Bicicletário da Rodoviária do Plano está sem funcionar há dois meses

Segundo a administração local, o antigo espaço não era adequado para a guarda das bikes. Outras quatro unidades serão construídas

atualizado 19/08/2019 19:50

O Dia do Ciclista é comemorado nesta segunda-feira (19/08/2019), mas não há muito o que celebrar para quem chega pedalando na Rodoviária do Plano Piloto. A reforma no bicicletário do terminal começou em junho, e o acesso ao local foi fechado aos ciclistas, que estão tendo que deixar as bicicletas em lugares improvisados.

Uirá Lourenço é servidor público e usa a bike para ir ao trabalho. Ele se diz muito insatisfeito com as condições na Rodoviária e comenta que a integração entre os modos de transporte coletivos e ativos – que incluem bicicletas e patinetes – é uma tendência nas cidades modernas. Para ele, essa é uma forma de solucionar os problemas de mobilidade e reduzir o uso do carro.

“A pessoa chega de bicicleta até o terminal mais próximo, estaciona e segue viagem de ônibus ou metrô. A recomendação é que o bicicletário seja coberto, tenha controle de acesso e suportes adequados. No caso da Rodoviária do Plano Piloto, o espaço era inadequado, e muitos ciclistas preferiam acorrentar nas lixeiras do terminal. Hoje, só sobrou a placa”, reclama.

Dois jovens que utilizam as bicicletas para fazer entregas de alimentos dizem que a situação do terminal dificulta o trabalho, principalmente porque alguns lugares não permitem a entrada com as bolsas grandes. “Às vezes, a gente tem entregas para fazer aqui mesmo na Rodoviária, e não tem lugar seguro para deixar as bikes”, conta Frank Bruno de Oliveira, de 23 anos. “Acabamos deixando elas amarradas em placas ou grades”, completa seu colega Eliel Bezerra, 19.

Glauco Amorin, servidor público que aderiu ao uso da magrela há três meses, disse já ter passado momentos de tensão ao deixá-la solta pela Rodoviária. “Tive que ir ao DFTrans e pedi para alguém ficar olhando. Aí, é entregar nas mãos de Deus, né?”, conta. Para Magno Teixeira, 38, se estivesse funcionando, o bicicletário seria muito útil. “Porque é muito difícil entrar com a bike no metrô em horário de pico, as pessoas não respeitam”, ressalta.

Marcos Henrique, 54, já chegou a usar o bicicletário quando ainda estava aberto. Segundo ele, a situação era “altamente precária, não havia nenhuma vigilância, e era uma área desprezada”. O advogado vem de Taguatinga, mas pedala até a estação para pegar o metrô. “Seria bom ter um lugar para deixar a bicicleta. Trabalho aqui perto da Esplanada, mas, do jeito que estava, não tinha como deixar lá”, aponta.

Resposta

Josué Martins de Oliveira é chefe da Unidade da Administração da Rodoviária. Sobre o problema, ele explica que a realocação do bicicletário se deve à reforma que acontece desde junho. “A acessibilidade ao bicicletário era péssima, por isso foi decidido que o moveríamos. O lugar onde os ciclistas desciam era muito íngreme. Além disso, no local, já colocamos alguns exaustores para aliviar o clima do subsolo, onde fica o Na Hora.” No entanto, Josué destaca que há um projeto para colocar mais quatro bicicletários públicos no terminal. “Não deve haver preocupações, sem bicicletário a Rodoviária não vai ficar”, afirma.

A obra ainda não tem previsão para ficar pronta, junto ao projeto colocado pelo administrador. Enquanto isso, além do bicicletário inexistente, ainda há reclamações sobre falta de acessibilidade para quem escolhe esse meio de transporte. O ciclista Douglas Pereira de Oliveira, 28, é assistente social. Ele conta que já precisou deixar a bicicleta largada porque não havia local adequado, além de apontar a dificuldade pela falta de rampas de acesso. “Toda vez que saio da estação, tenho que subir essas escadas para a parte de cima da Rodoviária com a bike nas costas. É bem complicado”, finaliza.

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