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Literatura

Livro revela lado cronista de Lima Barreto

Em “Lima Barreto e o Rio de Janeiro em Fragmentos”, Beatriz Resende também mostra as peculiaridades da cidade no início do século 20

Maíra de Deus Brito24/04/2016 05:29, atualizado 22/04/2016 14:29
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Reprodução/Tv Escola
Livro revela lado cronista de Lima Barreto

Conhecido por “Recordações do Escrivão Isaías Caminha” e “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, entre outros romances, Lima Barreto também foi um exímio cronista. Essa faceta, pouco conhecida pelo público, ganhou destaque no recém-lançado “Lima Barreto e o Rio de Janeiro em Fragmentos”, livro da professora e pesquisadora Beatriz Resende.

FestiPoa/Reprodução Beatriz (foto ao lado) conta que duas razões a motivaram investigar o cronista Lima Barreto. “Sempre gostei muito de crônicas e o estudo sobre o autor é uma obsessão de vida inteira. Trabalhei a obra dele no meu doutorado”, diz a autora dos livros “Contemporâneos: expressões da literatura brasileira no século XXI” e “Toda Crônica – Lima Barreto”.

Após pesquisas na Biblioteca Nacional e no acervo de Francisco de Assis Barbosa (estudioso do legado do autor carioca), a professora fez uma análise da faceta mais pública da produção de Lima Barreto, as crônicas, e da mais privada, a literatura da intimidade, mais especificamente o “Diário do Hospício”.

“Fossem públicas ou íntimas, as crônicas não tinham muita diferença de estilo. A principal distinção, na verdade, aparece com o tempo. Elas se modernizam e tornam-se menores. Outro detalhe importante é se elas eram publicadas em jornais ou em revistas. No último caso, tinham uma escrita menos imediata e menos em cima dos fatos”, explica.

Cronista do Rio
Para a pesquisadora, “Lima Barreto e o Rio de Janeiro em Fragmentos” também é um estudo sobre a capital fluminense. “Ele foi um grande cronista do Rio ao mostrar uma cidade peculiar, que tinha acabado de se modernizar, e faz críticas críticas à elite que tentava separar o subúrbio do centro, que tentava se tornar sofisticado”, aponta.

Além disso, o escritor carioca teve em suas crônicas espaços para defender ideias e campanhas. No início do século 20, quando o governo brasileiro expulsou alguns estrangeiros do país, Lima Barreto escreveu sua opinião contrária à medida.

“Ele sempre falou sobre desigualdades e criticou a ideia de nação como algo excludente. Tinha simpatia aos estrangeiros e às trabalhadoras negras. Muitos o acusam de ser misógino, porém, na verdade, a implicação dele era com as mulheres ricas, da alta sociedade. Naquela época, ele já criticava a figura jurídica da legítima defesa da honra, utilizada para justificar violências contra as mulheres.”

Autêntica Editora/Reprodução
Autêntica Editora. Preço médio: R$ 31,90.

“Diário do Hospício”
O último capítulo do livro nasceu depois de uma visita de Beatriz à Biblioteca Nacional. Lá, a professora encontrou manuscritos feitos a lápis, em que Afonso Henriques de Lima Barreto (nome completo do escritor) relata suas experiências no Hospital Nacional de Alienados, na Praia Vermelha (Urca, RJ).

“‘O Diário do Hospício entrou no livro como uma crônica da loucura, apesar das internações dele terem sido motivadas pelo alcoolismo. A primeira aconteceu em 1917 e a segunda, em 1919, e foi um pouco mais longa. Ele morreu em 1922, aos 41 anos, deixando uma obra vasta. Em breve, pretendo me dedicar às resenhas de livros e publicações dele”, conclui.