1º +BIO Conecta discute valorização da biodiversidade na cozinha

Evento ocorrido na sede do IICA, no Lago Sul, reuniu produtores rurais, empreendedores diversos e chefs para debate sobre sustentabilidade

Pedro Cavalcante/IICA BrasilPedro Cavalcante/IICA Brasil

atualizado 05/12/2019 13:25

Produtores rurais, empresários da área da gastronomia, chefs de cozinha e especialistas em biodiversidade se reuniram nesta quarta-feira (04/12/2019) na sede do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), em Brasília, para a primeira edição do evento BIO+ Conecta, que se propõe a debater sustentabilidade e alimentação.

O evento contou não só com uma feira de produtos orgânicos, mas com palestras e debates sobre a importância de se utilizar insumos locais na cozinha. “Esse tipo de encontro é importante porque a gente fala dos nossos projetos e ideais, conhece quem tem os mesmos objetivos. Não podemos trabalhar egoisticamente, temos que unir esforços”, defendeu a produtora rural Ana Maria Romeiro.

Os cozinheiros estão colocando os sabores do cerrado em seus restaurantes, usam frutas que a clientela nem conhece. Isso gera curiosidade, a pessoa quer saber que gosto o araticum, por exemplo, tem. Mesmo que o chef não goste de algo, como o pequi, ele quer usar num prato, porque quer valorizar o que é daqui

Ana Maria Romeiro, produtora rural e feirante no Ceasa-DF

Em uma das falas de maior comoção no evento, o chef alagoano Timóteo Domingos contou que, quando era menino na caatinga nordestina, os pais precisavam optar entre usar a água para cozinhar ou para dar banho nas crianças. Hoje, o cozinheiro roda o país divulgando sua gastronomia, com o intuito de promover e valorizar os insumos da região.

“O mercado não vai naturalmente ao produto da biodiversidade, mas se eu fizer uma cerveja com pequi, por exemplo, vende. Precisamos desse tipo de conexão. Outra coisa: temos que nos unir à academia. Não adianta as universidades fazerem pesquisas impressionantes, catalogar espécies e seus valores nutricionais, se essa informação não chega democraticamente a quem produz. Às vezes, a pessoa tem o ingrediente em abundância e o desconhece”, defendeu Domingos.

No palco principal do evento, o público pôde aprender alguns preparos: o chocolatier da Rubato Chocolate Bar, Gustavo Maragna, se uniu ao professor de gastronomia Luiz Eduardo Camargo para produzir um sorvete de chocolate e mel. Dona Ana, por sua vez, dividiu o microfone com o chef Gil Guimarães em uma aula sobre os usos do cajuzinho do cerrado.

“É fundamental promover o diálogo entre quem produz, quem vende e quem empreende na área. Pela alimentação, a população conhece o que há de melhor num bioma. A gente espera, com esse tipo de evento, que o poder público, a iniciativa privada, a comunidade internacional, a academia e a sociedade conheçam melhor os insumos nativos”, comemorou o coordenador-executivo do evento, Heithel Silva.

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