marmitas em todos os lugares e apps de delivery que se propõe a entregar refeições a qualquer hora do dia ou da noite.

Em um primeiro momento, fomos perdendo o contato com as origens, graças à forma como eles são dispostos em mercados e gôndolas, sempre em bandejas, já porcionados e, cada vez mais, distantes de como são originalmente encontrados na natureza. Sejam produtos como carnes (os cortes tornam impossível a percepção de que um dia aquilo foi um animal) ou até mesmo hortaliças e vegetais. Folhas de cenoura são removidas, raízes mesmo que comestíveis não estão mais nos produtos, por exemplo.

Depois começaram a aparecer os ultraprocessados, congelados e enlatados, distanciando muito mais o consumidor do que come, sequer os ingredientes são vistos, apenas requentados, esquentados ou consumidos diretamente de sua embalagem – muitas vezes nem mesmo temos noção da composição, pois mesmo disposta na caixa, são uma variedade de produtos químicos.

Agora saímos inclusive da cozinha, com apps de delivery oferecendo praticamente qualquer tipo de refeição em todo momento. Inclusive, o mote deles nos leva a pensar que cozinhar é uma perda de tempo, que passar um período na cozinha transformando ingredientes em experiências é algo que atrapalha nossas rotinas – ao invés de agregar a elas.

O perigo da distância

Vejo com maus olhos essa tendência, que, espero, seja apenas mais um ciclo, como já aconteceu em outras épocas (nas décadas de 1990 e 2000, com o crescente aumento de deliverys e opções de congelados, diminui-se o interesse por cozinhar, hábito retomado em meados do século 21. Não se conectar com o que vem à mesa costuma nos deixar mais insensíveis a desperdícios e valorizar menos aquilo que comemos.

O ato de cozinhar e conhecer alimentos e ingredientes é algo que não deve sair de nossas vidas, mesmo com as dificuldades da rotina moderna. Estudos indicam que quem cozinha seus próprios alimentos tende a ser mais saudável e ter uma dieta mais balanceada.

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