Ibaneis a PMs e bombeiros: “Espero que tenham consciência e responsabilidade”

Recado foi dado nesta terça-feira (26/2) pelo governador a integrantes das duas corporações, que pressionam por reajuste igual ao da PCDF

Renato Alves/Divulgação GDFRenato Alves/Divulgação GDF

atualizado 26/02/2019 16:25

Pressionado por entidades que representam PMs e bombeiros desde que anunciou reajuste de 37% à Polícia Civil do DF, o governador Ibaneis Rocha (MDB) disse, nesta terça-feira (26/2), esperar que os militares brasilienses “tenham consciência e responsabilidade” na discussão sobre o aumento salarial da categoria.

Em meio a mensagens que circulam nas redes sociais, ameaçando a volta da Operação Legalidade ou Tartaruga, o emedebista frisou que aposta em solução pacífica, com diálogo. Mas que não vai aceitar que a categoria adote medidas que prejudiquem a segurança da população: “Eles têm uma legislação muito rígida e eu vou aplicá-la também, a qualquer momento, se for necessário. Eu acho que pelo lado do entendimento nós temos como evoluir muito”.

O governador completou, dizendo que PMs e bombeiros “estão falando [sobre a proposta] sem qualquer tipo de conhecimento, infelizmente. E sem acreditar num governo que tem se mostrado de uma credibilidade enorme, um governo que tem dado mostras de que cumpre compromissos. Então, eles estão se antecipando a uma discussão que ainda está sendo travada”.

A preocupação do Palácio do Buriti é com o discurso de lideranças de setores das duas corporações que tem incitado a tropa a se rebelar contra a possibilidade de um reajuste menor do que o oferecido à Polícia Civil. A proposta em elaboração pelo Palácio do Buriti pretende incorporar o auxílio-moradia pago às corporações, não atingindo o mesmo percentual de 37%.

Manifestações
Nessa segunda, o Fórum das Associações Representativas dos Policiais e dos Bombeiros Militares divulgou nota reclamando do fato de as duas corporações terem ficado fora da proposta de paridade salarial da Polícia Civil (PCDF) com a Polícia Federal. “Os profissionais da PMDF e [do] CBMDF não aceitarão, em nenhuma hipótese, aumentos diferenciados entre as polícias Civil e Militar”, diz trecho do documento, assinado pelo coordenador da entidade, coronel Mauro Manoel Brambilha.

As categorias reclamam da falta de diálogo do GDF com os profissionais e lembram da possibilidade de se acionar a Justiça para negociar reajustes em caso de negativa do governo. “Em acórdão recente, o STF [Supremo Tribunal Federal], ao julgar inconstitucional a greve da segurança pública, deu legitimidade para que os sindicatos e associações de servidores policiais representem seus associados junto ao governador de sua respectiva unidade da Federação”, acrescenta a entidade.

Veja a nota:

Reprodução

 

Na semana passada, a divulgação de uma conversa entre o coronel Eugênio César Nogueira, presidente da Associação dos Oficiais do Corpo de Bombeiros do DF, e Rafael Sampaio, presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil (Sindepo), colocou mais combustível na acirrada relação entre integrantes das forças de segurança do DF.

O polêmico diálogo via WhatsApp ocorreu na quinta (21/2) e foi divulgado nas redes sociais pelo militar do Corpo de Bombeiros. A postagem viralizou. Nogueira começa a conversa perguntando se Sampaio tem certeza que vai defender medida provisória com aumento apenas para a PCDF. O delegado responde que esse foi o encaminhamento do GDF e que luta pelos direitos da sua categoria. Em seguida, completa: “Espero que não haja papelão de ninguém de querer atrapalhar as nossas demandas por mesquinhez”.

O coronel retruca e diz que a proposta “não prosperará”. Sampaio questiona se é uma ameaça. E o militar responde que não é ameaça, mas fato: “Reajuste da Segurança Pública sem os militares não prosperará”.

Veja a mensagem:

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