Serviços de valet identificam carros para evitar multa, mas Detran não alivia
Há cerca de dois meses, comerciantes da Asa Sul se reuniram com o vice-governador e com o órgão de trânsito para buscar solução
atualizado
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Com a dificuldade para estacionar nas ruas do Distrito Federal, o jeito, muitas vezes, é recorrer ao valet parking. Nas asas Sul e Norte, por exemplo, grande parte dos restaurantes e das lojas oferece o serviço de manobrista, executado por empresas terceirizadas. Mas, deixar o carro com eles pode virar dor de cabeça. Como não há estacionamento suficiente, os veículos parados em fila dupla estão sujeitos a multas do Departamento de Trânsito (Detran-DF).
Tentando amenizar os prejuízos, as empresas de valet começaram a usar, recentemente, ímãs numerados nos veículos. O objetivo, além de facilitar a identificação dos automóveis nos estacionamentos, é que o Detran saiba quais carros estão com os manobristas e evite notificá-los.
Segundo o proprietário de uma empresa que presta serviço de manobrista para pelo menos oito restaurantes na 404/405 Sul, Felipe Carvalho dos Santos, há cerca de dois meses, comerciantes da quadra se reuniram com o vice-governador do DF, Renato Santana, e com representantes do Detran para tentar solucionar o problema.
“Na reunião, ficou acordado que os carros identificados não seriam multados. Nós nos comprometemos a tentar não deixar veículos em fila dupla e eles disseram que não iriam multar”, explicou Felipe.
Mas, segundo ele, o combinado durou pouco tempo. “Desde o início de dezembro, os agentes vêm até a quadra e passam a caneta em todos os veículos. Sem dó”, disse. Santos garantiu que a empresa se responsabiliza pelas infrações direcionadas aos clientes. “De qualquer forma, é muito ruim. As pessoas ficam incomodadas, pois, mesmo deixando o carro com o manobrista, elas ainda recebem multas”.
Elias de Abreu Barbosa também é responsável por uma empresa de valet que atende quatro restaurantes na região e classificou a situação como um “pesadelo”. “O Detran só pensa em arrecadar, não quer educar. O movimento aqui caiu cerca de 30% a 40%. Os clientes deixam de vir. Ou entramos em um acordo ou não teremos como continuar prestando o serviço. O dinheiro que ganhamos vai todo para as multas. Se tirarem os manobristas das ruas, o comércio fecha as portas”, completou.
Questionado, o vice-governador confirmou a reunião, e disse que foi acordado entre o Departamento de Trânsito e os comerciantes locais que haveria uma melhora na sinalização e os manobristas “evitariam estacionar em fila dupla”.
“Havia um reclame geral acerca da sinalização naquelas quadras. Com as melhorias, ficou visível o espaço a ser utilizado para o desembarque e a abordagem dos manobristas. Tratamos de uma série de outras demandas na reunião, tais como limpeza, iluminação, segurança e licença de funcionamento”, explicou Renato Santana.
Ele ainda disse que, recentemente, houve um “desentendimento” entre um manobrista e um agente do Detran e que teria pedido ao diretor-geral do órgão de trânsito, Silvain Fonseca, para “checar e retomar as estratégias” que ficaram acordadas no encontro. Procurado pela reportagem, Fonseca não comentou a reunião com os comerciantes nem respondeu se é legal a atuação dos manobristas.














