Dark Horse: produtora entra na mira da Ancine e pode pagar multa
Agência Nacional de Cinema (Ancine) afirma que investiga as gravações e demais detalhes da cinebiografia de Bolsonaro
atualizado
Compartilhar notícia

Sem pedidos para estrear no Brasil ou prestações de contas com o governo brasileiro, a Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, está sendo alvo de investigações administrativas da Agência Nacional de Cinema (Ancine). O órgão investiga se a produtora seria fachada para uma empresa estrangeira que realmente estaria por trás da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Ao Metrópoles, a Ancine detalha que além da classificação da obra — se seria uma produção brasileira ou um filme estrangeiro gravado no Brasil — e qual o real papel da Go Up no projeto. Vale lembrar que, até o momento, não há pedido de registro para lançamento comercial do filme em território nacional ou esclarecimentos sobre as gravações, que ocorreram em 2025 em São Paulo.
- Confira cenas do trailer de Dark Horse
Segundo a colunista Malu Gaspar, a falta de transparência pode render à produtora uma multa administrativa de até R$ 100 mil. Para não ser penalizada, a empresa precisa apresentar uma série de documentos, como contratos, planos de filmagens e passaporte de cada profissional estrangeiro contratado.
Distribuição de Dark Horse é marcada por incertezas
Segundo divulgado por Jim Caviezel, o ator que dá vida a Jesus em A Paixão de Cristo e interpreta Bolsonaro na cinebiografia, nas redes, a previsão é que Dark Horse chegue aos cinemas dos Estados Unidos em 11 de setembro de 2026. O site especializado Deadline, porém, afirmou em abril que o filme ainda segue em busca de uma distribuidora.
No Brasil, sequer há a comunicação de que a produtora planeja trazer a obra aos espectadores do país. “Não consta pedido de registro para lançamento comercial da obra no Brasil”, informa a Ancine ao Metrópoles. Este processo, no entanto, pode ser realizado posteriormente.
- Compare o elenco de Dark Horse com os membros da família Bolsonaro
Vorcaro pagou R$ 61 milhões para filme de Bolsonaro
Um áudio revelado pelo The Intercept Brasil expôs que o senador Flávio Bolsonaro pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa, em produção nos Estados Unidos.
De acordo com a reportagem, Vorcaro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025, dentro de um contrato que somaria R$ 134 milhões. Logo em seguida, em 9 de julho de 2025, a Go Up Entertainment teve o registro como agente econômico aprovado pela Ancine.
Em um comunicado à imprensa, a produtora afirma “categoricamente” que não há “um único centavo” do banqueiro brasileiro ou de associados ao Banco Master entre os investidores do projeto. A lista, segundo a empresa, estaria sob sigilo, conforme dita a legislação norte-americana.
O deputado federal Mario Frias (PL-RJ), roteirista do longa, também declarou que Flávio Bolsonaro não possui participação societária no filme ou na produtora, tendo apenas cedido direitos de imagem da família. Segundo ele, o senador teria apenas contribuído com o peso político do sobrenome para atrair investidores.































