Bio, o longa de ficção com ares de documentário, discute a longevidade
Filme nacional conta com Maria Fernanda Cândido, Maitê Proença, Marco Ricca e Rosane Mulholland, entre outros atores

Um filme passado de 1959 a 2069 levanta a questão de como passar por épocas diferentes e supor o futuro? A resposta, para o diretor Carlos Gerbase, foi fazer um mockumentary: o falso documentário Bio – Construindo uma Vida conta a história de um cientista que viveu por 110 anos. A estrutura da fita, lançada nacionalmente na última quinta-feira (4/4), é simples. Os personagens que passaram pela vida do protagonista contam, em entrevistas, de suas experiências com ele.
“Não tinha dinheiro para fazer cenários grandes. O que está em quadro, está perfeitamente ambientado. São construções simples, mas coerentes com o período retratado em cada cena. Outra coisa: eu sabia que como eram depoimentos, quando eu tivesse o personagem na minha frente, eu poderia filmar várias vezes. Fiz muitas improvisações com eles depois de filmar o roteiro. Esses 15, 20 minutos com cada um fizeram toda a diferença”, lembra Gerbase.
O cientista retratado no filme – que não tem nome e nem aparece em tela – estudava os macacos bugios, espécie comum no Paraná. A ideia de Gerbase era ter um protagonista biólogo e pesquisador de linguagem nos animais. “Os bugios acabam sendo uma espécie de metáfora, já que ele estuda as famílias dos animais, está sempre preocupado com essas relações. Eu faço um paralelo entre os núcleos familiares dos bugios e as pessoas ao redor do personagem”, compara o diretor.
“Fui construindo uma série de situações que começam desde antes do nascimento dele e se seguem os dilemas tradicionais de educação, família, repressão sexual, escolhas profissionais… São dramas pequenos, mas são momentos grandes capazes de definir a vida de alguém”
Carlos Gerbase, diretor de Bio – Construindo uma Vida
Questionado sobre a decisão de avançar a história 50 anos no futuro, Gerbase não esconde seu fascínio pelas possibilidades de longevidade apresentadas pela ciência moderna. “Está mais ou menos estabelecido que vamos conseguir fazer os humanos passarem dos 100 anos. A questão é se vai ser uma vida boa: órgãos artificiais, medicamentos condicionando o corpo… Tem motivação para continuar vivendo? No caso do personagem, ele está em seu quinto casamento, continua se apaixonando, procurando coisas interessantes para viver”, define o diretor.
Veja o trailer do filme:


