Veja andamento de investigação contra policiais suspeitos de tráfico

Três policiais do DF são investigados pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios por envolvimento com tráfico de drogas

atualizado

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1 de 1 MPDFT - Metrópoles - Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

Em dezembro 2022, três policiais civis foram alvo de mandado de busca e apreensão, suspeitos de desviarem drogas para o tráfico. Na época, eles estavam justamente lotados na seção de investigação repressão de tráfico de drogas da 20ª Delegacia de Polícia (Gama).

Pouco mais de dois anos depois, a investigação continua no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e não foi oferecida a denúncia à Justiça do Distrito Federal. Desta forma, os agentes seguem como suspeitos da investigação, mas não são classificados como réus. Eles também seguem recebendo a remuneração, conforme consta no Portal da Transparência.

O Metrópoles teve acesso a um processo com detalhes da operação até 2023, quando este foi arquivado por existir um outro com duplicidade – o segundo corre em segredo de Justiça. Como o caso está em investigação e é sigiloso, os nomes dos policiais suspeitos não serão divulgados.

A reportagem apurou que a investigação teve início porque um outro policial lotado na mesma delegacia se recusou a participar do esquema. Segundo a denúncia, ele teria negado pedir dinheiro a uma vítima de roubo de veículo como recompensa por devolver o carro roubado. O agente pediu para sair da delegacia, e uma denúncia anônima foi enviada ao Núcleo de Investigação e Controle Externo da Atividade Policial (Ncap), do MPDFT, relatando outros abusos dos policiais civis pelo ano de 2017.

Um ponto que chamou a atenção dos investigadores foi uma denúncia de abuso de autoridade para o policial que tinha se recusado a participar do esquema. Os agentes investigados orientaram um preso a fazer um boletim de ocorrência. O policial denunciou os agentes por calúnia, onde conseguiu prints demonstrando a estratégia para incriminar um colega. O caso inclusive foi julgado como calúnia e difamação, em que um dos policiais foi condenado e precisou fazer retratação.

Com os fatos, os promotores solicitaram todas as ocorrências da 20ª DP envolvendo drogas. Em uma apuração complexa e árdua, eles chamaram os presos pelos dos casos e, em ao menos 18 situações, conseguiram relatos de que os policiais teriam declarado menos drogas ou dinheiro do que o que teria sido apreendido.

Em um dos casos, um preso declarou que tinha interesse em fazer tráfico internacional de drogas e confessou que estava com 230 quilos de entorpecentes, mas observou no processo que constavam apenas 176 quilos de drogas. O MP investigou que a quantidade remanescente teria sido desviada pelos agentes.

Troca de mensagens

Os policiais ainda trocavam mensagem com outros traficantes para repassar a droga apreendida. O MP identificou uma transferência bancária de R$ 2 mil ao agente investigado por um traficante. No celular do criminoso, ele conversa com um parceiro dizendo que a droga vinha de dentro da delegacia e comentava em seguida: “esse país é um lixo mesmo”.

Em outra ocorrência analisada pelos promotores, consta que foram apreendidos R$ 4.430 com um dos presos, mas que o valor apreendido, segundo o depoimento do preso colhido pelo MPDFT, teria sido R$ 14 mil.

Além dos supostos desvios, o NCAP conseguiu prints de um dos policiais puxando conversa com a namorada de um dos presos. Nas mensagens, ela conta que ficou traumatizada com a abordagem policial. O agente investigado pede para se redimir e manda um emoji com olhos de coração.

As informações foram compiladas em um documento em que a investigação do Ministério Público afirma que “há sérios e concretos indícios de que, ao longo de 2017, policiais civis teriam se apropriado de bens, valores e drogas encontradas nas operações policiais”.

As informações também foram encaminhadas à Corregedoria da Polícia Civil.

O MPDFT informou, em nota, que ainda não apresentou a denúncia sobre o caso, já que as investigações seguem em procedimentos sigilosos. “No entanto, é possível afirmar que uma grande quantidade de material oriundo das fases anteriores da investigação foi encaminhado para o CI/MPDFT e também para o IC/PCDF. As análises ainda estão pendentes de conclusão.”

Na fase ostensiva da operação, houve a apreensão de aparelhos celulares, notebooks, pendrives e HDs. Os dados foram extraídos com as cautelas necessárias para garantir e observar a cadeia de custódia da prova, mas o MPDFT informou que essas informações ainda estão em análise. “É um procedimento de investigação criminal sigiloso e há outras três de medidas investigativas sigilosas vinculadas ao processo”, completou.

Questionada, a PCDF informou apenas que o caso está na corregedoria.

 

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