Último dia para retirar remédios na Farmácia de Alto Custo tem filas

Medicamentos exigem retirada mensal e renovação periódica; usuários reclamam de longas filas e desabastecimento

atualizado

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Fernanda Cavalcante/Metrópoles
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1 de 1 farmacia-de-alto-custo - Foto: Fernanda Cavalcante/Metrópoles

Pacientes enfrentam horas de espera nesta quinta-feira (30/4), último dia do mês para retirada de medicamentos de alto custo, na farmácia popular da estação de metrô 102/103 sul. A alta demanda e a limitação na distribuição de senhas têm provocado filas extensas e reclamações.

Os remédios precisam ser retirados mensalmente, geralmente por ciclos de três meses, sempre com nova receita médica. Ao fim desse período, é necessário refazer todo o processo, que inclui consultas, exames e análise de documentos — especialmente em casos de doenças raras ou tratamentos de alto valor, que podem ultrapassar R$ 5 mil. Por isso, há urgência na retirada antes do fim do mês.

Veja:

Quem depende desses medicamentos relata dificuldades recorrentes. O aposentado Carlos Schmidt, 61 anos, transplantado de fígado há uma década após complicações de hepatite B, conta que a situação tem se repetido ao longo da semana. Ele precisa do tacrolimo, medicamento essencial para evitar a rejeição do órgão.

“Eu já vim aqui várias vezes essa semana e não consegui. Esse remédio é todo dia, não pode faltar. Se faltar, o corpo pode rejeitar o fígado. Hoje é o último dia e, se eu não pegar, fico sem. Dá medo… medo de perder o órgão, de não resistir”, desabafa.

A jovem Emilly Messias dos Santos, 22, enfrenta uma longa espera para conseguir o medicamento da mãe, transplantada de rim. Moradora de Samambaia e natural da Bahia, ela chegou à unidade às 9h desta quinta-feira (30/4) e, até as 14h, ainda não havia conseguido retirar o remédio.

“Cheguei cedo achando que ia resolver rápido, mas a gente vai ficando e nada anda. Trouxe até canetinhas para ficar colorindo e passar o tempo, porque é muita espera. E minha mãe não aguenta ficar horas assim, esperando”, conta.

Além dos transplantados, outros pacientes também sofrem com a situação. A diarista Daniela de Souza, 47, moradora do Guará, depende do medicamento para o filho, que faz tratamento com hormônio do crescimento (somatotropina).

“É muito desgastante. A gente vem na esperança de conseguir e fica nessa incerteza. Podia ter um jeito mais organizado, um agendamento, alguma coisa pra evitar esse sofrimento”, sugere.

Além da demora, pacientes relatam que, em alguns casos, enfrentam toda a fila apenas para descobrir que o medicamento está em falta. Por isso, a lista de itens indisponíveis, geralmente afixada na porta da unidade, tem se tornado essencial para evitar deslocamentos e esperas desnecessárias.

Veja medicamentos em falta

Sob gestão da Secretaria de Saúde do DF:

  • Ambrisentana 5 mg
  • Atorvastatina 10 mg
  • Brinzolamida (oftálmico)
  • Ciclofosfamida 50 mg
  • Ciclosporina 25 mg
  • Ciprofibrato 100 mg
  • Dabigatrana 110 mg e 150 mg
  • Gabapentina 300 mg
  • Insulina detemir
  • Mesalazina enema
  • Micofenolato sódico 180 mg
  • Mirtazapina 45 mg
  • Omalizumabe 150 mg
  • Risperidona solução oral
  • Sildenafil 20 mg e 50 mg
  • Sirolimo 1 mg
  • Topiramato 50 mg
  • Ziprasidona 80 mg

Que deveriam ter sido enviados pelo Ministério da Saúde:

  • Abatacepte 125 mg e 250 mg
  • Adalimumabe
  • Burosumabe
  • Leflunomida 20 mg
  • Levetiracetam 750 mg
  • Rituximabe (biossimilar)
  • Rivastigmina 4,5 mg
  • Sildenafil (algumas apresentações)

O que diz a Secretaria

Procurada, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que a unidade da Asa Sul atende atualmente mais de 19 mil pacientes com cadastro ativo, o que impacta diretamente no tempo de espera e na formação de filas.

“O serviço tem enfrentado instabilidades recorrentes no sistema Hórus, do Ministério da Saúde, o que pode interromper o atendimento por impedir a verificação de dados essenciais dos pacientes. Nesses casos, é necessário aguardar a normalização do sistema para evitar riscos à saúde e prejuízos administrativos”, explica em nota.

Segundo a secretaria, foi implantada uma triagem inicial para organizar o fluxo — separando pacientes que vão retirar medicamentos daqueles que precisam renovar processos —, mas o alto volume de usuários ainda gera filas nessa etapa.

“A Secretaria destaca que tem adotado medidas para ampliar e qualificar o acesso, como o programa Medicamento em Casa, criado durante a pandemia, que permite a entrega de medicamentos diretamente ao paciente ou a um representante autorizado. Além disso, está em fase de implantação um novo sistema de gestão, que substituirá o Hórus e permitirá avanços como renovação digital, integração de serviços e melhoria no controle de filas por meio de painel de senhas”, acrescenta.

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