DF: 3 mulheres são assassinadas em menos de 15 horas em Samambaia

Em dois casos, vítimas foram mortas por pessoas com quem se relacionavam. Motivação e autoria do terceiro homicídio ainda é desconhecida

atualizado 15/01/2020 12:23

Reprodução/Arquivo pessoal

Samambaia registrou o assassinato de três mulheres nesta terça-feira (14/01/2020). Dois dos episódios são tratados pelos investigadores como feminicídio. Em um dos casos, a qualificadora foi descartada pela Polícia Civil (PCDF). Os crimes ocorreram entre as 5h30 e as 19h30.

A morte mais recente ocorreu por volta das 19h30. Segundo informações preliminares repassadas pela Polícia Militar do DF (PMDF), a corporação foi acionada para averiguar uma denúncia de feminicídio no Conjunto 4 da Quadra 321 de Samambaia.

Ao chegarem no endereço, os policiais encontrarem Ruti Paulina da Silva já sem vida. A PMDF afirma que o principal suspeito era o companheiro dela. Ainda não há informações sobre a motivação do crime. O acusado estava foragido até a última atualização desta reportagem.

Vizinhos contaram que ela teria sido esfaqueada e saiu de casa correndo pedindo socorro, mas caiu no chão e ficou agonizando até morrer. A mulher tem dois filhos, um de sete e um de dois anos. Um dele chegou a dizer que viu o pai esfaqueando a vítima.

Morta a facadas

Duas horas antes, Edna Maria de Sousa, 41 anos, foi morta a facadas, com golpes no pescoço e na barriga, também em Samambaia. A Polícia Civil ainda apura a autoria e a motivação do crime. A PCDF não informou se algum suspeito foi preso.

Testemunhas chegaram a acionar o Corpo de Bombeiros para que a mulher pudesse ser socorrida e encaminhada para o hospital. Contudo, quando a equipe de salvamento chegou, apenas constataram o óbito no local.

Aos policiais, o companheiro dela disse que eles estavam em casa à noite na companhia de outro casal e que a mulher do amigo teria esfaqueado Edna. A mulher deixou quatro filhas.

“Roleta-russa”

Foi durante a madrugada que o primeiro crime ocorreu. Leonardo Pereira, 31, assassinou a companheira Gabrielly Miranda (foto em destaque), 18, com um tiro.

Leonardo confessou o crime e disse à polícia que ambos estavam brincando de “roleta-russa”. Na versão dele, a vítima teria apontado a arma contra a perna e acionado o gatilho. Em seguida, ele pegou o revólver, mirou na cabeça da jovem e disparou. Gabrielly morreu na hora.

Na delegacia, o homem mudou a versão que havia informado inicialmente. Em depoimento ao delegado adjunto da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia), Eduardo Escanhoela, Leonardo alegou ter saído para beber com a namorada na noite dessa segunda-feira (13/01/2020) e retornou para casa, na QR 425. Nessa oitiva, ele não entrou em detalhes sobre como ocorreu o disparo que matou a jovem.

Segundo o delegado, o autor iria se entregar após ter cometido o crime, mas voltou para casa e acionou o 190. “Leonardo contou ter ficado desesperado e pegou seu carro para se entregar na delegacia. Entretanto, a gasolina do carro acabou.”

O criminoso vai responder por feminicídio duplamente qualificado por motivo torpe contra a mulher e posse de arma, podendo pegar de 12 a 30 anos de pena. A audiência de custódia deve ocorrer nesta quarta-feira (15/01/2020), podendo ser convertida em liberdade provisória ou prisão preventiva.

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