Criado na pandemia, selo Dip Muzic é o novo expoente do rap nacional
Fundado através da parceria entre o brasiliense Rogério Reis e o paulista Rizzi, selo já gravou com nomes como PrimeiraMente e Sant
atualizado
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Separados por cerca de 1 mil quilômetros, dois amigos se uniram por um sonho em comum: a música. Criada durante a pandemia de Covid-19 pelo empresário brasiliense Rogério Reis e o produtor musical paulista Giovanne Rizzi, a Dip Muzic é o mais novo expoente do rap nacional.
Com uma fórmula que une artistas de várias regiões do país e os beats de Rizzi, sejam eles de boombap, trap ou drill, a Dip desponta como uma possível nova casa para os rappers brasileiros. Só nos últimos meses, o selo já trabalhou com nomes como a mineira Clara Lima, os integrantes do grupo PrimeiraMente, Lucas Gali e NP Vocal, o rapper Sant e mais recentemente o pernambucano Diomedes Chinaski.
Lançado oficialmente em dezembro de 2020, a Dip deu seus primeiros passos um ano antes, quando Koe Reis e Rizzi Get Busy – nomes artísticos de Rogério e Geovanne – cursavam a faculdade de produção fonográfica na capital paulista, e, após uma conversa no intervalo entre as aulas, acabaram se tornando grandes amigos.
“Eu estava terminando uma dependência na faculdade quando conheci o Rogério e ele me pediu para colocar um beat meu em uma caixinha de som portátil. Mas antes mesmo de começar a ouvir ele já me perguntou se eu tinha um boombap (risos). Ali já viramos amigos”, conta Rizzi.
Por conta de uma ambição em comum, a conversa de intervalo logo virou coisa séria. “O Rogério já era empresário de alguns artistas e falei para ele que meu sonho era ter uma produtora, não só investir em alguém, mas trabalhar em todos os processos do som e pegar esses artistas e fazer ‘virar’. E ele abraçou a ideia na hora, porque também era o sonho dele”, completa.
As “ideias bateram” e a parceria se iniciou de fato. Após um período atuando em um renomado estúdio de São Paulo, Rogério e Rizzi decidiram se arriscar na construção do selo próprio, completamente do zero. Porém, além das dificuldades geradas pelo início da caminhada, era preciso também enfrentar os desafios de começar um projeto em meio à pandemia.
“Foi uma loucura porque a gente abriu o estúdio na pandemia. A gente não tinha muito suporte financeiro, fizemos algumas dívidas que duram até hoje. Mas o que ajudou a gente a continuar foram as parcerias, os amigos, sem eles não estaríamos aqui hoje”, ressalta Rizzi Get Busy, que aderiu ao nome por conta de um apelido na faculdade em relação à vida atarefada (busy = ocupado).
Foi através da ajuda desses amigos, que emprestaram itens como microfone, mesa de som, entre outras coisas, e com os pais que auxiliaram na compra de alguns equipamentos, que a Dip gravou seu primeiro som, na sala do apartamento onde Rogério mora na capital paulista. A faixa Nascer, que reúne Clara Lima, Lucas Gali e NP Vocal, foi lançada em dezembro do ano passado e teve clipe gravado por Jorge Dayeh.
“O lançamento de Nascer nos deu a confiança para saber que a gente consegue e com tão pouco, porque querendo ou não, fizemos o som com um recurso extremamente escasso, mas que o resultado nos deixou muito felizes”, conta Rogério.
Após o single, a Dip já disponibilizou outras cinco faixas: Falcão, em janeiro, novamente com Clara Lima, e Ponta da Leste, com NP Vocal, em fevereiro. Já em março, foi liberada Flow dos Outros, de Lucas Gali, e nos últimos dois meses, OPRES, com Sant, Gali e NP, e Elegante Freestyle, um drill com Diomedes Chinaski, dois singles que tiveram videoclipe gravado em Brasília, algo que será uma tendência do selo, que busca trazer grandes artistas para a cidade a fim de incentivar a cena local.
Imersão
Do conceito que envolve a criação do estúdio ao nome do selo, a Dip (mergulhar, em tradução livre) busca realizar uma produção imersiva em suas músicas. A ideia é inserir os artistas, sejam eles de renome ou em ascensão, em todos os processos que envolvem o lançamento, desde a parte executiva até a produção musical.
“A produção imersiva acontece em duas partes: a musical e a executiva. Buscamos fazer o artista se descobrir dentro do estúdio e ajudar de alguma forma ele a fazer isso. O próprio estúdio foi pensado para ajudar nesse processo”, explica o produtor musical.
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“O nosso sonho, desde o começo, é realmente criar um legado. Poder fazer uma diferença contínua no mercado. Até por isso a gente busca desde sempre se estruturar em todas as partes, sempre priorizando a seriedade do trabalho, buscando entender antes o valor real do projeto do que o dinheiro”, afirma Rogério.
Uma meta é futuramente abrir o espaço para nomes que estão começando suas trajetórias no rap. “Temos muita vontade, mas antes disso a gente precisa ter uma base muito sólida, para conseguir fazer alguém virar de fato. A gente busca fortalecer nosso catálogo para que o público conheça nosso trabalho e isso ajude quando produzirmos alguém que esteja começando”, finalizou Rizzi.
Plasma
Além da faixa Elegante Freestyle, em parceria com Diomedes Chinaski, lançada nessa sexta-feira (28/5), a Dip se prepara para o colocar no mercado o primeiro álbum de Rizzi Get Busy. Batizado de Plasma, o projeto vai reunir grandes nomes do rap nacional em nove faixas. A estreia está prevista para julho deste ano.
Veja o clipe de OPRES, gravado em Brasília:










