Fafá de Belém une Brasil e Portugal ao lançar projeto de Nazaré em Lisboa
Encontro das Nazarés foi lançado nessa sexta-feira (4/9) em Lisboa. Fafá de Belém quer aproximar os países em torno da devoção pela Santa

Idealizadora da Varanda de Nazaré, a cantora Fafá de Belém deu um novo passo no projeto ao lançar, nessa sexta-feira (4/9) o Encontro das Nazarés em Lisboa. Com a iniciativa, a artista quer aproximar Portugal e Brasil em torno da devoção a Nossa Senhora de Nazaré.
Um dos grandes momentos do projeto está marcado para acontecer nesta terça-feira (8/9), quando a cantora vai participar das Festas em Honra de Nossa Senhora de Nazaré ao lado de nomes portugueses como Jorge Fernando, Fábia Rebordão e Fernando Pereira.
O Encontro nasce da constatação de que a mesma fé une devotos nos dois lados do Atlântico: em Portugal, ligada há séculos ao Santuário e à vila do Sítio; em Belém, incorporada à cultura popular através do Círio de Nazaré, cuja tradição remonta a cerca de 1700 e teve seu primeiro cortejo oficial em 1793.
Em junho deste ano, o Metrópoles participou do evento de lançamento da Varanda de Nazaré, quando Fafá revelou que, pela primeira vez, iria levar o projeto para o Santuário de Nazaré, em Portugal. Na ocasião, a cantora ressaltou que “o legado de Nazaré é livre e que todos são recebidos nos santuários dela”. Para ela, o projeto no país europeu pode retomar a leveza da fé.
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Devota de Nossa Senhora de Nazaré, Fafá de Belém, de 70 anos, idealizou a Varanda de Nazaré, projeto cultural e turístico realizado anualmente em Belém, durante o Círio de Nazaré. Em atividade há 15 anos, o evento chega à 16ª edição em 2026 com o tema “Coragem que floresce na fé”, inspirado na força das Icamiabas (leia mais abaixo).
Batizada como Fátima em homenagem à devoção do pai por Nossa Senhora de Fátima, a artista revelou que, com o passar dos anos, essa ligação foi “transferida” para Nazaré. Ao Metrópoles, ela contou que, como todo paraense, nasceu “no colo de Nossa Senhora”.
“O primeiro Círio é no colo de alguém, abraçado no colo da mãe ou da avó. O segundo Círio já é sentado em batente ou em uma janela, segurado pela família. E aí aquilo começa a fazer parte da sua vida”, explicou.
Ao deixar Belém aos 18 anos, Fafá manteve a tradição de participar das celebrações do Círio de Nazaré, inclusive das realizadas no Rio de Janeiro. Segundo a cantora, os paraenses carregam essa devoção para onde forem. Ela também destacou a relação próxima que os fiéis constroem com Nossa Senhora de Nazaré, vista como uma presença constante no dia a dia e nas dificuldades da vida.
“Ela é ‘Naza’, ‘Nazinha’, ‘Nazoca’, ‘Nazarezinha’. Ela é humana, ela é uma colega, uma pessoa para quem a gente pede coisas impossíveis, para quem a gente entrega causas consideradas insolúveis. Então, ela tem de nós uma confiança, um respeito, um amor e uma certeza que ela resolverá […] O mais importante é que é uma fé livre, uma fé feliz. Não é uma fé punitiva”, falou.
Realizado há mais de 200 anos, o Círio de Nazaré é a maior manifestação religiosa do Brasil e uma das maiores do mundo. O evento, inclusive, é reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Fafá avalia que a criação da Varanda contribui tanto para a procissão quanto para os fiéis e para Belém.
“É uma marca da cidade, faz parte da população oficial da cidade, de forma extra-oficial […] É tradição. Uma tradição que independe da idade. É um mix de pessoas e de tribos muito diversas. Mas, eu sei que, quando o povo passa embaixo, olha [para a Varanda] e se reconhece. E é isso que eu quero”, admitiu.
Fafá quer que as varandas permaneçam mesmo “após o corpo”. Para ela, a importância de ter olhares voltados para uma procissão, uma manifestação de fé em que a alegria permeia e até antecede o sofrimento, é enorme. “Está todo mundo ali carregando a corda, mas sorrindo. Suando, mas com um sorriso e cantando”, disse ao Metrópoles.
Varanda de Nazaré 2026
O Metrópoles acompanhou o encontro intimista promovido pela cantora para o lançamento da Varanda de Nazaré 2026. Com comidas típicas do Pará e muita música, Fafá abriu as portas de sua casa para receber os convidados. No evento, ela revelou o tema da 16ª edição do projeto, que acontece em outubro: a força das Icamiabas, lendárias guerreiras amazônicas que, segundo a tradição, modelavam os muiraquitãs — amuletos em forma de sapo que se tornaram símbolos de proteção para os povos da Amazônia.
O Fórum Varanda da Amazônia, que faz parte da programação idealizada pela cantora, chega ao seu 4º ano em 2026. O tema, que conversa diretamente com a Varanda, vai ser “Amazônia, substantivo feminino”. Ambos projetos querem, este ano, reforçar o tamanho da grandeza ancestral feminina na Amazônia.

















