DF: suspeito de feminicídio muda versão sobre “roleta russa”

Rapaz, em ligação ao 190, afirmou que morte de companheira havia ocorrido por causa de jogo. Para delegado, ele deu outra explicação

atualizado 14/01/2020 13:51

Reprodução/Arquivo pessoal

Em depoimento prestado na 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia), o suspeito de matar Gabrielly Miranda, 18 anos, deu detalhes sobre o crime. Entretanto, um ponto chamou atenção: Leonardo Pereira, como foi identificado, ligou para o 190 para falar da morte e citou o termo “roleta russa”, a fim de justificar como a namorada foi atingida. Na versão dada ao delegado, ele não falou sobre o jogo.

No depoimento, Leonardo apenas afirmou que Gabrielly (foto em destaque) deu a arma para ele. O delegado adjunto da 26ª DP, Eduardo Escanhoela, afirmou que a versão dele já foi registrada pela polícia. E Leonardo teria confessado o crime.

“Segundo a versão dele, ontem a noite (segunda-feira, 13/01/2020), eles saíram para beber. Tomaram duas cervejas e voltaram para a casa, na QR 425. Por lá, continuaram bebendo”, afirmou o policial.

“Gabrielly pegou a arma do Leonardo e começou a brincar apontando para a perna (dele). Depois, ela entregou a arma para o namorado e ele apontou para a cabeça (dela). E disparou, matando a jovem”, afirmou o delegado.

Ainda segundo Eduardo Escanhoela, o autor iria se entregar após ter cometido o crime, mas voltou para casa e acionou o 190. “Leonardo contou ter ficado desesperado e pegou seu carro para se entregar na delegacia. Entretanto, a gasolina do carro acabou”.

O detalhe, de acordo com o policial, é que o lugar onde o carro parou fica distante da delegacia, próximo de uma chácara. “Depois, ele voltou para casa a pé e chamou o 190”, finalizou. Leonardo foi preso e está na carceragem da DPE.

O criminoso vai responder por feminicídio duplamente qualificado por motivo torpe contra a mulher e posse de arma, podendo pegar de 12 a 30 anos de pena. A audiência de custódia deve ocorrer nesta quarta-feira (15/01/2020), podendo ser convertida em liberdade provisória ou prisão preventiva.

Relação de medo 

Um homem, que não quis se identificar, afirmou que a jovem tinha medo do parceiro. Entretanto, afirmava que amava Leonardo e que não queria terminar com ele.

“A Gabrielly era uma pessoa muito boa. Já morei com ela e sabia que o Leonardo era muito possessivo com ela. Não deixava ela ter amigos e nem sair direito”, lembra o amigo.

“Em muitas oportunidades ela chegava em casa com olho roxo, toda machucada. Ela me dizia que tinha medo dele, mas, mesmo assim, o amava e não terminaria com o Leonardo”.

A jovem explicitou a situação em alguns posts relacionados a violência em suas redes sociais.

Confira alguns posts:

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