Sant busca retomada na carreira e das raízes do hip-hop em 1° disco

Após hiato de dois anos carreira, o rapper carioca retorna oficialmente com o lançamento de Rap dos Novos Bandidos

atualizado 13/10/2021 19:06

Divulgação

Considerado um dos principais nomes da nova geração do rap nacional, Sant surpreendeu os fãs de hip-hop ao anunciar, em 2019, a precoce aposentadoria da música aos 24 anos. Hoje, dois anos depois, o rapper carioca está de volta e lança, nesta quinta-feira (14/10), o primeiro disco de sua carreira: Rap dos Novos Bandidos. Com produção de LP Beatzz o disco conta com participações de Costa Gold, MC Cidinho, Dj Erik Skratch, SD9, VND e Thiago Mac

“É minha retomada pessoal e profissional. Ele vem com essa ideia de ser um álbum, que era o que todo mundo pedia, mas também de trazer de volta essa ideia do nosso estilo de vida, que era inspiração para o funk proibidão dos anos 1990 e 2000. Ele conta histórias que a gente vive, que a gente vê, que a gente já conta entre a gente, mas que dificilmente registramos“, contou o rapper em entrevista ao Metrópoles.

Rap dos Novos Bandidos atende a um pedido antigo dos fãs para o rapper produzir álbum, algo que se tornou, inclusive, um meme nas redes sociais e que ganhou força com o retorno de Sant no início deste ano. “Rap dos Novos Bandidos vem com essa ideia que é um disco. Muita gente falava isso: ‘cadê o disco do Sant? Ele lança EP, lança single, lança participação e não tem um álbum’…Eu entendo isso e realmente eu não tinha um álbum e eu quis trazer”, explica.

“Mas não é só isso, porque eu tive que me adaptar aos conceitos do mercado atual pra fazer uma coisa que fosse minha, tivesse minha cara, mas também que fosse maneiro para todo mundo, para galera que quiser ouvir e entender como um disco e para quem que gostar de certas músicas, ouvir como um single”, completa Sant.

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Além da inspiração no cultura hip-hop dos anos 1990, o rapper também teve como referências as texturas de som que atualmente são base dos maiores sucessos, como o trap, grime e drill. Segundo o rapper, que ficou conhecido pelas rimas poéticas e românticas de sons como Capricorniana, rimar sob os beats dessas vertentes foi um dos grandes desafios na construção do álbum.

“Eu sempre fui esse cara, esse velho rabugento, meio quadradão, mas eu me esforço muito pra não ser, eu quero consumir as coisas novas, quero estar aberto a mudanças a adaptações […] Não quis perder meu discurso, mas quis testar essas novas texturas, de drill e grime. O drill, inclusive, foi a textura de som que eu mais flui, que mais gostei de fazer. Acho que resultado foi bom, consegui trazer eu explorando esse lugar sem parecer forçado, continuo sendo eu, mas nessa onda nova”, ressalta Sant.

Além da retomada, a ideia é se apresentar de fato para quem o conheceu nos vários feats de sucesso que participou, como Dizeres (195 mi de views), Olhares (83 mi), Máscaras (64 mi), Favela Vive (42 mi): “As pessoas me conheceram por versos de 40 segundos e eu precisava mostrar o meu trabalho de fato para elas. Busquei primeiro trabalhar o conceito dentro desses novos formatos. Então é um disco de 15 faixas, mas que tem 30 min de duração”. 

Reencontro consigo

De volta após dois anos de hiato na carreira, Sant afirma que está mais maduro e focado. “Sendo autocrítico na minha carreira, tiveram uns anos entre 2016 e 2019, que eu estava num piloto automático, eu fazia o que eu amo, mas não parecia que eu tava aproveitando o momento […] Precisa me sentir faminto e focado de novo. Foi legal viver esse momento de buscar meu caminho de novo, de curtir o que eu estou fazendo“, conta o rapper.

No entanto, reconhecer que era necessário dar alguns passos atrás não foi fácil. “Eu precisava reconhecer isso, passar pelo meu tempo e, agora, o disco é mostrar para mim e para os outros que eu estou nesse novo momento, que eu tô mais focado e quero conseguir sacramentar essa ideia de que o Sant voltou e agora de uma nova maneira”, comemora.

Apesar de estar longe dos holofotes, Sant não deixou o rap de fato durante esse período. O cantor produziu projetos de rappers que são amigos de bairro e esteve em algumas participações recentes de alguns projetos da cena, como a recém-lançada Luna, feat. com Major RD, e pouco antes em OPRES, da Dip Muzic. A volta aconteceu em abril, com o single Ensaio Sobre a Lucidez.

“Todo esse tempo eu não deixei de fazer música, não deixei de amar a música. Eu gosto muito de escrever e de rap, mesmo antes quando era só consumidor. Demorou um pouco pra eu me sentir seguro, pra abraçar qualquer projeto. Eu levei meu tempo, que foi mais ou menos esses dois anos, para pegar esse disco para assumir como minha retomada e ele veio não necessariamente na escolha das músicas, mas meio na ordem que as coisas foram acontecendo na minha vida”, finaliza o rapper.

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