Silva sobre novo disco, Cinco: “Salvou minha cabeça na pandemia”
Em entrevista ao Metrópoles. o cantor capixaba fala sobre o processo de criação do 10º disco de sua carreira
atualizado
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Silva tem uma particularidade incrível: representa em um cantor boa parte da pluralidade da música popular brasileira. Transita do axé carnavalesco ao flerte da bossa nova, com doses de pop. Canta Marisa Monte, grava com João Donato e faz duetos ao lado de Anitta. Toda essa versatilidade volta em Cinco, o quinto disco de inéditas do artista e o 10º da carreira.
No novo trabalho, Silva mostra que gosta de música e de brincar com todas as formas que ela oferece. Gravado e mixado de forma 100% analógica, o cantora entrega um som que, na falta de uma categoria nova, poderia se chamar bossa pop. Ou, para ele, de clássico.
“Eu sempre quis fazer desta forma, mas nunca pude. São brincadeiras mais financeiramente inviáveis. Tinha esse som na cabeça, desde que eu comecei a ser artista. Gosto muito deste tipo de música porque acredito que elas envelhecem bem, sabe? Vai mais perto do clássico”, conta Silva, em entrevista ao Metrópoles.
Silva, ele mesmo, define sua música por meio da variedade. Para Cinco, o cantor e compositor misturou de tudo um pouco, as músicas e estilos que ouviu ao longo da vida. Mas não só: resolveu se arriscar em gêneros ainda não explorados.
“Acho que com esse disco eu cheguei mais próximo do som que sempre ouvi. Sempre ouvi e gostei muito de reggae, por exemplo, mas ainda não tinha experimentado fazer. Esse caminho da diversidade é um caminho sem volta na minha vida”, comenta.
Pandemia
De 2014 até agora, o artista capixaba lançou nove discos, com uma impressionante média de quase dois álbuns por ano. Uma produção intensa.
“A música é onde eu encontro sentido para as coisas e para este mundo. É a minha razão de viver. Então, é minha válvula de escape também. Poder fazer música, ter este disco para trabalhar, foi algo que salvou minha cabeça nessa pandemia”, garante o músico.
Aparentemente, não só Silva foi resgatado por ele mesmo. A se tirar pelas reações das redes sociais, a voz suave do cantor, registradas em Cinco, funcionaram para alegar boa parte da população brasileira, que ainda segue à espera de uma solução para a pandemia de Covid-19, quarentena e isolamento social.
“Eu adoro ouvir isso. Todos nós temos o nosso tédio na vida. A gente tenta fazer ela ficar mais legal, tenta mostrar o melhor lado dela, mas ela é difícil. Quando vou fazer música, eu não quero preencher a pessoa com meu próprio tédio, dar mais esta angústia para ela. Busco, com as minhas ideias, esse lugar longe daqui. Eu amo ouvir que a minha música levou leveza para alguém, mas eu também faço isso para mim. Preciso disso. A música que finaliza o disco, que é um samba, assim como todas as outras, é sobre isso: algo que queremos viver, dias melhores. Vibra sentimentos bons, coisas que gosto, momentos que queremos viver”, conclui Silva.
