UPA no DF tem equipamentos hospitalares parados há 3 anos, diz TCDF

Tribunal de Contas deu prazo para o Iges-DF explicar e apresentar solução; instituto diz que máquinas foram consertadas e estão em uso

atualizado

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1 de 1 UPA - Metrópoles - Foto: JP Rodrigues/Metrópoles

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) deu prazo de 15 dias para o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF) apresentar solução para a falta de peças de manutenção para equipamentos hospitalares na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Ceilândia II.

Segundo a Corte de Contas, o problema faz com que ventiladores mecânicos e monitores cardíacos, entre outros, fiquem parados, prejudicando o atendimento à população. Há relatos de equipamentos sem uso há quase três anos.

“O que é mais interessante e o que mais nos deixa preocupados é que existe contrato de manutenção”, pontuou o conselheiro Renato Rainha, relator do processo.

O Iges-DF afirma que os problemas já foram resolvidos e que “os equipamentos tiveram suas condições de funcionamento restabelecidas” (leia mais abaixo).

Firmado entre o IgesDF e a WF Tecnologia Científica, o contrato tinha valor inicial de R$ 9,8 milhões. Com os aditivos somados, o total passa de R$ 34 milhões.

O TCDF analisou uma representação que apontou irregularidades nesse ajuste feito entre o instituto e a empresa. Entre elas, estão falhas na execução dos serviços de manutenção, justificativas frágeis da contratada para a falta de conserto dos equipamentos, ausência de inventário e de documentos obrigatórios sobre as máquinas com defeito.

Um exemplo é um monitor cardíaco com tela danificada devido a uma queda, que está parado desde 20 de abril de 2023.

Segundo o TCDF, a empresa alegou que já havia feito a compra no exterior por falta de peças no Brasil. Mas, segundo o corpo técnico, o equipamento segue quebrado.

Outro equipamento essencial para a UPA é o ventilador mecânico, para suporte a pacientes com dificuldades respiratórias. A máquina apresentou defeito na bateria em agosto de 2023 após um líquido derramado causar curto-circuito.

Com a necessidade de nova bateria, o equipamento segue funcionando somente ligado à rede elétrica e aguarda o conserto, que estava previsto para fevereiro de 2024.

“A desculpa é que algumas peças têm que ser importadas. Ora, já tem três anos. Essas peças já teriam condições de ter chegado muito rápido. A gente sabe que mesmo peças que estão em outros países chegam aqui em 24h, 48h, 72h, o mais tardar. Então não há justificativa nenhuma para que esses aparelhos continuem paralisados”, afirmou Rainha.

Segundo a representação, apesar de já ter apontado falhas na execução contratual pela empresa, a própria Secretaria de Saúde do DF autorizou aditivos no contrato de manutenção e reajustes considerados inadequados e sem a devida comprovação.

De acordo com o TCDF, mesmo com registros de serviços mal executados, o documento aponta que a empresa também expandiu a sua atuação para o Hospital Cidade do Sol, em Ceilândia (DF), com aumentos de 6,35% a 28% nos valores dos contratos.

O que diz o Iges-DF

Em nota, o Iges-DF disse que “os equipamentos citados (uma cama hospitalar elétrica, um monitor multiparamétrico e um ventilador pulmonar) estão atualmente em pleno funcionamento na UPA de Ceilândia II e disponíveis para uso assistencial”.

“A cama hospitalar elétrica teve a manutenção concluída e foi liberada para uso em 11 de março de 2024. O monitor multiparamétrico foi reparado e liberado em 5 de janeiro de 2024. Já o ventilador pulmonar teve o reparo concluído em 31 de julho de 2024”, disse.

Segundo o instituto, “os itens passaram por períodos de indisponibilidade em razão da necessidade de manutenção especializada e da substituição de peças, algumas delas importadas, o que impactou os prazos de reposição”.

“O Iges-DF informa ainda que já foi devidamente notificado pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e apresentou os esclarecimentos solicitados no âmbito do Processo nº 00600-00004857/2025-97, dentro do prazo estabelecido”, acrescentou.

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