STJ determina prisão de professor do DF condenado por matar ex-mulher
Igor Azevedo confessou ter matado Mayara de Souza Lisboa a tiros em 2 de novembro de 2010, na casa da vítima, em Santa Rita de Cássia (BA)

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que o juízo de origem adote providências urgentes para o início do cumprimento provisório da pena do ex-professor temporário da Secretaria de Educação do Distrito Federal, Igor Azevedo Bomfim, condenado por matar a ex-mulher, na Bahia, em 2010.
Por unanimidade, a decisão foi tomada após o tribunal acolher um pedido do assistente de acusação, que apontou omissão no julgamento anterior sobre a execução imediata da condenação imposta pelo Tribunal do Júri da Bahia.
Igor confessou ter matado Mayara de Souza Lisboa a tiros em 2 de novembro de 2010, na casa da vítima, em Santa Rita de Cássia (BA). O réu passou a morar no Distrito Federal tempos depois. No início deste ano, tomou posse do cargo de professor substituto temporário da Secretaria de Educação.

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Ver todasA pasta afastou o docente após reportagens do Metrópoles revelarem o sentimento de medo e indignação por parte da comunidade escolar do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 03 da Estrutural, onde ele vinha dando aulas. O último salário recebido pelo homem foi em março deste ano, quando foi tirado do quadro de servidores pela Secretaria.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFA defesa do acusado também havia recorrido por meio de embargos de declaração, apontando erros materiais e contradições na redação do acórdão anterior. Os ministros do STJ acolheram parcialmente os argumentos dos defensores apenas para corrigir os erros de digitação e termos técnicos do texto.
No entanto, a relatora do caso, ministra Maria Marluce Caldas, enfatizou em seu voto que essas correções formais não possuem “efeitos infringentes” — ou seja, não alteram o resultado da condenação e nem dão uma nova chance de recurso ao réu. O recurso principal da defesa continuou rejeitado por falta de rebatimento adequado das regras processuais básicas.
Entenda o crime envolvendo o docente
- Em 2 de novembro de 2010, Igor Azevedo Bomfim invadiu a casa de Mayara de Souza Lisboa, em Santa Rita de Cássia (BA), e atirou nela. A vítima morreu no local;
- À época do crime, Igor tinha 31 anos, e Mayara, 22. Eles mantiveram relacionamento durante 1 ano e 8 meses;
- Igor tinha ciúmes que “extravasavam os limites da normalidade” e monitorava Mayara a cada passo, de acordo com inquérito policial. O relacionamento foi tomado por brigas. O réu chegou a apontar arma de fogo na cara da vítima em uma discussão;
- Na data dos fatos, Igor saltou o muro dos fundos da casa de Mayara, encontrou a ex-companheira no banheiro e a executou. A vítima chegou a pedir, dias antes, que um amigo vigiasse a casa dela para que ela pudesse tomar banho;
- Depois de 12 dias foragido, Igor se apresentou à polícia e confessou o crime. O professor alegou que matou a ex-esposa “em defesa da honra”;
- Igor virou réu e, em 2013, foi absolvido pelo Tribunal do Júri. Ele se mudou para o DF logo após a absolvição, e vive na capital federal desde então;
- A defesa de Mayara recorreu para anular a decisão que absolveu o criminoso. Em 2019, nova decisão condenou o;professor a 10 anos, 10 meses e 18 dias de prisão;
- Igor recorreu e seguiu em liberdade até novembro de 2024, quando o caso transitou em julgado e ele foi preso em casa, no Guará (DF);
- Dias depois, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou o trânsito em julgado do caso, e o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) determinou a soltura de Igor.
Pedido de prisão
Embora tenha dado sinal verde para o cumprimento da pena, o STJ não expediu um mandado de prisão direta. A Corte determinou o envio de uma comunicação oficial com urgência para o juiz da comarca de origem na Bahia.
Caberá agora ao Tribunal do Júri da Bahia analisar o histórico atualizado do réu, calcular o abatimento do tempo em que ele eventualmente já tenha ficado preso provisoriamente e definir formalmente o regime e o local onde o cumprimento da pena começará.
O afastamento
O Metrópoles revelou, na época, que a comunidade escolar do CEF 03 da Cidade Estrutural foi tomada por medo e revolta com o fato de Igor Azevedo Bomfim, assassino confesso da ex-esposa, ter sido nomeado professor substituto e começado a dar aulas na instituição, no início deste ano.
Relatos feitos à reportagem indicavam que os demais docentes esperavam que a Secretaria de Educação tomasse atitudes em relação à presença do acusado no quadro de professores do colégio, sendo afastado na mesma semana.
A Educação pontuou que, no momento da contratação, Igor “apresentou toda a documentação exigida para o ingresso no serviço público temporário, incluindo certidões negativas de antecedentes criminais, com resultado ‘nada consta’, expedidas pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Justiça do DF”.
A defesa de Igor Azevedo Bomfim foi procurada, mas não se manifestou até a atualização mais recente desta reportagem.
















