Militar é investigado por assediar adolescente no Colégio Dom Pedro II

Um professor de futsal, que é bombeiro reformado, teria cometido o crime contra uma menor de 13 anos, aluna da instituição de ensino

Acácio Pinheiro / Agência BrasíliaAcácio Pinheiro / Agência Brasília

atualizado 22/05/2019 15:08

A Polícia Civil do Distrito Federal e a Corregedoria do Corpo de Bombeiros investigam denúncia de assédio sexual no Colégio Militar Dom Pedro II, no Setor Policial Sul. Um professor de futsal, que é bombeiro reformado, teria cometido o crime contra uma adolescente de 13 anos, aluna da instituição de ensino.

A corporação confirmou ao Metrópoles que o educador foi demitido por justa causa em 2 de maio. Informou ainda que, tão logo soube da denúncia, em 24 de abril, afastou preventivamente o militar por 15 dias. Porém, mesmo antes de o período terminar, decidiu pela demissão por justa causa um vez que “o funcionário não detém perfil adequado para permanecer como docente na instituição”. O neto do vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), estuda no mesmo colégio.

Agora, o CBMDF aguarda a finalização do depoimento da vítima para dar andamento ao inquérito. Ainda segundo os bombeiros, a direção da escola fez uma reunião com os pais para informá-los sobre o caso. Por meio de nota, a corporação acrescentou que “os alunos estão sendo acompanhados pelo Serviço de Orientação Educacional e pela psicóloga do colégio”.

O Corpo de Bombeiros orientou as famílias de outras possíveis vítimas que registrem ocorrência na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) da Polícia Civil. A especializada já instaurou um inquérito e vai ouvir os alunos nos próximos dias. Por se tratar de bombeiro reformado, o processo vai tramitar na Justiça Militar.

Pais ouvidos pela reportagem relatam o medo dos alunos que precisam voltar à escola. “O professor chegou a nos enviar mensagem dizendo que foi afastado por motivos pessoais. Sabemos que não foi isso. Nossos filhos estão amedrontados e não querem mais frequentar as aulas. É um assunto difícil de abordar. Percebemos que eles têm receio de nos contar o que acontecia nessas aulas”, disse uma mãe que pediu para não ser identificada.

“É difícil de digerir por ser uma instituição militar. Tínhamos a segurança de que o meu filho estava em boas mãos”, desabafou um pai.

Números disparam
Brasília atingiu dados alarmantes de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Levantamento do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) aponta que 1.699 novos casos de estupro de vulnerável foram registrados em 2018. O número representa um crescimento de 30,6% em relação ao ano anterior, quando as ocorrências chegaram a 1.301.

Durante os 12 meses de 2018, cerca de 25% do total de estupros registrados no DF foram cometidos contra crianças e adolescentes. As cidades com frequências maiores são Ceilândia e Samambaia, com 137 e 121 ocorrências, respectivamente. Os dados fazem parte de levantamento realizado pela Corregedoria do MPDFT.

Confira as instruções do MPDFT sobre como agir em caso de violência contra crianças e adolescentes:

Se você suspeitar ou conhecer alguma criança ou adolescente que esteja sofrendo violência, a denúncia deve ser feita para qualquer uma dessas instituições:
• Conselho Tutelar;
• Centro Integrado 18 de maio;
• Delegacia especializada (DPCA) ou demais delegacias de polícia;
• Ouvidoria do MPDFT;
Disque 100 para denúncia por telefone (canal gratuito e anônimo);
• Polícia Federal, para crimes internacionais e interestaduais;
• Polícia Rodoviária Federal, para crimes nas rodovias federais.

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