“Achava que ele tinha mudado”, diz vizinha de pai que matou filho

Moradores da 712 Sul, onde Paulo morava e convivia com Bernardo, lembram que rapaz assassinou a mãe em 1992 e falam sobre a barbaridade

Bruna Lima/Metrópoles

atualizado 04/12/2019 14:18

Os vizinhos de Paulo Roberto de Caldas Osório, 45 anos, assassino confesso do filho Bernardo, de 1 ano e 11 meses, estão incrédulos com a notícia. Segundo eles, o funcionário do Metrô-DF era muito introspectivo. Entretanto todos sabiam da tragédia que cercava aquela casa na 712 Sul (foto em destaque), onde o homem morava: Paulo matou a mãe em 1992 e cumpriu 10 anos na ala psiquiátrica da Papuda.

“Eu vi ele [Paulo] passando com o menininho na sexta à tarde (29/11/2019). Ontem (terça-feira, 03/12/2019), a polícia esteve aí, entrou na casa. A comoção por aqui é geral. Uma barbaridade dessa que a gente não imagina que possa acontecer do nosso lado”, afirmou um dos moradores da quadra.

A maioria dos entrevistados pelo Metrópoles pediu para não ser identificada. Mas contam como era Paulo. Ele morava com o pai – que morreu em fevereiro deste ano, de falência múltipla dos órgãos.

“O rapaz [Paulo] estava muito sozinho, desde então”, diz outro vizinho, que se lembra do caso de 1992. “A gente achava que ele tinha mudado. Depois que vem uma criança, então, a vida do homem é outra. Ele tinha até feito decorações de Natal este ano”, conta uma mulher.

Quem confirma a história é o eletricista aposentado Leônidas Braga, 75 anos. Ele colocou enfeites de Natal na própria casa, que fica em frente à residência de Paulo. E lembra que Bernardo ficava brincando com um Papai Noel pendurado. “O menino era sabido demais. Pela idade dele, fiquei impressionado.”

Veja o vídeo:

 

A mulher de Leônidas, Cícera Braga, afirma que Paulo tinha um jeito meio estranho. “Mas o seu Paulo [pai do assassino] negava qualquer doença. Dizia que a morte da esposa foi um acidente, que o menino tinha se confundido. Acho que negar acabou sendo a forma que ele encontrou conforto”, relatou.

Em 1992, quando tinha 18 anos, Paulo Roberto foi preso após matar a mãe, Neuza. Ele pensou se tratar de um ladrão e a esfaqueou, mesmo ela dizendo: “Filho, não faz isso. Eu sou sua mãe”. Depois das facadas, ele usou uma corda para enforcar a vítima e colocou fogo no corpo dela. Tentou apagar, mas era tarde demais.

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Fechado

“Ele era fechado, gostava de pouca conversa. Nem mesmo o nome dele, a gente sabia. Mas também parecia ser uma pessoa tranquila”, conta a aposentada Débora Gonçalves, 79. Ela é pioneira e tem casa na quadra desde a fundação de Brasília.

Uma funcionária de uma casa vizinha, que não quis se identificar, chorou ao falar sobre o assunto. “O pai era apaixonado pelo menino e o filho, por ele. Era tanto apego que só queria colo. O pai rodava a quadra toda para fazer ele dormir. Dói no fundo da alma, é algo sem explicação”, opinou.

Tatiana da Silva, mãe de Bernardo, teria sido avisada pelos vizinhos sobre o assassinato da mãe de Paulo e a detenção dele na ala psiquiátrica da Papuda. Isso ocorreu na sexta-feira, quando ela seguiu até a 712 Sul para tentar encontrar os dois.

Eles tinham guarda compartilhada. Namoraram por um tempo, Bernardo nasceu e eles se separaram pouco depois. “Bernardo vinha sempre aqui. Era uma criança ótima, vivia brincando com os cachorros da casa. Recentemente tinha ganhado um, presente do pai. Agora, está tudo vazio”, apontou outro vizinho.

Investigação

A polícia não tem dúvidas de que o crime foi planejado por vingança e acredita que a criança morreu na casa do pai, na 712 Sul. Paulo disse que deu três comprimidos de medicação controlada para a criança dissolvidos no suco de uva.

A bebida foi dada ao filho após a saída da escola, na Asa Sul, na sexta-feira (29/11/2019). O objetivo era que Bernardo dormisse durante o trajeto até Minas Gerais. A criança, porém, teria passado mal, vomitado e, depois, morrido.

“Fizemos buscas na residência [na 712] e encontramos uma caixa de remédios [para dormir], copo de água infantil e muitos resquícios de vômito. O material foi encaminhado à perícia”, explicou o delegado, durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (04/12/2019).

A polícia ainda procura o corpo de Bernardo. Equipes de agentes e helicópteros da corporação fazem varredura na região apontada por Paulo Osório. Em depoimento, ele disse que era noite e chovia muito quando abandonou o corpo do filho, próximo a Roda Velho (BA). Além do cadáver, ele arremessou a cadeirinha que estava fixada em seu veículo.

Ainda de acordo com a versão dele, a intenção era ir para Minas visitar a mãe dos dois outros filhos. Porém não soube afirmar o endereço e não levava bagagem. Foi preso apenas portando uma considerável quantia em dinheiro.

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