Crítica: o espectador realmente está no controle de Bandersnatch?

Experiência interativa é a primeira feita pela Netflix tendo o público adulto como alvo. São mais de um trilhão de variações na história

atualizado

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O primeiro filme interativo para adultos na Netflix, Bandersnatch – episódio especial da série Black Mirror –, estima mais de um trilhão de variações na história, mas isso não significa que sejam caminhos ou linhas narrativas completamente diferentes. O resultado são muitas horas filmadas, mas a experiência corrida tem cerca de 90 minutos.

Oficialmente, há cinco finais possíveis, mas com alterações em cada um. “Há um debate porque não conseguimos concordar com o que constitui um fim”, analisou o criador da série Charlie Brooker. Em sua cabeça, havia outras dúvidas. O ponto evidenciado pelo autor é muito nítido. É incrivelmente difícil perceber os cortes do início de uma decisão para a outra.

De tempos em tempos, a série faz um flashback de todas as suas decisões e coloca lembranças das mais antigas como easter eggs. Por exemplo, se você decide comer algo de uma marca X, outdoors com publicidade daquele alimento específico podem ser notados quando o personagem principal, Stefan (Fionn Whitehead, de Dunkirk), anda na rua.

A confusão de onde começam terminam as cenas, histórias e decisões não é um elemento ruim. Parece uma forma de manter o espectador focado, já que o filme mostra apenas o cotidiano de um jovem com problemas. A tensão entre Stefan e o pai, Peter (Craig Parkinson), não foge do apresentado em outras produções com jovens problemáticos, como por exemplo Donnie Darko (2001). O episódio especial consegue oscilar na linha tênue entre o mais do mesmo e a inovação.

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Dependendo da escolha, a reação do personagem muda
Black Mirror
Pela pressão de terminar o jogo logo, Stefan acaba passando noites em claro
Ele pode (ou não) conversar com a psicologa sobre os o que  está passando na série
A Netflix ainda brincou com algumas decisões
Stefan é um jovem amante de games que decide escrever o próprio código
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Stefan é um jovem amante de games que decide escrever o próprio código

Netflix /Black Mirror
Dependendo da escolha, a reação do personagem muda
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Dependendo da escolha, a reação do personagem muda

Netflix /Black Mirror
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Black Mirror

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Pela pressão de terminar o jogo logo, Stefan acaba passando noites em claro
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Pela pressão de terminar o jogo logo, Stefan acaba passando noites em claro

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Ele pode (ou não) conversar com a psicologa sobre os o que  está passando na série
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Ele pode (ou não) conversar com a psicologa sobre os o que está passando na série

Netflix /Black Mirror
A Netflix ainda brincou com algumas decisões
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A Netflix ainda brincou com algumas decisões

Netflix /Black Mirror

A imersão foi muito bem feita, mas peca em alguns detalhes. Seria interessante os personagens olharem diretamente para a câmera nos momentos em que a quarta parede é quebrada, por exemplo. Ou até mesmo fazer os momentos de decisão em primeira pessoa. Tratando-se de uma trama que gira em torno de games, a função em primeiro plano conseguiria prender muito melhor os espectadores amantes do formato.

O criador ainda instigou o público colocando em xeque o “controle exercido”, pois, em alguns momentos, as escolhas resultam em becos sem saída, ou seja, o sistema avisa que você tomou o caminho errado. Isso deixa dúvidas sobre o real controle que o espectador tem sobre a história. De fato, os questionamentos resultantes da produção são “bem Black Mirror”, expressão usada por amantes da série quando querem descrever eventos, na visão de alguns, como estranhos.

Avaliação: Bom

 

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