Associações da PMDF criticam declarações de Ibaneis sobre reajustes

O governador eleito afirmou nessa segunda-feira (10/12) que cogita não dar à Polícia Militar o mesmo percentual da PCDF, de 37%

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 11/12/2018 21:41

Associações da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) não gostaram das declarações de Ibaneis Rocha (MDB) de que cogita dar à categoria um reajuste inferior ao prometido à Polícia Civil (PCDF). O governador eleito disse nessa segunda-feira (10/12) que os PMs podem não ter o mesmo índice de aumento – de 37%.

Um dos argumentos do emedebista é que, somadas as gratificações dos policiais militares, a diferença de remuneração entre as corporações não fica “tão grande”. No entanto, a afirmação não caiu bem entre a categoria.

Segundo o presidente da Associação dos Oficiais (Asof) da PMDF, tenente-coronel Eduardo Naime, essas gratificações são, na verdade, verbas indenizatórias – como auxílio-alimentação e fardamento. “O coronel não leva esse valor para a reserva. Em relação a um delegado inativo, a diferença salarial é enorme”, contra-argumentou.

Ainda de acordo com o tenente-coronel, Ibaneis precisa de pessoas que o ajudem a conhecer a gestão orçamentária da corporação, “pois as premissas estão equivocadas”. “Não estão levando em consideração a ascensão profissional. Devemos lembrar que um delegado chega ao topo da carreira com 13 anos, enquanto um oficial militar, que seria a carreira correlata, vai chegar ao topo com 27 anos”, explicou. 

O coordenador do Fórum das Associações Representativas dos Policiais Militares e dos Bombeiros Militares do DF, coronel Mauro Manuel Brambila, também teceu críticas às pretensões do governador eleito. “Não há uma hierarquia entre os segmentos que compõem a segurança pública da cidade. O que for diferente disso, discordaremos e ficaremos insatisfeitos”, disse.

Falta de diálogo
Outra reclamação do coronel é a falta de tratativas com o governo de transição. Segundo ele, Ibaneis não ouviu os militares. “Como não participamos da transição, fomos marginalizados. Podemos contribuir de forma positiva com diálogo, mas até agora não fomos chamados para isso”, reclamou.

Outra afirmação de Ibaneis Rocha que causou estranhamento entre os militares foi sobre o fim da briga dos policiais. “Se continuarem insistindo, terão muitos problemas com o governo. Estou aqui para apoiá-los na recuperação da segurança do DF, mas vai ter que ter um comando único”, informou o governador eleito.

Porém, o presidente da Associação dos Militares Estaduais do Brasil (Amebrasil), coronel Wellington Nascimento, acredita que, ao cogitar não dar à PMDF o reajuste, Ibaneis acaba reforçando o conflito. “Todos prestamos serviços à sociedade. Por que não equipara o coronel com o delegado especial? Se Polícia Civil é remunerada por subsídio, a Polícia Militar também deveria ser. Estamos há vários anos sem aumento de salário”, reclamou.

Últimas notícias