GDF suspende 3ª parcela de reajuste a servidores após decisão do TCU
Buriti tenta reverter sentença do Tribunal de Contas da União, mas já prevê cortes em todas as áreas para preservar salários e serviços

O Governo do Distrito Federal (GDF) suspenderá o pagamento da terceira parcela do reajuste aos servidores públicos previsto para ser quitado até julho deste ano. Ao Metrópoles, o secretário de Fazenda, André Clemente, disse que a medida foi adotada após o Tribunal de Contas da União (TCU) publicar o acórdão da decisão que obriga o GDF a devolver, a partir de maio, o Imposto de Renda incidente sobre os soldos e benefícios pagos aos servidores com recursos do Fundo Constitucional (FCDF). Por ano, serão R$ 680 milhões a menos nos cofres locais.
O Palácio do Buriti tenta reverter a situação e ingressou nessa terça-feira (30/04/2019) com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF). “Infelizmente, é uma notícia que não queríamos dar. Contudo, a deliberação do TCU nos obriga a enxugar os gastos e limitar os excessos até que essa questão seja vencida. Lamentável ter que ser o porta-voz desse tema, mas a nossa prioridade agora é garantir que as folhas salariais e as obrigações essenciais ou legais sejam pagas em dia”, declarou o titular da área econômica do DF.

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Ver todasSegundo Clemente, outras áreas prioritárias no governo também serão afetadas pelo rombo. “Se concretizar essa devolução, não dará para tirar de uma área só. Todos terão de contribuir: Saúde, Educação, Segurança, Obras, Tecnologia, Mulher, Criança… Será um sacrifício total e um grande retrocesso para o DF. O governo fará de tudo para reformar essa decisão, mas, por enquanto, temos que trabalhar com o cenário atual”, completou.
A deliberação do TCU chegou oficialmente ao Palácio do Buriti nessa terça. Na segunda-feira (29/04/2019), o Ministério da Economia já havia despachado ofício à Coordenação do FCDF para que, a partir de agora, esses recursos do imposto de renda permaneçam nos cofres federais. Além da cota anual, o Distrito Federal terá de devolver R$ 10 bilhões à União referentes às receitas dos últimos anos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFEm nota técnica assinada nessa terça, a Coordenação informou que as três forças de segurança do DF – Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros – foram notificadas “por meio de mensagem no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi)”. A orientação do Ministério da Economia é para que as unidades passem a recolher a retenção de IRRF da folha de pagamento, a partir da folha de abril, ao Tesouro Nacional.
“Importante salientar que o impacto anual, na monta aproximada de R$ 680 milhões, traria graves prejuízos ao Distrito Federal, podendo gerar, inclusive, interrupção de importantes serviços públicos”, diz a nota.
Veja o documento:
Análise do impacto orçament… by on Scribd
Reajuste de 2013
Aprovado ainda no governo Agnelo Queiroz (PT), em 2013, o reajuste de 32 categorias foi dividido em três períodos. Contudo, em 2015, quando a gestão Rollemberg deveria efetivar a última parcela, o governo alegou rombo no orçamento. Até hoje, o funcionalismo cobra a aplicação dos percentuais.
Ibaneis passou a campanha prometendo honrar o compromisso. Em agosto de 2018, quando foi oficializado como candidato do MDB, disse que seria uma das primeiras ações tão logo fosse empossado. “Não tem o que conversar, a lei tem de ser cumprida”, destacou. Agora, ao menos no que depender das entidades sindicais, chegou a hora de o assunto voltar à agenda oficial.
O pagamento é esperado por cerca de 150 mil servidores. Em dezembro de 2018, de acordo com o último cálculo feito pela área econômica do GDF, o incremento nos contracheques dos funcionários públicos resultaria em um impacto anual de R$ 1,6 bilhão.



