Professor que matou e voltou a dar aula: pedido de prisão está parado há 1 ano
Igor Azevedo Bomfim, professor substituto da rede pública do DF, chegou a ser preso em 2024. Caso está no STJ aguardando apreciação
atualizado
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O professor substituto temporário da Secretaria de Educação do Distrito Federal Igor Azevedo Bomfim (foto em destaque), de 46 anos, ainda responde pelo assassinato da ex-esposa dele, mais de 15 anos após o crime.
A defesa da vítima tenta a prisão desde novembro de 2024, mas, até o momento, não houve decisão por parte do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde atualmente corre o processo.
Igor confessou ter matado Mayara de Souza Lisboa a tiros em 2 de novembro de 2010, na casa da vítima, em Santa Rita de Cássia (BA). O réu passou a morar no Distrito Federal tempos depois. No início deste ano, tomou posse do cargo de professor substituto temporário da Secretaria de Educação.
A pasta afastou o docente após reportagens do Metrópoles revelarem o sentimento de medo e indignação por parte da comunidade escolar do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 03 da Estrutural, onde ele vinha dando aulas.
A petição
Igor Azevedo Bomfim cometeu o crime em 2010, foi condenado em 2013 e respondeu em liberdade até o trânsito em julgado do caso (quando não há mais possibilidade de recurso), em 2024. Àquela altura, ele já dava aulas havia três anos, como professor temporário na rede pública do DF.
À época, Igor chegou a ser preso, mas a defesa dele conseguiu junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) anular o trânsito em julgado e fazer com que o caso voltasse ao STJ, onde está até hoje.
Em novembro de 2024, então, a defesa da família de Mayara Lisboa requereu a imediata decretação da prisão do réu baseado no Tema 1068 de Repercussão Geral, do STF, que afirma que “a soberania dos veredictos do Tribunal do Júri autoriza a imediata execução de condenação imposta pelo corpo de jurados”.
O pedido, no entanto, nunca foi apreciado no STJ. Em novembro de 2025, o processo foi concluso à relatora Marluce Caldas e, aparentemente, se encontra no gabinete da ministra.
Entenda o crime envolvendo o docente
- Em 2 de novembro de 2010, Igor Azevedo Bomfim invadiu a casa da então ex-esposa Mayara de Souza Lisboa, em Santa Rita de Cássia (BA), e atirou nela. A vítima morreu no local.
- À época do crime, Igor tinha 31 anos, e Mayara, 22. Eles mantiveram relacionamento durante 1 ano e 8 meses.
- Igor tinha ciúmes que “extravasavam os limites da normalidade” e monitorava Mayara a cada passo, de acordo com inquérito policial. O relacionamento foi tomado por brigas. O réu chegou a apontar arma de fogo na cara da vítima em uma discussão.
- Na data dos fatos, Igor saltou o muro dos fundos da casa de Mayara, encontrou a ex-companheira no banheiro e a executou. A vítima chegou a pedir, dias antes, que um amigo vigiasse a casa dela para que ela pudesse tomar banho.
- Depois de 12 dias foragido, Igor se apresentou à polícia e confessou o crime. O professor alegou que matou a ex-esposa “em defesa da honra”.
- Igor virou réu e, em 2013, foi absolvido pelo Tribunal do Júri. Ele se mudou para o DF logo após a absolvição, e vive na capital federal desde então.
- A defesa de Mayara recorreu para anular a decisão que absolveu o criminoso. Em 2019, nova decisão condenou o professor a 10 anos, 10 meses e 18 dias de prisão.
- Igor recorreu e seguiu em liberdade até novembro de 2024, quando o caso transitou em julgado e ele foi preso em casa, no Guará (DF).
- Dias depois, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou o trânsito em julgado do caso, e o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) determinou a soltura de Igor.
- O processo retornou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e segue sem atualizações relevantes.
O afastamento
O Metrópoles contou, na manhã dessa terça-feira, que a comunidade escolar do CEF 03 da Cidade Estrutural foi tomada por medo e revolta com o fato de Igor Azevedo Bomfim, assassino confesso da ex-esposa dele, ter sido nomeado professor substituto e começado a dar aulas na instituição no início deste ano. Relatos feitos à reportagem ansiavam para que a Secretaria de Educação tomasse atitudes em relação à presença do acusado no quadro de professores do colégio.
Até que, na noite de terça, a Secretaria informou à reportagem que o professor não mais integrava o quadro de profissionais do CEF 03 da Estrutural.
A Educação pontuou que, no momento da contratação, Igor “apresentou toda a documentação exigida para o ingresso no serviço público temporário, incluindo certidões negativas de antecedentes criminais, com resultado ‘nada consta’, expedidas pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Justiça do DF”.
“Esclarece-se, ainda, que a Corregedoria da Pasta adotou as providências cabíveis, mediante a instauração de procedimento de natureza sigilosa”, confirmou.
A pasta não explicou se Igor será remanejado para outra instituição de ensino ou se sofrerá afastamento e/ou exoneração. O Metrópoles também questionou a informação referente à documentação exigida, no intuito de saber se o docente chegou a apresentar itens falsos.
O que diz o acusado
Em nota enviada ao Metrópoles antes da publicação da primeira reportagem, a defesa de Igor Azevedo Bomfim confirmou que aguarda decisão do STJ a respeito da acusação contra o réu no caso da morte da ex-namorada.
“A defesa de Igor se limita à atuação nos autos do processo. E, a respeito disso, [a defesa] tem a informar que, nos termos do que preceitua a Constituição Federal, qualquer pessoa é presumidamente inocente até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”, encerrou.
A reportagem fez novo contato após a informação de que Igor foi afastado do CEF 03 da Estrutural, mas não teve retorno. O espaço segue aberto para eventuais posicionamentos.













