“Sente fungos andando”, diz filha de mulher que espera amputação do pé

Filha da paciente detalha que a doença mexeu com o psicológico da mãe, que diz sentir os fungos andando 24h por dia

atualizado

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A filha de Maria Aparecida, 52, paciente que espera há mais de 400 dias pela amputação do pé direito por causa de uma infecção grave, contou ao Metrópoles que a doença mexeu também com o psicológico da mãe. A mulher diz que sente os fungos andando pelo corpo dela 24 horas por dia.

Veja:

Segundo familiares, a aposentada, moradora de Águas Lindas de Goiás, adquiriu a infecção fúngica, conhecida como micetoma eumicótico, há 30 anos, em 1996, por uma pequena ferida no membro inferior. Esse fungo, de acordo com os médicos, tende a atingir agricultores e trabalhadores rurais, por solos contaminados por esses microrganismos. Na época, ela morava em uma área rural de Alexânia (GO).

A filha de Maria, Denise Dutra, contou ao Metrópoles que, no início, a doença começou como um “caroço” pequeno e, com a demora para diagnosticar, foi crescendo e inchando, até um ponto em que os remédios antifúngicos receitados pelos médicos não estavam surtindo mais efeito. Denise detalha que, durante esses anos, a mãe procurou atendimento tanto no sistema de saúde de Goiás quanto no do Distrito Federal. Atualmente, ela faz o acompanhamento médico no Hospital Universitário de Brasília (HUB).

A resposta que a família recebeu da equipe médica foi de que Maria precisaria amputar o pé. A justificativa era de que a infecção já atingiu o sistema ósseo e, se cair na corrente sanguínea, pode causar sepse – uma infecção generalizada que, se não tratada precocemente, leva ao choque e à morte. O problema é que o tempo de espera para uma consulta e cirurgia no SUS já soma mais de 400 dias, e Maria está no 31º lugar. A aposentada deu entrada na fila em 13 de janeiro de 2025.

Fungos andando

A filha acredita que Maria desenvolveu hipocondria. A cada duas semanas, a paciente pede para ir ao hospital com o objetivo de conferir se está tudo bem e não deixa de tomar os remédios, pois, segundo Denise, ela teme que o quadro piore e morra. Maria chegou ainda a se consultar com um psiquiatra que a receitou um antipsicótico.

“Ela fica muito agoniada, diz que sente os fungos andando pelo corpo dela e toma analgésicos todos os dias”, conta.

Denise também relatou que a infecção se concentra apenas no pé direito da mãe, e que exames já foram feitos para saber se o fungo se espalhou e foi confirmado que ele permanece no mesmo lugar durante anos, o que demonstra mais ainda a confusão mental e o medo da paciente.

Além disso, a aposentada não anda mais faz três anos; a locomoção agora é feita em uma cadeira de rodas. Situações básicas do cotidiano viraram um grande desafio, como tomar banho e caminhar no quintal de casa.

Por fim, os familiares contam que, durante esses 27 anos de tratamento, a situação teve vários desdobramentos, internações, inclusive remédios que não estavam disponíveis pelo SUS, e que tiveram que entrar na Justiça para conseguir o valor dos medicamentos. Mesmo com tantos esforços, nenhuma melhora apareceu, e a única saída para Maria Aparecida é a amputação.

Posicionamento

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que consultas, exames e cirurgias são reguladas de acordo com a classificação de risco e data de inserção da solicitação no sistema. Os casos mais graves são priorizados.

Segundo a pasta, a paciente em questão encontra-se regulada, no entanto, com a evolução da doença conforme relatado, a orientação é que ela retorne ao médico para um nova avaliação.

O Hospital Universitário de Brasília (HUB) também se posicionou. Em nota, a unidade informou que a paciente foi regulada para atendimento em consulta de ortopedia, em junho de 2024.

De acordo com o hospital, por não possuir a especialidade na cirurgia indicada, a paciente foi encaminhada à uma rede pública de saúde do DF.

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