Polícia afirma que marido de Noélia não “é tratado como suspeito”

Vendedora foi encontrada morta na sexta-feira (18/10/2019), no Assentamento 26 de Setembro, com um tiro no rosto

Myke Sena/Especial para o MetrópolesMyke Sena/Especial para o Metrópoles

atualizado 21/10/2019 18:36

A delegada-chefe da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), Adriana Romana, informou por meio de nota, nesta segunda-feira (21/10/2019), que Marcos Paulo Mendes Santana, 42 anos, marido da vendedora Noélia Rodrigues de Oliveira, 38, “não é tratado como suspeito”. A mulher foi encontrada morta na sexta-feira (18/10/2019), no Assentamento 26 de Setembro, com um tiro no rosto.

Na nota, a PCDF destacou ainda que estão suspensas, temporariamente, todas as entrevistas e ou coletivas de imprensa sobre o assassinato. “Neste momento, a investigação passa por um momento crucial, toda a unidade se encontra totalmente empenhada na realização de diligências que resultem na elucidação do crime”, diz o texto.

Noélia saiu da Asa Norte na quinta-feira à noite (17/10/2019), após fechar a loja na qual trabalhava no Brasília Shopping, e desapareceu. O caso é tratado como feminicídio. Imagens feitas pelas câmeras de segurança do centro comercial mostram a vítima ao celular. À polícia, o marido contou que falou com a mulher por telefone, dizendo que a buscaria no ponto de ônibus, como era rotina do casal.

A vendedora, porém, não desceu do ônibus, o que levou Marcos Paulo a iniciar uma campanha de “procura-se” na internet, além de acionar a PCDF.

“Alívio”

No final de semana, o advogado de Santana, Geraldo Madureira, disse a jornalistas que o seu cliente era tratado pela PCDF como suspeito. Nesta segunda (21/10/2019), se explicou: “A delegada começou a investigação por essa linha, porque ele era marido. Então, foi tido como suspeito. Nas ocorrências policiais, ele não era tratado assim, mas pelas atitudes tomadas pela Polícia Civil, como por exemplo mantê-lo desde 16h até as 22h na delegacia, ele era suspeito”, disse.

Agora, Marcos Paulo está “aliviado”, segundo o defensor. “Sempre falamos que ele era inocente. Nós oferecemos para investigação tudo que podíamos para provar que ele não tem nada a ver com com essa barbaridade que ocorreu”, justificou. “Está torcendo para que, agora, o criminoso seja identificado e preso”, complementou.

Premeditado

Nesta segunda (21/10/2019), a PCDF está ouvindo testemunhas e familiares do casal. Para a família, o algoz de Noélia é uma pessoa conhecida. “É um quebra-cabeça a ser resolvido. Muito triste. Mas, para mim, foi planejado, porque a pessoa estava armada”, disse Egídio Oliveira, 55, irmão da vítima.

Sobrinho de Noélia, Arthur Henrique Silva de Oliveira, 28, também acredita que a vítima conhecia o autor do feminicídio. “Pela forma como ocorreu, ela o conhecia. Minha tia não entraria no carro de um desconhecido por conta própria.”

No início da tarde, Marcos Paulo Mendes Santana, esteve na delegacia. Ele teria ido, segundo seu advogado, buscar o celular apreendido pela polícia na sexta-feira (18/10/2019) e objetos da mulher. “Meu cliente não precisou prestar esclarecimentos e, se precisasse, teria prestado”, informou o defensor. A PCDF também apreendeu a moto, o carro e as roupas usadas por Marcos Paulo no dia em que Noélia estava desaparecida.

Noélia havia registrado duas ocorrências de violência doméstica, uma contra o atual marido – com quem tem dois filhos –, em 2010, e outra contra o ex-companheiro – pai de seu primogênito –, em 2007. As denúncias não prosperaram nem chegaram à Justiça. Não há, porém, informação se a vítima retirou as queixas ou se os inquéritos foram arquivados.

 

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