Câmara de Salvador proíbe o arrastão da Quarta de Cinzas

Festividade foi criada por Carlinhos Brown e fecha o calendário de festas de rua na capital baiana: sanção depende do prefeito

Ng Adenilson/LatinContent via Getty ImagesNg Adenilson/LatinContent via Getty Images

atualizado 12/09/2019 20:48

Por motivos religiosos, a Câmara Municipal de Salvador proibiu, nesta quarta-feira (11/09/2019), qualquer festividade carnavalesca na Quarta-feira de Cinzas. O projeto de lei ainda depende da sanção do prefeito da cidade, ACM Neto (DEM-BA), para virar lei.

O texto estipula que a partir das 5h da quarta-feira após o Carnaval, estão proibidas festas e blocos de rua. A proposta é de autoria do vereador Henrique Carballal (PV-BA), que justificou a iniciativa com motivações religiosas: segundo ele, a Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma e não pode ser um dia de festas pagãs.

O período de 40 dias que antecede a Páscoa é marcado, entre os católicos, por resguardo e oração. À Folha de São Paulo, Carballal, que é ligado à Igreja Católica, afirmou que o Carnaval “é uma festa ligada ao calendário eclesiástico. Esticá-lo para a Quarta-feira de cinzas é, na verdade, fazer uma negação do que é o Carnaval”. Ele ainda argumentou que apesar da laicidade do Estado, é preciso reconhecer uma maioria cristã na população. “Gosto de Carnaval, mas o que vinha acontecendo era um exagero”, pontuou.

Em Salvador, a data é marcada, há 24 anos, pelo arrastão da Quarta de Cinzas. O evento foi criado por Carlinhos Brown e consiste em um desfile mais curto e veloz, no caminho contrário do tradicional carnavalesco: vai da Barra até Ondina e carrega foliões que não querem o fim do feriado, além de ambulantes que ajudam a movimentar a economia da cidade no período.

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