Com Parque Águas Claras às escuras, homem é assaltado: “Foi horrível”

Homem disse que bandidos armados o obrigaram a ficar de joelhos: "Estou traumatizado". Há dias, parque está parcialmente sem luz

atualizado 22/02/2019 15:41

Welerson Henrique Carmo/Foto cedida ao Metrópoles

Um homem foi assaltado na noite dessa quarta-feira (20/2) no Parque de Águas Claras. O advogado João Paulo Mendes Mendonça, 27 anos, expôs a violência em suas redes sociais afirmando estar “em choque” com a situação. A ocorrência foi registrada na 21ª Delegacia de Polícia Civil (Taguatinga Sul). O local está parcialmente às escuras há, pelo menos, duas semanas, e os frequentadores têm reclamado da falta de luz. Muitos moradores deixaram de ir à reserva no período da noite, embora o espaço fique aberto até as 22h.

“Me renderam com agressividade e grave ameaça de explodir minha cabeça a todo instante”, relatou na publicação. Ao Metrópoles, ele confirmou o roubo. Disse que está traumatizado e nem conseguiu trabalhar nessa quinta-feira (21). “Foi horrível. Me levaram ao mato, me colocaram de joelho, botaram arma na minha cabeça”, contou.

João afirma ter sido rendido por dois suspeitos que portavam revólveres calibre .38 perto da entrada principal do parque. O crime ocorreu por volta das 21h. Eles levaram, ainda de acordo com a vítima, R$ 70, o celular e a aliança.

Facebook/Reprodução

O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) afirma não ter conhecimento do assalto de quarta e que está em tratativas com a área de segurança para definir protocolos de vigilância nos parques do DF.

O empresário Welerson Henrique Carmo visita o Parque de Águas Claras três vezes por semana e afirma que, desde o dia 5 de fevereiro, o local está sem iluminação adequada. “Um dia, uma parte do parque tem luz, e no dia seguinte está totalmente escura. Parece até que a energia é desligada de propósito”, destacou.

Nessa terça (19), o empresário foi ao parque para caminhar e gravou um vídeo, indignado com a situação.

 

No dia 5 de fevereiro, a revisora Viviane Novais já havia reclamado da situação. “Éramos muitas mulheres com medo. Juntamos um grupinho e atravessamos o breu com a lanterna do meu celular”, contou.

O Ibram afirmou, em nota, que a Companhia Energética de Brasília (CEB) realizou a manutenção no local nessa quarta (20), e o serviço seria restabelecido.

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De acordo com a CEB, uma equipe de manutenção de iluminação pública será enviada ao local para reparar os pontos que apresentam defeitos. A companhia alega que, no início de fevereiro, a empresa prestadora de serviços foi acionada para uma revisão geral no parque. “Mas neste período de chuvas, com descargas atmosféricas, ocorrem muitos danos, como queima de luminárias e outros equipamentos da IP”, completou a empresa.

A Administração Regional de Águas Claras esclareceu que não pode interferir no funcionamento do parque, que é de responsabilidade do Ibram, e está limitada a fazer solicitações. De acordo com a assessoria, o administrador Ney Robsthon conversou pessoalmente com a direção da CEB e pediu providências. Afirmou, ainda, que desconhece a razão da falta de iluminação no espaço.

Por meio de nota, nesta sexta-feira (22), a Secretaria de Obras informou que funcionários da CEB estiveram no local e que a iluminação do parque está restaurada.

Assalto
A advogada Priscila Lima, de 30 anos, também já passou por uma situação de violência. Por volta de 15h, ela corria no local e seu celular tocou. Na hora de atendê-lo, um homem veio por trás e tentou puxar o aparelho. “Ele parecia visivelmente perturbado ou drogado”, disse a advogada. “Olhou o celular e disse que não valia a pena roubar, pois o iPhone é bloqueado. A atitude foi completamente estranha. Ele não se interessou por mais nada, apenas correu.”

Priscila foi atrás dos seguranças do parque. Os vigilantes rodaram, mas não encontraram ninguém. Ela não chegou a registrar boletim de ocorrência. “O parque é um local muito agradável. Dá pena de ver essa situação de violência.”

O Parque de Águas Claras foi criado em 15 de abril de 2000, pela Lei Complementar nº 287. Tem trilhas para caminhadas, várias quadras de voleibol e futevôlei, Escola da Natureza, além de uma unidade da polícia florestal. Dispõe, também, de floresta com riachos e dois lagos e árvores frutíferas, plantadas por antigos chacareiros que ali habitavam. Exatamente como foi planejado, é uma mancha verde no cenário de prédios altos. Tem 95,4 hectares.

A Polícia Militar informou que, em 2018, foram registradas quatro ocorrências dentro do parque, sendo a maioria por furto de bicicleta. A Polícia Civil não tem estatísticas relativas ao local.

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