Teatro Dulcina será revitalizado por neto de Oscar Niemeyer

Paulo Niemeyer trabalhará junto da Fundação Brasileira de Teatro em projeto de reforma do local

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 09/11/2019 11:16

Um dos principais celeiros da cultura brasiliense, o Teatro Dulcina de Moraes, localizado no Conic, enfrenta dificuldades. O local, que igualmente abriga uma das faculdades de artes mais tradicionais da capital, passou por um processo de deterioração. Agora, o centro cultural ganhará um projeto de reforma, comandado por Paulo Niemeyer.

O arquiteto é neto de Oscar Niemeyer, responsável pelo projeto original do teatro, inaugurado em 21 de abril de 1980 – no aniversário de 20 anos de Brasília. Pelo palco da sala de espetáculos, passaram nomes muito importantes da cultura nacional e local.

Com o passar dos anos, no entanto, o local enfrentou os problemas do tempo: além de encarar as reformas ocorridas no espaço. Há cerca de um ano, placas de gesso caíram motivadas, de acordo com os responsáveis pela instituição, por uma obra na laje da praça central do Conic.

Brasília 60 anos

Motivado pelo aniversário de 60 anos de Brasília, que ocorrerá em 2020, e pela a ideia de recuperar o legado do projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, Paulo veio à cidade para dar início à revitalização do espaço. Durante a passagem, o arquiteto recebeu o Metrópoles e falou sobre a nova empreitada.

“Queremos revitalizar o Teatro Dulcina de Moraes e recuperar a arquitetura do projeto para ele voltar ter a força de um espaço cultural”, disse Paulo Niemeyer. O processo ainda está em fase inicial, com reuniões e visitas ao complexo.

“[Inicialmente] não identificamos nada grave em termos de estrutura. Percebi uma descaracterização da arquitetura. Então temos de trabalhar dentro do possível, sem perder de vista a funcionalidade do local, que é servir como um teatro”, explica. “Vamos recuperar a monumentalidade do prédio”, conclui.

Nessa sexta-feira (08/11/2019), Paulo Niemeyer esteve em reunião com representantes da Fundação Brasileira de Teatro (FBT), responsável pela faculdade e pelo teatro Dulcina de Moraes. A ideia é que a reforma fique pronta até o aniversário de 60 anos da capital, em 21 de abril de 2020. O arquiteto veio à cidade a convite da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SECEC) e do Governo do Distrito Federal (GDF).

Liana Farias, secretária-executiva da FBT, ressaltou a importância do apoio do Instituto Niemeyer, por meio de Paulo. “Para nós, que estamos em reestruturação, é muito importante se associar à instituições de credibilidade”, ressaltou a gestora.

Ela confirma que a recuperação do centro cultural é importante para a manutenção econômica do espaço. “O teatro é uma grande fonte de renda. Com ele em condições de uso, vamos entrar de vez no circuito cultural da cidade”, avalia Liana Farias.

Museu da Bíblia

O Governo do Distrito Federal (GDF) pretende construir o Museu da Bíblia no Eixo Monumental, local escolhido desde 1991 por Oscar Niemeyer. O memorial será erguido com emendas da Frente Parlamentar Evangélica da Câmara dos Deputados. Cada parlamentar deve destinar, aproximadamente, R$ 500 mil por ano ao longo do projeto. O Palácio do Buriti estima que o edifício custará até R$ 60 milhões e ficará pronto em 2022.

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Paulo Niemeyer explica o projeto do Museu da Bíblia

O projeto, no entanto, gerou críticas de associações de arquitetos. Ao Metrópoles, Paulo Niemeyer defendeu que seu avô, falecido em 2012, chegou a dar entrada nos trâmites da construção do memorial. A lei de número 286/1991 destina o lote de 15 mil m² no Eixo Monumental ao museu. “A ideia é colocar monumentos no Eixo, não deixar só na parte de baixo”, pondera o especialista.

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