Apresentador do SBT é acusado de racismo após declaração ao vivo

O repórter que conversava com o apresentador deixou o cargo depois do episódio

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atualizado 10/07/2019 15:58

O apresentador Stanley Gusman está sendo acusado de racismo após uma infeliz “piada” feita ao vivo durante o Alterosa Alerta dessa terça-feira (09/07/2019).  Durante o programa, exibido na TV Alterosa, afiliada do SBT em Minas Gerais, Gusman criticava números oficiais do Ibope e decidiu atacar o presidente do instituto de pesquisas, Carlos Augusto Montenegro.

“Eu sei de muitas coisas. Uma delas é o nome do dono do Ibope. O nome do cara é Montenegro, se ele fosse do bem, ele ia chamar Montebranco!”, afirmou. A declaração foi tão de mau gosto que chocou até mesmo o repórter e deputado estadual Rafael Martins, que falava com Stanley.  Ao se dar conta do que havia dito, ele ainda tentou colocar tudo em panos quentes. “Não é de cor não, gente. É escuro, escuridão. Céu branco, inferno negro. Ih…vocês também são muito, né?!”. Porém, a repercussão foi imediata.

Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) afirmou que “considera grave e inaceitável a ofensa de conotação racial veiculada em programa da TV Alterosa”. Além disso, o texto afirma que “não bastasse o jornalismo brasileiro contar com uma porcentagem ínfima de negros e negras como repórteres, editores, diretores, produtores, a população negra, maioria numérica do Brasil, é frequentemente pautada como notícia apenas a partir do sensacionalismo policialesco e punitivo dos programas policiais, dos olhares estereotipados ou ofensivos, de injúrias veladas ou escancaradas como a deste episódio”.

Pedido de afastamento

O repórter Rafael Martins emitiu uma nota de posicionamento na qual afirma nunca ter se sentido tão “constrangido e desconfortável como na edição desta terça-feira, 09, do Alterosa TV”.
“Afirmações racistas, ainda que em tom jocoso, devem ser repudiadas com veemência por todos aqueles que defendem uma sociedade inclusiva, na qual os direitos alcancem indistintamente os cidadãos”, escreveu.

O caso fez com Rafael deixasse o programa, no qual atuava como repórter há quase quatro anos. “Essa decisão irrevogável é uma clara manifestação de solidariedade a todos os que se sentiram ofendidos pela declaração”, conclui.

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