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Definitivamente não há personagem nesta Copa do Mundo da Rússia mais controverso do que Neymar. Ninguém provoca tanta polêmica como o craque da Seleção Brasileira. A discussão da vez é se ele exagera e simula dores fortes após sofrer faltas. O atacante, inclusive, é, entre os 736 jogadores do Mundial, o que mais faltas sofreu até agora. Em quatro jogos, foi derrubado 23 vezes pelos adversários. O segundo da lista é o espanhol Isco, já eliminado, com 19 faltas recebidas,

O ponto inicial da nova polêmica envolvendo Neymar foi dado pelo técnico do México, o colombiano Juan Carlos Osorio, irritado com o comportamento do brasileiro na derrota do seu time por 2 x 0 na última segunda-feira (2/7). “Não é um exemplo para o futebol e para as crianças. Futebol deve ser um jogo viril, de homens, de contato, e não com palhaçadas”, reclamou.

Contra o México, Neymar levou um pisão no tornozelo direito de Miguel Layún, quando estava no chão, já fora do gramado. O jogador, então, começou a se contorcer de dor e a rolar no chão de um lado para o outro. Durante o atendimento do médico Rodrigo Lasmar, continuou exibindo uma expressão de dor extrema, com a mão esquerda sobre os olhos.

Mas, se o árbitro ignorou o lance e não deu cartão para o mexicano, ex-jogadores de várias partes do mundo não perdoaram a reação de Neymar, considerada desproporcional. “É muito irritante de assistir. A maneira com que ele tenta forçar cartões nos adversários. Parecia que ele estava morrendo. Pensei que ele seria colocado numa maca, então numa ambulância, e nunca mais o veríamos de novo”, disse o ex-goleiro dinamarquês Peter Schmeichel, convidado da emissora russa RT Sport para comentar o jogo entre Brasil e México.

O ex-atacante inglês Gary Lineker usou as redes sociais para ironizar o brasileiro. “Neymar tem a menor tolerância a dor entre os jogadores da Copa do Mundo desde o início dos levantamentos estatísticos”, escreveu no Twitter.

Outro ex-jogador inglês que não poupou críticas ao brasileiro foi Alan Shearer. “É absolutamente patético. Ninguém duvida das suas habilidades, é um jogador magnífico. Ainda assim, é realmente patético quando começa a rolar como se estivesse em agonia. Por que ele acha que precisa fazer isso?”, questionou.

Em seu programa, De la mano del Diez, o ex-jogador da seleção argentina Diego Maradona engrossou as críticas ao atacante: “O Neymar tem que se decidir: ou nos faz chorar ou nos faz rir. O pisão do mexicano era para chorar, mas ao vê-lo correr depois foi para rir. Que história é essa? Ou é amarelo para o mexicano ou amarelo pela simulação do Neymar”.

A polêmica aumentou nessa terça (3), quando viralizou nas redes sociais um vídeo de Tite de 2012. À época no Corinthians, o técnico da Seleção condenou a postura do atacante, então no Santos, e afirmou que simulação era um mau exemplo para o filho. “O Emerson deu um carrinho imprudente e foi expulso. O Neymar caiu e rolou e, quando o Emerson foi expulso, ele levantou e estava bom. Perder ou ganhar é do jogo, mas simular uma situação para levar vantagem não é. É mau exemplo para o garoto que está crescendo, para o meu filho”, disse o treinador.

Vale lembrar que na última segunda (2), quando questionado a respeito das críticas de Juan Carlos Osorio, o atacante foi blindado por Tite, que não deixou o jogador responder a pergunta. “Todos que estão me assistindo tirem sua conclusão, o vídeo está aí. Imagem não questionamos. Neymar joga bola. Não pisa nem pisaram nele. Eu estava do lado e vi de novo pela televisão. Não precisa falar, é só olhar”.

Enquanto é bombardeado no exterior, Neymar foi defendido por parte da torcida brasileira. Contas nas redes sociais do mexicano Miguel Layún foram invadidas por torcedores, com mensagens de ofensa e até ameaças ao jogador e familiares.

Neymar também gera divergências entre ex-jogadores no Brasil. “Ele não está exagerando nada, ele apanha muito mesmo. Os caras já vão para bater e, como ele não é um cara que toca a bola de primeira, vai ser sempre agredido”, disse Jairzinho, campeão mundial em 1970. “Acho que ele exagera e, às vezes, é um péssimo ator. Rola, rola, rola e daqui a pouquinho está bom”, falou Leivinha, que disputou a Copa do Mundo de 1974.