Filme com Cacau Protásio e Ary França aborda intolerância religiosa com bom humor

Elenco de Amarração do Amor conversou com o Metrópoles sobre as temáticas abordadas no longa, recém-chegado aos cinemas

atualizado 14/10/2021 10:28

Um folheto escrito “Trago seu amor em 3 dias” une de maneira despretensiosa o casal Bebel (Samya Pascotto) e Lucas (Bruno Suzano). Apaixonados e juntos há 1 ano, eles decidem se casar em uma cerimônia simples, com o jeitinho dos dois. Mas não é bem assim que suas famílias, respectivamente judaicas e umbandistas, idealizaram o momento. É com esse enredo que Amarração do Amor chega nesta quinta-feira (14/10) aos cinemas, colocando em pauta temas delicados como a tema intolerância religiosa sem deixar de arrancar risadas da plateia.

Na trama bastante objetiva dirigida por Caroline Fioratti (Os Meus 15 Anos), Samuel (Ary França), pai de Bebel, faz de tudo para que o casamento siga a tradição judaica, com direito a rupá e rabino. Mas, para isso, ele precisa  enfrentar a determinação de Regina (Cacau Protásio), mãe de Lucas e dedicada mãe de santo, que já chega fazendo planos e pedindo que a união aconteça no seu terreiro. A partir daí, os dois protagonizam uma  disputa para que o rito de suas religiões prevaleça, mesmo contra a vontade dos filhos.

“Curiosamente, você tem duas religiões que sofreram muita perseguição. O judaísmo, secularmente, e a umbanda”, comentou Ary França em entrevista do elenco para o Metrópoles. “No começo do século passado, os policiais acabavam com as giras e qualquer manifestação da cultura afro, é engraçado vermos dois representantes dessas culturas também com certa dificuldade de tolerar o outro. Essa é uma discussão muito boa hoje porque está faltando tolerância dentro do nosso discurso, que é acusatório. Será que nós temos abertura pra escutar um evangélico, pra discutir com alguém de direita? Se tivéssemos, será que não chegaríamos numa síntese melhor?”, ponderou o ator.

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Nos bastidores, a equipe contou com a consultoria de Mãe Nancy, para retratar os rituais e principais elementos da umbanda, e de Michel Gherman, nas cenas sobre judaísmo. A dupla colaborou da concepção do roteiro até as filmagens e garantiu que as cenas, ainda que engraçadas, fossem respeitosas com adeptos de ambas as religiões. É assim que a comédia nacional ostenta sua função social em Amarração do Amor, diz Cacau Protásio. “É importante. Ainda mais a umbanda que é sempre falada de uma forma caricata”, pontuou a atriz.

Bruno Suzano, atualmente  no elenco de Gênesis, da Record TV, como Uriel, também espera que o filme ajude o público a desconstruir preconceitos como os que ele sofreu na infância. “Comecei a fazer teatro muito cedo e sofri muito. Diziam coisas horríveis pra mim e quando não pra mim, chegavam pra mim”, exemplificou. “Hoje é engraçado porque estou indo pra minha seguna novela bíblica e as pessoas que me criticavam lá atrás quando eu era criança, por eu fazer teatro, hoje batem no meu ombro e dizem: ‘sempre acreditei em você'”, completou. “Então chega, vamos respeitar o outro, abrir a escuta.[Espero que ] o que a gente tá fazendo aqui, falando sobre o filme, que gere essa discusssão, na casa das pessoas”.

Confira o bate-papo completo com o elenco:

Amarração do Amor

Amarração do Amor também conta ainda com Malu Valle, Maurício de Barros, Lorena Comparato, Vinícius Wester, Bel Kutner e Cassio Pandolfh no elenco fixo, além de participação especial de Berta Loran e Clementino Kelé.

O roteiro é de Carolina Castro, Marcelo Andrade e Caroline Fioratti, a produção da Migdal Filmes e da Fox Film do Brasil e distribuição da Paris Filmes/Downtown Filmes.

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