“Sigo acreditando que ele está vivo”, diz mãe sobre Bernardo

Tatiana da Silva conta que ainda tem esperança de achar o filho com vida. PCDF segue à procura do corpo da criança: pai confessou homicídio

Material cedido ao Metrópoles

atualizado 04/12/2019 21:57

A família do pequeno Bernardo tem esperança de que o bebê de 1 ano e 11 meses esteja vivo. Em entrevista ao Metrópoles, a mãe do garoto, Tatiana da Silva (na foto em destaque com o filho), 30 anos, disse acreditar que Paulo Roberto Caldas Osório, 45, seu ex-marido, mentiu em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e não matou o menino. Aos investigadores, o pai de Bernardo confessou o crime.

“Sigo acreditando que Bernardo está vivo e assim eu espero. Acho que ele [Paulo Roberto] inventou toda essa história. É muito frio no relato, não se contradiz em nenhum momento. Parece que tudo isso foi planejado por ele”, disse Tatiana à reportagem. “Acho que está mentindo. Se fosse verdade, teriam achado a cadeirinha ou a roupinha dele”, completou.

Na versão prestada aos policiais, Paulo Roberto afirma ter deixado o corpo do filho às margens da BR-020, a cerca de 600 km de Brasília. A cadeirinha de bebê onde transportava a criança teria sido lançada em um matagal, ainda na estrada. A equipe da Delegacia de Repressão ao Sequestro (DRS) da PCDF ainda não localizou o corpo nem a cadeirinha de Bernardo.

Na noite desta quarta-feira (04/12/2019), a mãe do menino Bernardo fez um relato emocionado nas redes sociais. Leia abaixo:

Tatiana reforça que a decisão de Paulo em levar o filho foi um gesto de vingança. “Ele falava que queria ver eu e minha mãe sofrermos. Quero acreditar que ele não fez isso [o matou]. Acho que só sumiu com o Bernardo. Enquanto não encontrarem o corpo, vou continuar me apegando a esse fio de esperança”, finalizou a mãe da criança.

A PCDF também sustenta a tese de que o agente de estação do Metrô tenha cometido o crime por vingança. Os investigadores acreditam que os áudios enviados pelo ex-marido à Tatiana reforçam a suspeita de que o homicídio foi planejado.

Confira o momento em que Paulo confessa ter jogado o corpo do filho no mato:

 

Veja fotos do caso: 

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Áudios

Nos áudios, Paulo faz ameaças à ex-mulher, enquanto Tatiana implora, junto com a avó materna de Bernardo, para que o homem devolva o menino. O motivo da discussão teria sido dinheiro, que seria direcionado a uma poupança feita para o garoto. Paulo chama as duas de arrogantes e não diz onde está a criança. “O negócio é dinheiro? Pode ficar com seu dinheiro, eu não preciso dele, não. Eu só quero o meu filho, quero o Bernardo”, diz a mãe do bebê, desesperada.

Em meio a ameaças e reclamações de que o acesso ao garoto teria sido negado para ele e o pai, na época internado, Paulo adota tom agressivo, afirmando que nem a ex-companheira nem a avó de Bernardo iriam vê-lo novamente.

“Você vai morrer sem ver o Bernardo”, diz Paulo para Tatiana.“O resto da sua vida, você vai passar sem um neto, assim como meu pai. E espero que você sofra muito, como disse que um dia eu ia sofrer”, falou em referência à avó da criança.

Em reposta, Tatiana fala de quando ela e a mãe sentaram com Paulo para fazer um acordo em relação a Bernardo, mas que a proposta foi recusada. Ela ressalta que nunca impediu o acesso do pai ao filho. “Você pegava o Bernardo a hora que queria, quando que a gente não deixou o Bernardo ver seu pai, a gente tentou visitar ele no leito de morte e você não deixou. A gente nunca fez nada contra você, você é maluco”, comentou a mãe do menino, nas gravações.

Confira os áudios na íntegra:

 

A mãe de Tatiana interfere na briga e manda um áudio para o ex-genro: a mulher pede para Paulo devolver Bernardo e diz que iria buscar uma solução na Justiça.

“Eu não sei por que esse ódio de mim, Paulo, não te fiz nada. Só peço para você deixar eu viver mais um pouco com meu neto, ponha a mão na consciência. Você nunca precisou fazer isso. Eu sei que não vai fazer nada de mal, sei que é um bom pai… mas, por favor, deixa a mãe com o filho dela”, diz a avó do menino na gravação.

Detalhes do crime

Ao desembarcar em Brasília, escoltado por policiais, o agente de estação do Metrô-DF Paulo Roberto de Caldas Osório deu detalhes de como matou o próprio filho. Demonstrando raiva e frieza, relatou que deu medicamentos controlados para a criança e jogou o corpo às margens da BR-020, a cerca de 600 km de Brasília. “Agora é só um corpo. Passei e não vi ninguém na rua, o joguei no mato e saí”, confessou.

Segundo Paulo, a intenção era dar um “susto” na mãe da criança, com quem teve um relacionamento, e na ex-sogra, informa a PCDF. “É uma pessoa que não tem emoção. Ele se refere ao filho sempre como o ‘menino’. Disse que, após dar o medicamento, o garoto ficou ‘molinho’ e, ao constatar a morte, jogou o corpo em uma região de mato alto próximo da rodovia”, detalhou o delegado-chefe da Divisão de Repressão a Sequestro (DRS), Leandro Ritt, que investiga o caso.

Veja declarações do delegado sobre o caso:

 

Paulo sumiu com o filho na sexta-feira (29/11/2019) após buscar o garoto em uma creche na Asa Sul, como sempre fazia. Ele, porém, não devolveu a criança à mãe naquela noite, como prometido. Tatiana da Silva registrou ocorrência. O servidor do Metrô diz ter dado a Bernardo três comprimidos que tomava para dormir. Ele teria misturado o remédio com suco de uva, já na saída da escolinha do menino.

Depois, levou Bernardo para a casa onde mora, na 712 Sul. Em seguida, segundo confessa, dispensou o corpo do pequeno na BR-020. O homem foi preso em um hotel de Alagoinhas, na Bahia, e trazido de avião para o DF. No trajeto, não disse uma palavra. Depois, detalhou o crime que garante ter cometido sem mencionar, uma única vez, o nome Bernardo: ele se referiu ao filho como “menino”.

Submetido a audiência de custódia, Paulo Bernardo foi mantido preso pela Justiça. Ele está detido na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE).

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