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O Zoológico de Brasília ficará fechado durante o fim de semana. O juiz de direito da Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Distrito Federal, Carlos Frederico Maroja de Medeiros, determinou a interdição do espaço enquanto a greve dos vigilantes perdurar. O magistrado acatou uma ação popular que trata da falta de segurança dos animais.

Segundo o juiz, a paralisação dos vigilantes pode comprometer a segurança das espécies. “Além da proteção à fauna, os bens públicos devem ser adequadamente cuidados, o que por certo não se faz sem a presença de um quantitativo mínimo de agentes de segurança”, afirmou, na decisão.

O magistrado reitera ainda que, além do risco de lesão irreparável aos animais aprisionados, a ausência de vigilantes no local gera “evidente perigo para os frequentadores, os quais não serão orientados sobre condutas inadequadas no local e protegidos contra eventuais acidentes”.

A paralisação dos vigilantes começou em 1º de março. No dia seguinte, a direção do Zoológico já havia determinado o fechamento do local. No entanto, no último fim de semana, a abertura havia sido negociada devido à possibilidade de apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

A assessoria do Zoo informou que o diretor-presidente da Fundação Jardim Zoológico, Gerson Norberto, já foi notificado e vai acatar a decisão.

Greve continua
Em assembleia realizada na tarde desta sexta (9) pelo Sindicato dos Vigilantes do Distrito Federal (Sindesv-DF), a categoria decidiu manter a greve. Segundo a entidade, cerca de 90% dos 20 mil terceirizados aderiram ao movimento.

A categoria declarou a paralisação em 28 de fevereiro, reivindicando reajuste de 7%, além de manutenção das cláusulas sociais, como seguro de vida e plano de saúde. De acordo com os vigilantes, a greve só será encerrada caso as empresas aceitem a proposta imposta por eles, sem punir os que aderiram à mobilização.

O GDF, no entanto, afirmou, por meio de nota, que “só será repassado o valor equivalente aos postos de serviço que estiverem efetivamente funcionando, tendo sido atestados pelos executores dos contratos”.

Ainda nesta sexta-feira, em audiência com o Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Sistemas de Segurança Eletrônica, Cursos de Formação e Transporte de Valores no Distrito Federal (Sindesp-DF), o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) teria afirmado, segundo a entidade, que o governo não pagará as empresas de vigilância pelos dias parados devido à greve da categoria.

Em resposta, o diretor de Comunicação do Sindesv-DF, Gilmar Rodrigues, disse que o pagamento de tais dias não deve ser a maior preocupação do chefe do Executivo. “O governador tem que se preocupar é com a situação da população. Estamos vendo várias noticias de depredação e crimes cometidos por falta de vigilantes. Essa questão de dias parados a gente negocia”, ressaltou.

Decisão judicial
Por meio de nota, o sindicato dos patrões alegou que o Sindesv está descumprindo uma decisão da desembargadora e vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), Maria Regina Machado Guimarães, deferida no último dia 2/3.

A determinação é para que a entidade mantenha 100% do efetivo de trabalhadores nos hospitais, nas estações do Metrô-DF, nos estabelecimentos bancários, no transporte de valores, nos tribunais de Justiça, nos postos do INSS e nas escolas públicas; e de 70% nos demais locais de serviço, sob pena de multa diária de R$ 100 mil até o julgamento final da ação principal.

“Quando saiu essa liminar, votamos em assembleia e, por unanimidade a categoria decidiu continuar a greve. Nosso sindicato ainda recorreu judicialmente da decisão”, explicou Gilmar Rodrigues.

Ocorrências
Pelo menos um caixa eletrônico foi arrombado e houve registro de diversos tumultos em hospitais e unidades de saúde da rede pública do Distrito Federal entre a noite de quinta-feira (8) e a madrugada desta sexta (9).

As ações são facilitadas devido à falta de vigilantes. O Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem (Sindate-DF) orientou os servidores a não trabalharem caso se sintam inseguros por causa da greve.