Cine Ceará 2019: documentário destaca luta indígena feminina

Vozes da Floresta, da diretora Betse de Paula, acompanha uma série de lideranças femininas em diversas batalhas em prol do meio ambiente

Rogerio Resende/MetrópolesRogerio Resende/Metrópoles

atualizado 03/09/2019 14:44

As primeiras noites do Cine Ceará foram marcadas especialmente pela defesa da cultura. Ao longo dos dias, inúmeros discursos lembraram a situação incerta da Agência Nacional do Cinema (Ancine), a ameaça de filtro/censura no tipo de produção incentivada no país e diversas outras questões políticas, quase sempre centradas no mundo da arte e do audiovisual. Na noite dessa segunda-feira (02/09/2019), o foco mudou para outro assunto muito debatido no Brasil nos dias atuais: a defesa do meio ambiente.

O tema está presente no documentário Vozes da Floresta, que abriu a programação do Cineteatro São Luiz nessa segunda. Dirigido pela veterana Betse de Paula (O Casamento de Louise e Vendo ou Alugo), o longa gira em torno de diversas lideranças femininas que lutam em prol do meio ambiente nas regiões Norte e Nordeste. De forma abrangente, a cineasta escolhe personagens em diversas frentes. Temos indígenas, quilombolas e simples moradores/trabalhadores de regiões florestais afetadas pela cobiça humana e seus megaempreendimentos. A diretora foi acompanhada na sessão por três das lideranças retratadas no filme, as mulheres Rosa, Nice e Neta.

Indígena quebradeira de coco em uma reserva no Maranhão, Rosa se mostrou emocionada em apresentar o filme em Fortaleza. “Estou aqui não só para defender a palmeira de babaçu, mas também para defender a água, o território, o nosso modo de vida”, disse.

Moradoras de comunidades quilombolas também no Maranhão, Nice e Neta reforçaram a importância de suas lutas neste momento. Enquanto a primeira afirmou que “sem a floresta não se vive”, a segunda jogou luz sobre o debate acerca da Base de Alcântara e da possibilidade de uso da mesma pelos Estados Unidos.

Betse de Paula, por sua vez, lembrou os recentes acontecimentos de queimadas na Amazônia, que repercutiram mundialmente nas últimas semanas. “A Amazônia está em chamas neste momento, e precisamos tomar uma atitude. Não tem plano B. Como disse Sônia Guajajara: ‘A terra é mãe, e mãe não se vende, não se negocia. Mãe se cuida, mãe se defende, mãe se protege.’”, afirmou a cineasta.

Visivelmente feliz em apresentar seu mais novo trabalho, a diretora completou: “Agradeço a oportunidade de dar voz a essas mulheres, lideranças de movimentos sociais, protetoras de nossas florestas, que precisam ser ouvidas”. E Betse tratou de dar voz a essas mulheres não só por meio de seu documentário mas também na própria exibição no Cine Ceará.

Vozes da Floresta está na disputa da Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem. E esse é o mesmo caso do segundo longa da noite dessa segunda (02/09/2019), o drama Luciérnagas, de Bani Khoshnoudi. Coprodução entre México, Grécia e República Dominicana, o filme gira em torno de Ramin (Arash Marandi), um jovem gay que deixa o Irã para evitar ser perseguido. Ele acaba no México, mas nunca parece se encaixar no local. Morador da cidade portuária de Vera Cruz, Ramin sonha em pegar o próximo barco que o leve para a Europa, mas não possui dinheiro para tanto. O jovem acaba desenvolvendo uma relação de amizade com Leti (Flor Eduarda Gurrola), a recepcionista da pensão em que está hospedado. Exibida no cultuado Festival de Roterdã, a produção é intimista e delicada, e com bons rompantes de paixão.

A programação paralela no Cinema do Dragão teve como destaque a Mostra Olhar do Ceará, com a exibição de sete curtas realizados no estado. Além disso, tivemos uma sessão especial de Noite Estrelada, de Sérgio de Sousa. O filme foi realizado pelos alunos do Curso Básico de Cinema da Casa Amarela Eusélio Oliveira.

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