STF adia análise que definirá futuro do reajuste de servidores do DF

Ministros decidiram, no fim da tarde desta quinta, votar o caso em outra oportunidade. Em Brasília, 32 categorias aguardam desfecho

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 13/06/2019 19:54

Por volta das 18h15 desta quinta-feira (13/06/2019), os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram adiar a análise do processo que pode definir o futuro do reajuste salarial dos servidores públicos do DF. Os magistrados analisariam recurso extraordinário sobre o direito à concessão de aumentos sem dotação na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O caso se refere a uma ação de Roraima, no entanto a Corte reconheceu a existência de repercussão geral da questão. Ou seja, vale para outros estados e o Distrito Federal. O argumento dos ministros para adiar a sessão foi o “avançar da hora” na votação da criminalização da homofobia, iniciada às 15h. Todavia, não há nova data para a análise.

O adiamento frustrou os servidores que acompanhavam a sessão. Havia um grupo de representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta, Autarquias, Fundações e Tribunal de Contas do DF (Sindireta) e de outras entidades.

Em Brasília, 32 categorias aguardam a terceira parcela do aumento, previsto desde 2013 e que deveria ter sido paga em 2015. Embora venha alegando dificuldades financeiras de honrar o compromisso, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), já adiantou que não vai se contrapor a decisão da Suprema Corte. Segundo o emedebista, a sentença, qualquer que seja, será respeitada. O impacto no orçamento anual do Governo do Distrito Federal (GDF) é estimado em R$ 1,5 bilhão.

Reclamações

Mesmo com a afirmação do governador, os servidores não estão satisfeitos. “Entendemos que nosso direito ao reajuste já está garantido, o GDF tem que pagar. Vamos aguardar a votação do STF. Um ponto positivo das discussões foi que o governo nos chamou para conversar. O convite partiu do secretário Victor Paulo”, afirmou o presidente do Sindireta, Ibrahim Yusef.

Eduardo Ximenez, que trabalha na associação dos servidores do Na Hora, argumentava que, apesar de os servidores “estarem fazendo a parte” deles, o governo não quer cumprir a obrigação. “Pagamos IPTU, IPVA… E o governo não quer nos dar o aumento. Poderiam pensar que, ao destravar nossos salários, a economia será aquecida e haverá retorno aos cofres públicos”, argumenta.

Maria de Fátima Belarmino, servidora da Secretaria de Cultura, reclama que os salários sem reajuste desde 2015 têm reduzido o poder de compra de todos os servidores. “A inflação aumenta e o salário não acompanha. Nossa expectativa é que isso se resolva logo para que tenhamos aquilo que é nosso direito.”

Lei Orçamentária

No Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2020 elaborado pela equipe de Ibaneis Rocha, não há previsão de reajustes salariais. Na peça, os aumentos são condicionados à decisão do STF sobre o recurso extraordinário. A depender do resultado, o GDF terá que mexer nas previsões para cumprir a lei.

“É um assunto que se discute há um bom tempo no DF. O STF vai julgá-lo para dar segurança jurídica, que é o que todos nós buscamos. Se sair favorável aos servidores, vou ter o compromisso de ajustar as contas para cumprir a decisão judicial”, disse Ibaneis nessa quarta-feira (12/06/2019).

O governador ainda ressaltou que o STF sempre foi “muito responsável” com essas questões. “O grande questionamento é o seguinte: prometer reajuste sem ter base em estudos que garantam isso. Esse é o grande desafio do Supremo, porque isso colocou o DF em situação de penúria no que diz respeito à questão salarial”, argumentou.

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