“Parem de nos matar”, clama ato em defesa das mulheres na UnB

União Brasileira de Mulheres organizou passeata na universidade. Somente neste ano, ocorreram 20 feminicídios no Distrito Federal

Luísa Guimarães/Metrópoles

atualizado 30/08/2018 17:25

“Parem de nos matar”. A frase foi o lema de um ato contra o feminicídio, ocorrido nesta quinta-feira (30/8), na Universidade de Brasília (UnB). Somente neste ano, 20 mulheres foram assassinadas por seus companheiros no Distrito Federal. A vítima mais recente é Maria Regina de Araújo, 44 anos, esfaqueada até a morte pelo marido, no Itapoã.

Dez dias antes de morrer, Regina denunciou Eduardo Gonçalves de Sousa à polícia. A vítima teve o pedido de medida protetiva negado pelo Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Paranoá. Nesta quinta (30), o acusado se entregou à polícia.

A iniciativa na UnB, da União Brasileira de Mulheres, deve se estender a outras regiões do DF. “Morremos de todo jeito, denunciando ou não. Eu tenho seis sobrinhas e me preocupo com o Distrito Federal em que elas vão viver” diz Tamara Naiz, 33, professora, uma das organizadoras da passeata.

“Escolhemos a UnB pela concentração de pessoas e pelo fato de já ter ocorrido um feminicídio aqui”, destacou. O caso a que ela se refere é o da estudante de biologia Louise Ribeiro, 20 anos, assassinada pelo ex, Vinícius Neres, 19, em 2016.

Os participantes do ato andaram pelos corredores do Instituto Central de Ciências e pararam em frente ao Restaurante Universitário. Eles levaram cartazes com os nomes de vítimas recentes de feminicídio.

Também esteve presente Olgamir Amancia, ex-secretária da Mulher do DF e atualmente decana de extensão da UnB. “A violência adoece a mulher, e a denúncia é fundamental. O Estado precisa ter mais sensibilidade”, disse.

 

“Quem precisa nos proteger está nos empurrando para a morte”, declarou, indignada, Ailta Barros, 51, professora do departamento de Serviço Social da UnB. Para ela, o caso de Maria Regina Araújo, que teve o pedido cautelar negado pouco antes de ser assassinada pelo marido, é a maior prova de que as leis vigentes não são suficientes para proteger as mulheres.

 

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