Governo Bolsonaro prevê corte de 43% de fundo setorial do audiovisual

Esta será a menor dotação nominal desde 2012, quando o fundo recebeu R$ 112,36 milhões

JP Rodrigues / MetrópolesJP Rodrigues / Metrópoles

atualizado 11/09/2019 20:37

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) apresentou um projeto de lei ao Poder Executivo que prevê, em 2020, corte de quase 43% do orçamento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), da Agência Nacional do Cinema (Ancine) – principal fonte de fomento de produções cinematográficas do país.

De acordo com a Folha de São Paulo, esta será a menor dotação nominal desde 2012, quando o fundo recebeu R$ 112,36 milhões. Os investimentos retornáveis ao setor, por meio de participação em empresas e projetos, sofrerão com a maior redução. É por meio dessa iniciativa que a Ancine investe dinheiro em produções em busca de retornos financeiros. No próximo ano, o orçamento passará de R$ 650 milhões para R$ 300 milhões.

Em 2020, também haverá redução no apoio a projetos audiovisuais específicos. Os recursos caem de R$ 3,5 milhões, em 2019, para R$ 2,5 milhões no ano que vem. Apesar de o valor global ter caído, alguns recursos para o financiamento ao setor audiovisual quase dobraram. É o caso do empréstimo para produtoras e empresários. Os valores passaram de R$ 50 milhões para R$ 97,3 milhões.

Descontentamento

O descontentamento de Bolsonaro com a Ancine ficou evidente em julho. O presidente chegou a dizer que iria acabar com a agência de fomento ao cinema. Em seguida, ele recuou e afirmou que colocaria um filtro nas políticas de apoio. Na época, condenou o apoio público a produções como o filme Bruna Surfistinha.

Em recente live pelo Facebook, Bolsonaro criticou a agência e os projetos criados por ela. “Se a Ancine não tivesse a cabeça toda com mandato, já tinha degolado todo mundo”, disparou Bolsonaro. A mais recente polêmica do presidente com o meio cinematográfico ocorreu por conta de um edital.

A convocação previa o financiamento de filmes com temática LGBT. O presidente cancelou o edital e usou o documento como exemplo de suas contrariedades em relação à política da Ancine.

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