A proposta que pode mudar o Carnaval de Salvador para sempre

O Carnaval de Salvador em 2026 abriu espaço para discussões sobre os circuitos tradicionais e causou polêmicas entre artistas e autoridades

atualizado

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O Carnaval de Salvador pode passar por uma das mudanças mais delicadas de sua história. A Prefeitura estuda descentralizar o tradicional circuito Dodô (Barra-Ondina) — inclusive com a possibilidade de transferi-lo — após a edição de 2026 registrar superlotação, tumultos e críticas de artistas e foliões.

A discussão ganhou força depois que o prefeito de Salvador, Bruno Reis, afirmou em coletiva que a concentração no trajeto Barra-Ondina precisa ser revista. A ideia é redistribuir o público ou até criar um novo circuito para evitar episódios como os vistos neste ano.

Com mais de 12 milhões de foliões e 3,8 milhões de turistas, o Carnaval de Salvador em 2026 foi marcado por reclamações. No circuito Dodô, considerado o mais famoso da festa, houve registros de tumulto. Na Pipoca da Anitta, por exemplo, fãs enfrentaram momentos de tensão, com empurra-empurra e pessoas passando mal.

“O trabalho vem sendo feito com novas ideias, com ativações e uma série de novidades que nós criamos. E isso explora a necessidade de um novo circuito ou da transferência do circuito da Barra-Ondina. Eu não tenho dúvidas de que quem vier me suceder [na Prefeitura] vai ter que enfrentar esse desafio”, afirmou o prefeito.

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Clique da folia em Salvador
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Ivete Sangalo arrasta multidão entre Pipoca e Corda em Salvador
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Bell Marques no Carnaval
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Bell Marques no Carnaval

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O que dizem os artistas

As declarações repercutiram imediatamente entre os artistas que desfilam nos trios elétricos. Carlinhos Brown defendeu a necessidade de discutir novos espaços para garantir mais conforto ao público e aos músicos. “Tem que encontrar novos espaços para todo mundo”, disse.

Já Daniela Mercury reagiu com firmeza contra qualquer mudança que descaracterize a Barra-Ondina. A cantora, uma das precursoras do circuito há 30 anos, destacou a importância da tradição.

“A gente não pode abrir mão da história da gente. Tradição não se muda da noite para o dia. […] Eu vou brigar pela Barra de qualquer jeito, vou brigar pela Avenida Sete. Você vai me ver deitar no chão, mas não saio daqui.”

Depois, ponderou que a ampliação da festa pode ser debatida — desde que com planejamento e participação ampla. “Sobre abrir novos espaços, eu sempre acho que é preciso, também, mas a cidade precisa discutir. […] Eu entendo que tem que se ouvir todo mundo, porque não sou eu que decido isso. O que não pode é um grupo pequeno decidir por toda a cidade”, afirmou.

O que está em estudo

Antes de qualquer decisão mais radical, a Prefeitura avalia medidas imediatas para reduzir a pressão sobre a Barra-Ondina. Entre elas, a redistribuição de atrações e público entre os três principais circuitos: Osmar (Campo Grande), Dodô (Barra-Ondina) e Batatinha (Pelourinho).

“Antes mesmo de se pensar um novo circuito, porque demanda mais serviços, mais investimentos públicos e contratação de mais atrações, é preciso buscar esse equilíbrio”, disse Bruno Reis.

Uma comissão do Conselho do Carnaval (Concar) também estuda a possibilidade de transferir o circuito Barra-Ondina para a orla do Centro de Convenções. A proposta, no entanto, não deve sair do papel no atual mandato.

“Eu tenho mais dois carnavais (2027/2028) e não vejo essa necessidade [de alterações] para estes dois anos. Se a gente computar a média de foliões que aumentam ano a ano, acho que estes três circuitos principais têm capacidade de atender”, declarou o prefeito.

Sem mudanças imediatas

Apesar do debate, a tendência é que o Carnaval de 2027 mantenha o formato atual. No último dia da edição de 2026, a Prefeitura realizou um teste pontual de descentralização, que não registrou grandes intercorrências.

O secretário de Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, afirmou que qualquer decisão será tomada após diálogo com organizadores e autoridades envolvidas.

“Tudo isso precisa ser planejado e será conversado entre as demais secretarias e os governos que garantem a segurança pública, com as prefeituras que eventualmente forem realizar o evento e com toda a comunidade que organiza e participa”, concluiu.

 

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