Espírito Olímpico? Atletas extrapolam nas tretas em redes sociais

Entidades como o COB recomendam prudência e parcimônia a atletas na internet após polêmicas e xingamentos durante as Olimpíadas

atualizado 29/07/2021 20:11

Zhizhao Wu/Getty Images

As redes sociais encurtaram a distância entre ídolo com fãs e críticos, os populares haters. A ferramenta proporcionou um contato mais próximo também no esporte e as críticas de pessoas comuns a esportistas tornou-se mais acessível.

Uma parte desses atletas lida bem com este tipo de comportamento do público e não se envolve em polêmicas. Mas há quem parta para o confronto, esqueça do espírito olímpico e o barraco está armado.

 Parcimônia

Casos como o da troca de ofensas da goleira Bárbara, da Seleção Brasileira, com uma atleta paralímpica e a treta entre os atletas do skate acenderam o alerta em entidades como o COB, que pediu parcimônia aos esportistas no uso das redes sociais.

A entidade emitiu um comunicado solicitando que os atletas que estejam disputando as Olimpíadas de Tóquio foquem no objetivo principal: a conquista de medalhas e a competição.

“O Comitê Olímpico do Brasil acredita que o período dos Jogos Olímpicos seja um período de muita emoção e extrema sensibilidade. Os ânimos ficam exaltados e é fácil ser absorvido pelas redes sociais, um ambiente ainda mais intenso de opiniões e fértil para discussões.

Assim, o COB recomenda fortemente que durante seu período competitivo em Tóquio, atletas e oficiais concentrem-se prioritariamente em sua performance e no contato com seus amigos e familiares através de canais diretos, evitando distrações que podem tirá-los do foco principal.

Ressaltamos ainda que o COB orienta todos os integrantes da delegação brasileira a atentarem e seguirem as diretrizes para uso de redes sociais do Comitê Olímpico Internacional”, diz a nota.

Pressão e cobrança

O caso de Bárbara evidencia o quanto os atletas são expostos à cobrança e críticas, ainda mais em situações específicas como o da goleira, que falhou na partida do Brasil contra a Holanda e foi muito criticada nas redes sociais.

Bárbara chegou a ser ofendida de forma covarde por um narrador holandês. Criticada por Andrea Pontes, atleta paralímpica, a goleira se sentiu ofendida e não economizou nas ofensas, retribuindo a falta de, no mínimo, empatia e espírito esportivo de Pontes, que também é atleta.

Falta preparo

Fauzi Mansur é psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela UFRJ. Ele aponta que o medo pode atuar como supressor ou repressor em situações assim. Porém, não relaciona cobrança e pressão com as reações como a de Bárbara nas redes sociais. E que atletas de alto nível também devem ser preparados psicologicamente.

“Falta, além da técnica, tática e física, uma preparação psicológica para esses atletas. Há a falta de preparo para lidar com o olhar do outro. Porque eu só funciono bem quando eu sou elogiado, o que significa que o atleta fica na dependência de ser elogiado, na dependência de um ambiente externo saudável”, diz.

O professor também afirma que com a pandemia do novo coronavírus, a questão da saúde mental passou a ser mais discutida, o que também acontece no esporte e vem afetando atletas de alto nível.

Recentemente, a japonesa Naomi Osaka não disputou uma competição no tênis alegando o problema. Nas Olimpíadas, a norte-americana Simone Biles deixou de disputar a final individual pela mesma questão. “Prepara-se bem uma equipe ou uma pessoa em todos os aspectos, mas não se prepara o indivíduo para lidar com os percalços e problemas”, completa Fauzi, que é professor do Instituto Federal de Brasília (IFB).

Tretas expostas

As redes sociais também trouxeram uma espetacularização da vida pública. E no esporte, obviamente, não poderia ser diferente. O skate proporcionou a primeira medalha do Brasil nas Olimpíadas, na prata de Kevin Hoefler. Mas expôs também a briga interna vivida pelos integrantes da delegação brasileira em Tóquio.

A skatista Letícia Bufoni expôs que acabou não apoiando o medalhista olímpico da forma esperada pelo fato de Hoefler não integrar seu grupo de amigos.

Em horas o Brasil e o mundo passaram a acompanhar os desdobramentos da “novela” criada pelos skatistas.

Por sorte e também competência de uma jovem de apenas 13 anos, o episódio acabou não prejudicando a fadinha Rayssa Leal, que conquistou a prata no street. Mas Bufoni acabou eliminada ainda na eliminatória da competição.

 

 

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