Sem acessibilidade: dos 7 elevadores da Rodoviária, 6 estão quebrados

Cadeirantes e outras pessoas com dificuldade de locomoção reclamam do árduo acesso ao terminal. Administração culpa vandalismo

atualizado 22/08/2019 10:17

Dos sete elevadores da Rodoviária do Plano Piloto que dão acessibilidade a quem não pode usar as escadas, apenas um está em funcionamento atualmente: o que leva ao metrô, na plataforma de baixo. O restante está sem funcionar desde julho, segundo a administração do terminal, por depredação.

“Moradores de rua utilizavam os elevadores como casa: para fugir do frio, ficavam no vão das máquinas e quebravam os equipamentos”, afirma Josué Martins de Oliveira, chefe da Unidade da Administração da Rodoviária.

De acordo com Oliveira, uma licitação emergencial para consertar os ascensores está em andamento. A duração desse contrato será de seis meses, até que se faça uma licitação para regularizar o serviço. O gestor acrescenta que os elevadores devem voltar a funcionar até o fim de semana. “Primeiro, vamos consertar as escadas rolantes, onde há o maior fluxo de pessoas”, disse.

Ainda segundo Oliveira, haverá dois elevadores exclusivos, de cada lado da Rodoviária do Plano Piloto, para pessoas com deficiência, idosos e grávidas. Nesses locais, contou, haverá reforço de vigilantes e ascensoristas.

Enquanto os elevadores estão sem funcionar, o fluxo de pessoas com deficiência não para no local de maior movimento em Brasília. Entre elas, Estevan Brito Marinho, servidor público, de 49 anos. Ele tem poliomielite e utiliza muletas para se locomover. Estevan conta que deixou até de frequentar estabelecimentos da parte de cima da Rodoviária pela falta de acessibilidade.

“Tenho que procurar farmácias à noite, quando chego em casa, porque é muito cansativo e difícil acessar a parte de cima sem os elevadores. Essas reformas duram anos e não acabam nunca. Esses elevadores sempre foram falhos. E não é de graça, pagamos imposto para isso”, ressalta Estevan. “Eu, com muletas, consigo usar o corrimão e acessar as outras áreas se precisar muito. Mas e as pessoas que não conseguem?”, questiona.

O cadeirante Carlos Henrique, 21, também reclama. Ele trabalha com tecnologia da informação e precisa passar pela Rodoviária do Plano Piloto todos os dias para chegar ao trabalho. Carlos conta que, certa vez, ficou esperando na Estação Galeria com seu pai até meia-noite porque não tinha como descer para pegar um ônibus.

“É um descaso. Aqui não tem nem rampa normal nem rolante, o que facilitaria muito, já que esses elevadores nunca funcionam”, pondera. Seu pai, Carlos Henrique Nunes, 42, conta que por diversas vezes eles têm que dar a volta pelo Conjunto Nacional e acessar a parte de cima do terminal quando o elevador que leva ao metrô não está funcionando.

 

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Necessidade

Para Carla Cristina, 37, o elevador que dá acesso ao metrô tem que estar funcionando sempre. A cabeleireira é mãe de Guilherme Alexandre, 17, cadeirante.

A mulher leva o filho pelo elevador do metrô todos os dias. Quando o ascensor não funciona, ela apela ao guarda para ajudar a descer Guilherme. “Nunca tive problema com esse elevador do metrô, mas posso afirmar que quem é cadeirante no DF passa muita dificuldade. As pessoas não têm educação, não respeitam quem está de cadeira de rodas. Falta conscientização da população, além das melhorias de acessibilidade, como as rampas dos ônibus, que também dão problema”, comenta Carla.

Valderlúcio Soares Santana, 44, é atleta aposentado. Ele conta que em Brasília a situação é complicada pela falta de rampas e calçadas adaptadas. Sobre os elevadores, comenta: “Isso aqui é uma vergonha por não funcionar. Logo no centro da capital, lugar de maior movimento… Tem que melhorar”, ressalta.

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